DIVAGAR É PRECISO

Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Melhores do Ano, Ivete e Juliana Paes





Não assisto TV aberta – voluntariamente – há anos. E, desde que saí do BackOffice do atendimento ao telespectador da globo, em 2012, reduzi bastante a cota de audiência involuntária também. Mas tenho esbarrado em tantos comentários sobre o recente prêmio Melhores do Ano, do Domingão/Globo, que até formulei teorias, claro, baseado na época que eu ainda assistia a esses eventos com cara de ‘amigo oculto da firma’.

Bem, acontece o que já falei aqui várias vezes, quando falo sobre modismos e massificação de mídia. O que acontece é que essas premiações dão controvérsia nos resultados e aí, começam veículos de comunicação (jornais, sites, revistas, programas de TV, etc) a levantarem como polêmica pra atiçar o burburinho da audiência, sobretudo dos fãs, que entram em guerra por seus ídolos do momento. Ah, e atraem a atenção de enxeridos como eu também. Rá!

Vamos valorizar um negro ganhando, pois
não é sempre. Dá-lhe Jonathan Azevedo.
 Bem, tudo começou, pra mim, quando vi artigos, fofocas digitais e comentários na web sobre duas ‘polêmicas’: A vitória de Ivete Sangalo como melhor cantora e a NÃO vitória de Juliana Paes como melhor atriz. Teve também Faustão sendo Faustão, e ganhando o prêmio do inconveniente do ano, por insistir em chamar Pablo ViTTar de Pablo ViLLar e por fazer piada de gordo com ele e Marília Mendonça (deixando-a nitidamente desconfortável), mas vamos nos ater aos prêmios.

Primeiro, o mais óbvio. Ivete, segundo alguns blogueiros e internautas, não teve a relevância que justificaria ser a cantora do ano de 2017. De acordo com essa corrente de opiniões, seu destaque maior veio por estar grávida de gêmeas e por ter assumido a cadeira de jurada/técnica no The Voice Brasil. Isso, pelo que falaram, não seria mérito pra ganhar como cantora. Ok, segura ae, que eu já volto nisso.

Segundo, temos a Bibi Perigosa de Juliana Paes dando o que falar, mas perdendo pra Paolla Oliveira, a ourta protagonista da mesma novela. Segundo a própria Juliana, ela já saiu de casa naquele clima de ‘já ganhou’ e, sei lá o que ela prometeu pros filhos, disse que chorou e sentiu um buraco no peito quando pensou na frustração dos pequenos em casa.

Bem ,sobre os dois casos, bastaria argumentar que é uma votação aberta ao público e que não obedece a critérios técnicos, apenas à emoção de cada fã clube e sua disposição de perder horas na vida pra tornar gente famosa e rica ainda mais vaidosa e popular na mídia. Ainda, tudo tem aquela cara de festinha de fim de ano da empresa, onde você pode não ganhar o prêmio, mas tá no emprego, então, uma cestinha com frango congelado você leva. É tudo de casa, parafraseando um nome de programa da própria emissora. Pior seria se as opções englobassem todos que atuaram em cada categoria. Já pensou, não ser uma premiação apenas no âmbito globo/associados (gravadoras, canais pagos, afiliados, sites parceiros).

Em suma, se Ivete ganhou na frente de Anitta e Marília Mendonça, isso só prova que as modinhas ainda não têm bagagem pra superar quem tem uma carreira de algumas décadas e uma legião de fãs sólida. E se Juliana, que é bem mais atriz que Paolla Oliveira, perdeu na globo, já to sabendo que receberá prêmio da crítica na mesma categoria, agora na virada pra 2018 em outra instituição mais abrangente.

Na ponta do lápis e no frigir dos ovos, é tudo uma tempestade num dedal com água. Uma guerra de vaidades de fãs enquanto seus ídolos continuam ricos e famosos. Lembre-se: Enquanto algum parente ou amigo seu chora pra receber o salário em dia, Luan acaba de comprar um jatinho de $17 milhões. Mas, anime-se, o possante pode ir de sampa ao Chile sem precisar fazer paradas. Yey! ¬ ¬ 



P.S,: Artistas negros continuam sendo minoria absoluta nesses ambientes, porque não recebem papéis relevantes o suficiente pra disputar ou mesmo criar sua base de fãs. Sendo assim, continuo não dando a mínima a esses espetáculos de exclusão do negro abertos à mídia. Se não me vejo representado, não dou ibope.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Homem rebate atitude racista e recebe aplausos



Sabe aquelas atitudes de rebeldia contra o racismo que de tão simples e diretas chegam a ser desconcertantes? Do tipo que a gente fica entre o êxtase e o “caraça! Queria estar lá, se não pra fazer, pelo menos pra presenciar e abraçar o irmão”.

O que aconteceu

Emmit Eclass Walker, nosso herói negro representativo do momento, estava lá na fila do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, Washington, esperando numa fila pré-embarque para a República Dominicana, onde passaria seu aniversário, quando surge uma moça branca cuspindo racismo e classismo como um cão com hidrofobia. Mas a(s) resposta(s) que ele deu... Olha, vou reproduzir, em tradução livre, o diálogo que Emmit reportou em seu Facebook, porque não teria graça apenas contar no que deu:


Ela: Com licença, acredito que você esteja no lugar errado. Você precisa nos deixar passar. Esta fila é de embarque prioritário.

Emmit: Prioridade significa Primeira classe, certo?

Ela: Sim... agora, me dê licença. Eles vão chamar vocês todos quando nós embarcarmos.

Emmit: (esfreguei meu cartão de embarque na cara dela) Pode relaxar, dona, estou no lugar certo e há mais tempo. Então, você pode embarcar depois de mim.



Ela: (insistentemente) Deve ser militar ou coisa assim, mas nós pagamos pelos nossos assentos, ainda assim, você deveria esperar.

Emmit: (também insiste) Que nada, sou muito grande pra forças armadas. Sou só um preto com dinheiro!




Todos na fila de pré-embarque começaram a aplaudir. (risos)



Percebe a audácia do racista? Ele acha infantilmente que tem que ser o privilegiado. Não conseguindo de primeira, apela pro senso comum de que o negro está em alguma condição de assistencialismo social. E, em último caso, simplesmente acha que deve ter o privilégio de qualquer forma. É dessas pessoas que acham ainda que o lugar do negro é no fundo dos ônibus estadunidenses.


Enfim, palmas, muitas palmas, para Emmit Walker e que venham mais exemplos às redes, porque reagir e responder a um racista é coisa pra se viralizar e servir de exemplo pros nossos, pra responderem com firmeza e sem nervosismo, e pra eles, pra saberem o que os espera quando abrirem o falador pra destilar racismo. Estaremos preparados. 

Enquanto isso... keep Walker!





Fontes:

https://www.bet.com/news/national/2017/12/06/this-man-s-viral-clapback-at-a-white-woman-who-tried-to-tell-him.html?linkId=45586106

https://www.facebook.com/emmit.walker?hc_ref=ARRjr-4I_07R9qQ7LHPf-tirgVt90sy-uevbOhQRi-jk4qfWoPDXe8Vt6lEKoTeeLrs&fref=nf

https://oglobo.globo.com/sociedade/americano-negro-rebate-com-estilo-mulher-que-questionou-por-estar-na-fila-da-primeira-classe-1-22162405

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Naldo Benny encrencado por agressão à esposa

Naldo Benny (sobrenome artístico mais estúpido, caras) foi acusado de agressão por sua esposa, a famosa ex-Mulher-Moranguinho. Bem, não é bom falar sem base e eu não conheço o casal pessoalmente pra saber efetivamente como é a rotina, mas dá pra pegar um perfil por alto.

Vamos começar com os noticiários de alguns anos pra cá, muito provavelmente de 2010, 2011 pra hoje. Naldo saiu do ostracismo e ganhou uma mídia legal (um pouco antes de investirem numa tal Mc Anitta) e parecia o grande astro pop da vez. Fez tudo que todos fazem: Renegou a raiz funkeira, se auto-intitulou pop, fez referências a astros pop internacionais e... sobre isso, eu falo mais no final do texto. Aguarde e confie. Ah, só não esqueceu do passado pra fazer momento piegas com a perda do irmão e parceiro, Lula e a infância pobre, que todos gostam de ostentar antes de falar coisas como ‘não saio de casa por menos de 150 mil’.

Oras, o que se viu foi uma carreira meteórica desandar entre noticias de shows vazios no exterior, a adição desse sobrenome com direito a bonés e roupas com a inscrição e uma falta de tato em responder internautas (até gestos pouco gentis o bonitão lançou). Ah, e numa pequena guerra particular com um ou outro colunista de fofocas, saíam notinhas – cifradas ou diretas – dando conta de que o relacionamento com Moranguinho tinha altos e baixos... brigas públicas e até a famosa história de que a moça teria se aposentado dos palcos para ser a esposinha bela, recatada e do lar, mediante, diziam na época, um certo numerário, estilo dondoca.

E é aí que pego carona. Afora o flerte com a música gospel, que não passou de uma foto sem contexto (um suposto batismo) com Thales Roberto e um tal passado familiar evangélico, vimos o cantor perder a mão da carreira até sumir da mídia... Mas, antes, quem também não lembra que ele foi notícia quando sua ex-esposa, Branka, que estava com ele desde a adolescência, começou a falar.

 



A moça falou muito nos jornais sobre como agenciava a carreira do queridão e só parou quando contratou a, então dançarina, Mulher-Moranguinho, para estrelar um clipe com o artista e ele a trocou pela rebolativa modelo-fruta. Nessa época, também veio o adolescente Pablo, filho do primeiro casamento a público mandar diretas e indiretas sobre a traição do pai e o modo afastado com que exercia a paternidade. Só mudou quando, talvez pra não pagar pensão, o cara levou o filho pra dentro de casa, convivendo com sua atual, que o garoto jurava odiar pelo que ajudou a fazer com sua mãe.


Complicado, né? Agora, que denunciar assédio e violência – principalmente contra a mulher - está muito em voga – graças à Iansã – o rapaz é dedurado pela esposa e aparece chorando... Ah, Naldo, se agrediu, quem tem a vez de chorar é ela. Deixa de ser fominha. 

Pelo menos a ela coube denunciar. Já é bem justo e que sirva de exemplo. Pra homens abusivos e mulheres oprimidas. Agora não adianta falar que tá arrependido ou abalado. Como eu falo numa canção minha: 'desculpa não é pra pedir, desculpa é pra se evitar'.


E já vejo os coleguinhas de cela do Naldo mandando pra ele: "Se joga, se joga, joga no meu colo e vem... Se joga, meu amoooor....". Ixi, não vai ter vodca, nem água de coco que dê jeito pro astral ficar lá no alto, em cima, alto, em cima, em cima, em cima... Rá!


Que deselegante!
Ps: Lembra que falei que voltaria no assunto das referências pop internacionais? Pois é, uma tecla muito martelada pelo Naldo era de sua admiração - e imitação descarada frequentemente - por Chris Brown... Tá ligado? O prodígio pop que agredia sua, então namorada, Rihanna? Falo mais nada. Aliás, uma reflexão:

Famoso artista pop negro em decadência, de origem pobre e que volta à mídia nas páginas policiais, tentando argumentar arrependimento depois de agredir a moça famosa com quem vive...

É, Naldo, não parecia tão séria a sua admiração por Chris Brown. Tente imitar mais o Will Smith na próxima.

Ps²: Alguém notou o trocadilho do título? E por falar em naldo, piada... vamos com a melhor:



Fontes:

https://extra.globo.com/famosos/naldo-chora-em-video-pede-perdao-mulher-apos-denuncia-de-agressao-22162236.html

https://extra.globo.com/casos-de-policia/naldo-acusado-de-agredir-moranguinho-com-golpe-dado-com-garrafa-22163841.html

https://extra.globo.com/famosos/naldo-esta-muito-abalado-arrependido-chora-tempo-todo-diz-amigo-22160995.html

https://extra.globo.com/casos-de-policia/tres-dias-apos-agressoes-justica-determinou-que-naldo-se-afastasse-de-moranguinho-22158165.html

Claudia Milllk com K?



Coisa de 4, 5 anos atrás, a modinha era as funkeiras – e demais ‘artistas pop’ se entregarem de vez às letras desafiadoras de egos. Sabe, aquelas em que meninas xingam outras meninas na disputa de atenção dos meninos bêbados da balada (que, por sua vez, só estão vendo um pedaço de carne dando mole no salão) e essas coisas.

Pois bem, ainda tem gente batendo nessa tecla, como se já não fosse bem infantilóide em adolescentes, mulheres feitas aderem a isso porque inegavelmente, o público jovem é o maior consumidor de modas de mídia. Pode ser apelativo e sem inspiração, mas não é crime, certo? Mas... e quando a coisa sai do limite? E quando em vez de repetitivo, a coisa descamba pra imitação descarada?

Pois é, é o que Claudia Leitte aprontou agora. Depois de surgir como um clone de Ivete Sangalo, tentar uma carreira internacional macarrônica, apelar se auto-intitulando ‘nega lora’, e ser a jurada mais ‘meme’ do The Voice e do mundo, Milllk vem com essa abordagem, um tanto, defasada de ‘lacradora’. Amigas minhas, fãs de Karol Conka há tempos, já usavam essa expressão, entre outras, desde esses 4, 5 anos.

Veja só a recente ‘Lacradora’, de Claudia e a anterior ‘Lista Vip’, de Conka, respectivamente. Veja que Ivete Jr. nem se importou em criar outra palavra pra, quem sabe, dar seu próprio estilo em algo reciclado. Pra quê, né?

"Lacradora":
Copo na mão
E as inimigas no chão
Copo na mão
E as inimigas no chão
Claudinha lacradora
Dando nas recalcadas
Enquanto a gente brinda
Elas tomam pisão





"Lista Vip":
O nome 'tá na lista então é só chegar
Arrasei meu look sei que vou causar
Drink na mão, inimigas no chão
Pisando firme, sente a pressão
Só falo uma vez preste atenção

Uma vez preste atenção


Não há impedimento de uma certa repetição de padrão, ainda mais quando a abordagem dá retorno financeiro e midiático, mas, gente... Imitar versos inteiros onde nem dá pra dizer que são expressões de amplo uso popular? Até Anitta, que já é um mexidão diluído de várias tendências pop internacionais segue uma linha minimamente própria.

Em suma, perseguir o sucesso não é proibido, mas a exemplo de Latino, essa busca por atenção já caiu na galhofa. Latino ainda teve um tempo que se preocupou pelo menos, em imitar quem não era tão conhecido (ele tem uma coreografia antiga baseada em Everybody, dos Backstreet Boys), pois se beneficiava no atraso que as novidades tinham pra chegar aqui antes da internet explodir como fenômeno da comunicação descentralizada. Milllk, nem isso. Ou tá presumindo errado que o público não tem internet – nem TV paga – ou já entrou no desespero da ura da febre do rato da subcelebridade carente de ficar em evidência.


Se for pra citar a irmãzinha Karol, vamos assim: Já que é pra tombar, tombei... de vergonha alheia.



Fonte: http://entretenimento.r7.com/blogs/odair-braz-jr/criticas/plagio-lacradora-sera-que-claudia-leitte-nao-aprende-nunca-07-12-2017/

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A linda negra Titi contra a abominável socialite inútil



Tem gente que acredita que o problema no Brasil não é racial e sim, social... Bem, eu já escrevi aqui várias vezes que se vivemos em sociedade, todo TODO problema que afete um grupo inteiro dessa sociedade, É NECESSARIAMENTE um problema social. E o racismo existe aqui desde que o primeiro português pisou nessa terra. Primeiro, foram os nativos daqui, chamados vulgarmente de índios, e depois com o negro, já que o povo africano não veio pra cá em férias ou pra buscar oportunidades de emprego na região administrativa mais próxima. Veio pra cá escravizado, ou melhor, foi sequestrado pra cá para trabalhos forçados e todo tipo de violência física, psicológica e ideológica existente.

Dito isso, vamos ao assunto principal: Titi. A filha adotiva do casal branco global Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbanck. Essa última ocorrência (falo assim, porque racismo é crime previsto em lei) de uma socialite qualquer aí, ofendendo a menina em sua negritude, é só a mais recente (até o momento). Lembro que cheguei a escrever um texto duvidando da autenticidade de Giovanna em fazer uma matéria para o Domingão do Faustão no Malawi, África. Duvidei da emoção toda com as crianças, o que me soou demagogia ou aquela emoção que você tem fora e não leva pra casa. Fica meu solene pedido de desculpas por isso, afinal, vemos tantos brancos ‘bem intencionados’, mas que não nos respeitam, tratando da própria imagem de bonzinho (quando acontece) que fiquei com os dois pés atrás.

Aí, o casal adotou uma menina que participou da tal matéria e eu pensei: “É, me ferrei nessa, mas gostei!”. Gostei porque eu já tinha a plena noção de que isso ia acontecer. Uma menina negra adotada por brancos famosos... Já teve de um tudo nesses últimos 2 anos. Teve gente pra dizer que eles são lindos demais pra adotar uma ‘negrinha’, que a criança deveria ser ao menos brasileira e outras baboseiras ofensivas. O que Titi vem sofrendo nos 2 anos que vive aqui no Brasil é o que todos nós, da melanina acentuada, vivemos todos os dias de todos os anos de nossa vida. 

Voltando um pouco ao lance do ‘problema social’, muita gente acha que o Pelé, por exemplo, não sofre racismo porque é rico e famoso... Mas sabemos que não é bem assim, né? Veja Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão), Barack Obama (aquele mesmo) e a própria Titi. Gente rica e famosa que sofre racismo, porque o ódio não está na classe social ou no recheio da carteira/conta bancária, está no ranço social histórico de que o negro é feito pra ser menos, pra ser o serviçal, ou no máximo, o braço forte e o esportista/artista talentoso (pra ser roubado na apropriação cultural branca que nos rouba pra ganhar dinheiro, diga-se).

Mas a coisa toda ganha ares bem mais graves quando acontece com um famoso. Quando somos nós, pretos pobres, periféricos falando, somos os neuróticos, os ‘malcolm x’, ouvimos coisas do tipo  ‘vocês veem racismo em tudo’, ‘é só uma opinião’ e essas besteiras de quem nitidamente tá defendendo o racista ou por ignorâncias ou por má fé. Agora, quando é com a filha de um famoso, um lindão colírio capricho global, aí a coisa muda. Até quem nem sabe o conceito de racismo diz que ‘é um absurdo em pleno século 21 ainda ter racismo’, como se racismo fosse uma moda que passa. Racismo é a estrutura da sociedade, desde que trouxeram negros escravizados, desde que ‘libertaram’ os negros escravizados, mas não levantaram um dedo pra inseri-los nas sociedade como cidadão, desde que esses negros largados ao deus dará, formaram moradias irregulares, chamadas depois de favelas, desde que o governo promoveu a expulsão dessa camada da sociedade dos centros urbanos pra periferias e subúrbios... enfim, tendeu, né?

Mas não estou reclamando, só acho irônico que precise ser com a filha de um casal famoso pra ter noticiário amplo. No dia a dia, saem notícias como essa frequentemente na internet, nos facebooks e blogs da vida... Nem precisa procurar tanto. E se pensarmos nas vezes que isso acontece no cotidiano... Olha, esse povo defensor da igualdade de ocasião ficaria tão enojado que até poderia abandonar a causa pra não ter que ver isso. Mas, ei, nós não temos essa opção, certo? Mesmo que ignoremos, vamos passar por isso na pele. E vejo com bons olhos que pelo menos o branco defendendo a filha preta ganhe visibilidade. Do jeito que estou calejado, ainda desconfio que futuramente isso vá virar uma parte blindada, tipo, o único espaço onde vão noticiar, deixando o preto do ‘todo dia’ escondido. Ainda mais a globo, onde um diretor de jornalismo conseguiu produzir um livro chamado ‘não somos racistas’. Como fica sua cara agora, Ali Kamel? Percebeu o mundo à sua volta? Vai parar de ignorar ou fingir que não notou?


No mais, palmas para Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbanck e que coma todas as porcarias do mundo na cadeia pra aquela inútil que achou que tava abafando tratando como defeito a lindeza de negritude que a menina Titi é. Alguém mais pensou aí em algum projeto de lei que permite psicólogos e psiquiatras reverterem mentalmente um racista? Porque se alguém pensou em 'cura gay' e muitos defenderam, porque não pensam em 'cura do racista', já uqe racismo sim, mata, violenta e prejudica a sociedade como um todo. É só. Racistas não passarão.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Black Friday começou com venda de escravos negros?



Amores e amoras, vamos evitar a divulgação dessa lenda de que o Black Friday vem da venda de negros escravizados nos EUAses e tals... não há QUALQUER referência histórica de que o evento descende diretamente da venda de pessoas como propriedade. Isso só enfraquece nossa luta, pois estaremos fazendo como aquela galera que repassa mentiras por face ou zap achando que tá recebendo atenção e likes por prestar um grande serviço. Não passa de fofoca, essa que é a verdade.

Antes de repassar, por mais impactante que seja uma informação, precisamos pesquisar de onde saiu, quem disse e se tiver nomes – que geralmente esses boatos não informam, vamos ao Google, pelo menos, pra localizar esse nome, ver se existe mesmo, se é algo atual, se não foi distorcido. Tá chei ode gente desocupada e maldosa por aí que só quer ver o mundo pegar fogo enquanto compartilha suas mentiras. É uma trollagem, no mínimo e quem cai, cai ingênuo, mas não isento de responsabilidade.

No máximo, segundo li, o termo pode passar por racista por usar aquele senso comum de associar a palavra preto/negro a algo ruim, como é o caso da cotação do preço do ouro nos EUAses de mil oitocentos e tal, mas não referente diretamente à escravidão. Aliás, foi criado depois da abolição de lá.

O Black Friday já foi motivo de informação até de que teria sido criado bem após a escravidão nos EUAses, durante a década de 1960 e teria relação com o feriado de Ação de Graças de lá. Enfim, até voltarei a pesquisar melhor isso, mas por hora, como não tenho certeza, não vou repassar. Viu coo funciona? Não tenho certeza, não digo por aí que é verdade.

E ainda tem o pior: A gente pode passar o vexame de ser questionado por alguém realmente curioso e não ter de onde confirmar. Canso de ver isso e dá uma vergonha alheia danada. A pessoa treme, gagueja, tenta desconversar, dá palpitação e, por fim, admite que não sabe. Mas ainda tenta sair com alguma desculpa tão vergonhosa quanto a postura inicial de mentir achando que tá sendo o porta-voz da novidade no mundo da internet.


Apenas não. Black Friday não tem comprovação histórica. Não passemos por mentirosos e neuróticos só porque a palavra negro/preto está estampando algo. Não nos arrisquemos a dar razão aqueles que falam que inventamos o racismo ou que ‘vemos o racismo em tudo’.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O que precisamos aprender com os EUAses?

Martin Luther King Jr e Malcolm X. Ideias diferentes na
luta contra o racismo. 
Há coisa que se tornam senso comum e a partir daí, a maioria nunca mais para pra observar. A sociedade em geral entende aquilo como um conhecimento fixo e não volta mais naquela situação pra analisar se mudou, se era aquilo mesmo, se impressões não deram a ideia errada e tals... E o tal do conhecimento engessado abordado neste texto é a questão racial nos EUAses (é, eu falo assim da sigla deles, sorry).

A questão é que lá, como aqui, a camada colonizadora e exploradora, europeia e euro-descendente, viveu nas costas de índios e negros escravizados pra seu sustento aristocrático. Mesmo o branco mais pobre ainda era ‘melhor’ que o negro mais inteligente, por exemplo. Sabemos que eles disputam entre eles o poder, mas têm por certo que negros não entram nessa equação. Seria como eles perderem seus privilégios que eles mesmos criam por puro protecionismo e corporativismo.

Mas, enfim, ouço muito defensor velado de racismo alegando que nossa luta aqui é exagero, porque racismo mesmo é lá nos EUAses, com KKK (Ku Klux Klan, não é uma risada de internet) e toda aquela palhaçada. Acontece que aqui, pode não ter um grupo assumidamente racista, mas a ideologia funciona em nível subconsciente. Mas mesmo lá sendo acusado de ser um país racista (e é, estruturalmente), ainda temos diferenças gritantes que não necessariamente são desvantagens.

Veja bem, lá teve uma guerra civil pelo fim da escravidão em todo o território nacional. Tudo bem que não foi por puro humanismo, mas por mudanças nos padrões de produção e desenvolvimento industrial e tecnológico, mas ainda assim, teve algo. Aqui a gente é calado até por ‘amigo’ do lado, só de mencionar algum caso de racismo. Isso hoje em dia. Lá também teve uma série de conflitos físicos e violentos em nome da conquista de direitos civis para os negros. Aqui, cotas raciais ainda são um tabu que muita gente fala sem nem saber do que se tratam, de onde vem a ideologia ou o efeito que isso deve causar na sociedade.

Vale lembrar, sim, que lá, negro é minoria étnica na composição da população do país. Um povo dentro de uma sociedade multiracial. Aqui, somos mais miscigenados e não crescemos com tanta noção étnica, cultural e ideológica enquanto povo. Somos programados a achar que o Brasil foi feito da união pacífica, consensual, harmônica e sorridente. Tipo, o branco, o índio e o negro se juntaram e fizeram filhos e netos ‘mulatinhos’ (argh!) pra tudo acabar em samba. Pura mentira, né? Amigo não escraviza amigo e não faz filho fora de casamento dentro de senzala pra demonstrar carinho. Essa ideia de que a casa grande é a tutora legal e cuidadora da senzala é um dos maiores caôs do país.

Sendo assim, o negro estadunidense tem uma noção de identidade cultural bem mais apurada. Além disso, há produtoras de mídia e cultura inteiramente negras. Veja pelas séries, filmes e mesmo nas produções predominantemente brancas, ainda vemos negros encarnando médicos, advogados, pilotos de avião, presidente do país (muito antes de Obama na vida real, Morgan Freeman já tinha comandado o país em Impacto Profundo) e até o deus bíblico o próprio Freeman já encenou. Não estou ignorando que muitas produções só colocam negros lá pra ser o primeiro a morrer, fazer piadas ou carregar peso. Mas há uma diversidade maior.

Aqui? Existem uns 5 medalhões que podem, a cada 10 anos, protagonizar alguma novela, talvez um filme sobre favela (talvez, porque na hora do protagonismo, eles botam favelado branco pra todo lado). Aqui não temos uma mídia própria, que nos dê espaço. Ficamos disputando com a camada dominante onde eles tanto mandam que nem se importam em excluir os outros. Lá você vê Eu, a patroa e as crianças, Fresh Prince of Bel Air (Um Maluco no Pedaço), Elas e Eu, filmes como Vizinhança do Barulho e outros... Aqui, quando o negro é abordado é o pobre sofrido, tipo Antonia, Subúrbia, sem contar naquele miserável Sexo e as nega (que sofra no inferno, série bizarra, machista e racista).

Quero dizer, cadê o negro sendo o negro brasileiro? Somos só esses bandidos ou pobres submissos que eles veem na gente? E a caneta? Não vamos evoluir nem um passo enquanto quem comanda atrás das câmeras não for preto também. Aí, na frente da telinha, vamos continuar sendo mal representados. Mais de 50% da população aqui é preta ou parda, mas parece não ter a disposição ideológica pra desligar a TV se essa não lhe fizer justiça. Não liga que a TV seja a casa grande, desde que tenha seu programa favorito passando para a senzala. Até no campo da música. O samba e o funk hoje são produtos rentáveis pra midia branca, mas o maior público é o preto, que se acha representado porque não é educado pra contestar, só pra aceitar o que é massivamente empurrado mídia afora.


Então, não é lá que é racista, aqui é muito mais, se você pensar que lá a população negra é pouco mais de 10% do país e ainda assim possuem uma cultura própria e coesa. Aqui negamos o racismo mas não deixamos de praticá-lo. É só abrir os olhos. Quem foge do assunto é porque tá devendo e tem medo de acabar se entregando. 

sábado, 4 de novembro de 2017

A Cabana do Pai Tomás e as relações de racismo "amistoso" no Brasil



A Cabana do Pai Tomás foi uma novela global que passou entre 1969 e 1970. O casal protagonista lutava contra a tirania dos senhores de escravos em prol da liberdade. Bunitim, né? Não, pois começam os problemas já na escalação do casal negro.

Sérgio Cardoso era branco e por indicação do patrocinador (Colgate-Palmolive) foi pintado de preto pra representar o personagem-título. A esposa, vivida pela maravilhosa Ruth de Souza (negra), teve seu nome passado pra trás nos créditos de abertura porque atrizes brancas do elenco não aceitavam ter uma negra 'acima' delas. A emissora compactuou com tudo isso.

Então, vamos às conclusões: Numa novela que retrata a escravidão, os coadjuvantes eram negros, mas o protagonista era branco de blackface. Sério que ele não levantou a voz pra defender os 'amigos'? Não me convenceria nenhuma interpretação por liberdade de quem aceita passar os colegas negros pra trás.

Daí, vemos o retrato do Brasil racista. O branco sabe o privilégio que tem e mesmo que não levante discurso racista, está ok com a condição do negro, desde que se mantenha acima. Não quer justiça, quer o negro bem, mas quer a si mesmo acima dele, no seu ideal de normalidade. E é daí que surge aquela insistência do branco fugir do assunto racismo, dizer que é um assunto apenas do negro e que o racismo nem existe, em alguns casos.

É não querer entrar em conflito porque não é atingido diretamente. Claro que não é todo branco que vive assim, vendo o irmão apanhar e ficando quieto apenas pra não se indispor com ninguém. Mas os que são assim, a gente percebe de longe, igual perfume barato ou cheiro de sapato de quem pisou na bosta.

Como seria se naquela época, os brancos se levantassem e dissessem 'ei, negros é que devem interpretar personagens negros'? Como seria se os negros falassem 'ei, se é assim, prefiro juntar a negada em outro canto pra gente fazer nossos próprios trabalhos'. Nos EUAses funcionou, há décadas que eles fazem séries, filmes e demais programas de TV com elencos inteiramente negros.

Isso não é só uma questão de 'mimimi', é geração de auto-estima, emprego e representatividade pra uma camada enorme da sociedade. Não queremos roubar o espaço de ninguém, só queremos o nosso próprio espaço autônomo e não migalhas que eles dão pra manter essa relação de dependência, pois temem que nos tornemos mais proeminentes nas áreas onde estão acomodados, vivendo de inércia.

Casa Grande-Senzala é o C... Como diriam Cidinho e Doca: "Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui".

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Black is Beautiful. Racismo não é


Black is Beautiful (Negro é lindo) é um movimento iniciado na década de 1960 nos EUAses a fim de afirmar a beleza dos traços afrodescendentes. Sabemos que a sociedade é racista e que desde que o europeu inventou de sequestrar e roubar pessoas negras da África pra Europa e Américas que esse quadro permanece, perdão pelo trocadilho, negro. Sabendo que o racismo assola o mundo, a referida campanha veio pra desconstruir aquele racismo internalizado que subconscientemente diz que os traços negros não são lá tão atraentes, bonitos ou simpáticos.

Pensa aí em quantas vezes até você mesmo que está lendo isso não olhou um negro e um branco e automaticamente achou o branco mais atraente sem motivo, aparentemente, nenhum. Pois é. O negro não é escolhido pra galã, no máximo, um símbolo sexual relacionado quase que a uma libido selvagem e insaciável. Mas beleza mesmo, aquela coisa pura, quase romântica, essa não é pro negro nem lá nem aqui. E é por isso que o movimento Black is Beautiful ganhou o mundo. Porque o negro precisava se afirmar como um ser humano e não como uma caricatura, como naqueles desenhos em que o cara explode e de branco fica com nítidas características afro, dando a entender que o negro é um branco defeituoso, queimado, sujo ou pintado. O ser humano que deu errado.

Aí, aparece a tal da campanha de papel higiênico preto e eu nem aí pra ela. Confesso que quase não assisto TV aberta – justamente por não me ver representado na telinha – e tava fazendo igual a uma vaca pra esse comercial (tá ligado, vaca, ela caga e anda – Rá!). O que me atentou pra essa campanha, estrelada pela ruiva que virou fantasma naquela novela de 90 atores brancos e só dois negros sem falas, foi o slogan: Black is Beautiful.

Confesso que antes de saber do slogan, eu nem tinha visto racismo e não tinha entendido porque a atriz se disse tão arrependida, tentando até já se desvencilhar da marca (claro, eu nunca acredito que é arrependimento pela ofensa, mas sim por arriscar ficar com o filme queimado para a próxima propaganda milionária). Aí, uma amiga (minha) me marcou numa publicação de uma amiga (dela) em que a moça também não teria visto racismo ali, alegando que as pessoas estão vendo racismo em tudo, que é vitimismo, mimimi e bobobó...

Pois é, mas vendo a campanha com o slogan, percebi como fui distraído. Não é a cor do papel em si, é o próprio slogan. A frase tem um contexto de forte luta por justiça social e racial e quando é usada como um simples trocadilho, ela perde todo o significado. Esvazia o empoderamento do negro. E, na boa, isso é como colocar o nome da sua mãe na sua cadela de estimação. Soa forte, né? Soa agressivo, né? Você acha que melhora dizer pras pessoas que nomeou um animal pra homenagear uma pessoa querida? É assim que eu vejo.

Dê uma boa olhada na imagem que ilustra este texto. Dei um Google pouco antes de iniciar estas palavras. Na seção imagens do Google, você joga a frase e olha o que aparece. Sim, imagens relacionadas ao empoderamento da auto-estima do negro. Mas aparecem uns resultados pingados de um papel higiênico que, por uma questão de linguística, leva o mesmo adjetivo. Racismo não é só quando alguém te xinga ou atira em você dizendo que é por sua cor. Racismo – que não é só questão de opinião e se for, tadinhx – também é quando alguém usa uma poderosa ferramenta de nossa luta por respeito e contra o racismo, pra vender papel higiênico.

Sinto muito, Marina, mas a campanha é racista sim. Não é agressiva, é cínica e desleixada. No mínimo o racismo ali foi por falta de consideração com o próximo. Como quando você faz uma piada de gordo e ignora que algumas pessoas na roda de conversa são gordas. Pode ter o atingido que não vai ligar, como muitos negros Holiday se acham mais legais aturando racismo e fingindo não ver, mas não é porque você releva um tapa que a porrada não aconteceu. A frase Black is Beautiful foi um marco na luta por direitos civis nos EUAses e já virou até nome de música por aqui.

Ou o erro foi por usar uma frase sem saber do real significado social dela ou foi uma maldade bem mesquinha. Acontece. A gente é passível de falar uma besteira por faltar informações importantes, vejo muita gente fazendo isso com boatos de internet, principalmente sobre política. O mais sensato é admitir, foi mal aê, vamos melhorar na próxima. Mas negar o racismo é bizarro. É fechar os olhos e dizer que não está lá porque você desprezou.

Na minha opinião direta e sincera (não tenho outro jeito que me interesse de ser) isso é, sim, uma provocação gratuita. Aliás, gratuita não, barata e muito mais rentável pra quem faz. Pensa comigo, gafanhoto, às vésperas do mês onde se localiza o dia da consciência negra, eles lançam um produto remetendo à cultura negra, tipo a Dove fez há algumas semanas dando a entender que depois do produto a mulher negra vira branca, como se fosse sujeira...


Dá burburinho, viraliza, militantes como eu, vão à internet repudiar, se manifestar – e dar um pouquinho de ibope pra eles por tabela – e.... E... E aí, eles estão ganhando propaganda a baixo custo pra um produto que até mesmo muito negro vai comprar. Eu estudei publicidade por um ano antes de ir pro jornalismo e uma coisa é certa: Não se lança uma vírgula no mercado sem um estudo minucioso sobre intenções de alcance de público, o tipo de público, o custo que vai gerar, etc... Essa parte do marketing estabelece cada de talhe a ser considerado pra que o produto seja vendido da melhor maneira. Aliás, o produto não, a ideia do produto. 

Por exemplo, não se vende um carro, você vende conforto, segurança, sensação de poder e liberdade, sacou? E o que Personal vende? Uma polemicazinha de graça pra propagar ainda mais seu produto diferenciado. Não é um racismo direto, é uma alfinetada pra fazer barulho.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Rose, chega pra lá! Jack podia se salvar


O cientista Neil DeGrasse Tyson (aquele do meme ‘ui, ele é o bonzão’, que fez sucesso há alguns anos), deu uma entrevista recentemente ao site The Huffington Post, onde falou sobre uma polêmica que persegue o filme Titanic (1997). Pois bem, Tyson falou especificamente sobre a controversa cena, lá pro final do filme, em que Jack (Leonardo Dicaprio) e Rose (Kate Winslet) procuram, literalmente, uma tábua de salvação. Ele falou:

“Ele tentou uma vez e decidiu morrer congelado na água. Não! O nosso instinto de sobrevivência é muito mais forte do que aquilo em qualquer pessoa, especialmente naquele personagem. Ele é um sobrevivente, certo? Ele deveria ter se esforçado mais”.


E eu sempre achei isso mesmo. O cara frisa no começo do filme que é um sobrevivente, ele fala pra própria garota que vai dar um jeito de sobreviver, quando a convenceu a ir sem ele num bote, e nem bem tentou se apoiar, já se conformou em deixá-la só? E outra, não estamos falando de um romantismo cinematográfico, estamos falando de pessoas em meio a um naufrágio, num mar congelante.


Pensando bem, ele já tinha demonstrado grande sagacidade ao procurar uma das extremidades do navio já prevendo que ao afundar, aquela parte os deixaria na superfície, não arrastando-os pro fundo. Até previu que o repuxo ia submergi-los por instantes... aí, na hora mais calma de buscar um apoio... Caras, graças aos deuses do cinema, os dois eram magros e estatura mediana, ou seja, nada que impedisse uma distribuição de peso igualitária.


Enquanto tem gente que vê uma barata e escala um sofá melhor que muito alpinista por aí, os caras estavam boiando em gelo e o fanfarrão deixa de lado um aviso que ele mesmo passou à namorada em sua primeira conversa. Quando Rose pensava em se jogar do navio para fugir de uma vida superficial e opressiva, ele avisou que além da queda, ia sofrer com o frio alucinante. Comparou com um monte de facadas simultâneas e tudo.






Enfim, se um cientista fala que sim, então eu sei que estive no caminho certo esse tempo todo (risos). Não adianta nem o diretor James Cameron ficar irritado, como sempre fica ao ser perguntado sobre isso.


O importante é que hoje, com o aquecimento global e todas as modificações que a natureza vem sofrendo e/ou passando, a realidade agora é outra: