DIVAGAR É PRECISO

Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

E a cura da homofobia? Cadê o projeto?



Tão ridículo quanto possa parecer é um juiz se preocupar em aprovar 'cura gay'. Sério, no mesmo país onde um outro juiz libera um tarado da prisão ou alivia agressões físicas como 'pequeno corretivo físico', sem contar com o juiz que quer virar popstar perseguindo um ex-presidente enquanto o atual, que chegou lá por meio de um golpe, está lá de boas... Daí, que o tal juiz de lá do caixa-prego pra permitir que haja 'reorientação sexual' para gays que, eventualmente, não queiram ser gays... Existem tantas, mas tantas questões a se levantar sobre isso que eu vou só sobrevoar algumas.

Há pouco tempo, escrevi sobre uma teoria minha de que Frozen poderia ser uma alegoria a uma possível homossexualidade de Elsa, seu afastamento de seu povo por não ser aceita como é e por ter cansado de ser a menina boa das conveniências da sociedade... Pois bem, lembrei que já escrevi aqui também sobre uma cena de X-Men 2, quando Bobby Drake, o Homem de Gelo, revela à sua família ser um mutante.

Diante do choque de seu povo, sua mãe pergunta se ele já tentou não ser ‘isso’ (mutante, ou gay, se você usar a referência na vida real). Além do gelo ser o poder da pessoa questionada, a ideia de que o outro deve mudar pra agradar a maioria é o ponto da questão. Será que temos o direito de querer que o outro seja como nós achamos que tem que ser? Mesmo que fosse um gesto lindo de boa vontade, será que a simples cogitação de aceitar um tratamento desses já não indica que os errados são os que pressionam pela mudança? Com que direito? Haver gays obriga um hétero a virar gay? Por isso a fobia? Por isso a homofobia?



Nem se chama mais ‘homossexualismo’, pois o termo com sufixo ‘ismo’, neste caso, era uma menção pejorativa de ‘doença’. Há décadas que isso mudou e agora vem esse retrocesso. Na boa, acho que isso cai com o tempo. A gente faz barulho num primeiro momento, mas depois isso se apaga. É que a era da internet faz parecer algo intenso, porque por alguns dias, a notícia é viralizada com intensidade. Depois passa, então, vamos apenas aproveitar a onda de maconha que essa gente tem no cérebro por achar normal que gays possam ser lobotomizados com autorização judicial e isso não seria indicação de que o mundo precisa explodir o quanto antes, pra não piorar a fita do universo. Mas, voltando...

Quantos aceitariam fazer como a Vampira, de X-Men 3, e abandonar tudo pra ser ‘normal’, apenas porque a sociedade vê como anormal algo que é normal? E quantos cobrariam que o próximo se transformasse sabendo que isso pode trazer toda uma gama de frustração e infelicidade, além de auto-punição e pouca auto-estima? E mais, com tanta criminalidade, corrupção, ‘jeitinho brasileiro’, exploração da fé alheia, trocas de favores e interesses, racismo, machismo, etc, etc... Com tudo isso de realmente errado no país e no mundo, é a homossexualidade que eles querem ‘redirecionar’ para o ‘normal‘? Muito estranho e tendencioso... fascista até.

Acho que se propuséssemos a reorientação religiosa, por exemplo, ou a reorientação de interesses, tirando a ambição pelo dinheiro, eles iriam chiar. A reorientação para deixar as pessoas livres sem insistência em seguir regras sociais pra obedecer instituições religiosas, como quem faz o que o próprio pai manda... Acho que essa moda não pega, né? É tudo parte de um plano maior, um levante nazi-fascista silencioso que está aumentando. Da última vez, virou o que chamamos de ditadura militar, hoje em dia, com tanto bolsomerda por aí, sei lá...



Aff... no geral, essa tal ‘cura gay’ só vai gerar uma guerra ideológica que eles mesmos vão perder, essa gente que defende qualquer forma de discriminação, seja oficial ou por piadinha que for... Nunca se pode ir contra o povo. Já estou ligando pra um monte de amigues pra perguntar se estão bem, afinal, o que vai dar de atestado médico e aposentadoria por invalidez nos memes não está no gibi (nem no congresso). Agora, veja você, sugerir e aprovar a lavagem cerebral (sim, é isso que essa tal cura/reorientação é) ... Feliz 1717!!!

Próximos passos: Choques elétricos para curar esquizofrenia, queimar pessoas sob acusação de bruxaria, a classe burguesa dançando um minueto entre uma execução e outra, mas com a diferença que hoje em dia tem internet e celulares com câmeras. Pessoas morrem por ser gays, ou seja, outras pessoas MATAM gays. Não são os gays que precisam ser curados, mas os psicopatas que têm peito pra agredir e matar apenas por maldade.


P.s: Não se propõe cura pra quem tem cisma com gay também não? Acho que esse pacotão de absurdo pode fazer sentido se você pagar um tratamento psicológico pra quem toma conta da vida dos outros em vez de respeitar e parar de olhar pela janela alheia... Na boa, pra mim, isso é coisa de quem adoraria se libertar das amarras do preconceito auto-imposto e vestir a bandeira do arco-íris. Mas como não pode porque teme o preconceito, acaba não se aceitando nem aceitando os que têm coragem, ou são menos sutis em demonstrar quem são. Sabe quando um preguiçoso odeia ver um trabalhador porque isso o fazx parecer ainda mais preguiçoso pra sim mesmo? Pois é...

"Algumas pessoas são gays. Supere isso!". É o Magneto falando, caras, deixa de preconceito e vai viver!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Frozen: Um grito congelante por igualdade?



E se o poder de gelo de Elsa fosse uma alegoria para a 'frieza' com que são vistas as mulheres homossexuais, tornando-as diferentes da maioria da população? 

Ela só seria aceita - ou pelo menos respeitada - por seu povo quando sua irmã demonstrasse o verdadeiro amor de defendê-la e apoiá-la perante aqueles que a odeiam apenas por ela ser quem é. 

Aí, ela não precisaria viver à parte da sociedade, feliz em ser ela mesma, mas incompleta por estar distante de quem ama. Poderia viver em seu próprio povo como a pessoa normal que é, apesar de diferente da maioria.


E na música principal do filme? Frases bem decididas sobre deixar uma vida convencional pra trás em troca de liberdade de ser e as inúmeras referências ao frio fora da vida comportada deixada pra trás e o fato de não precisar mais se conter ou se esconder agora que 'eles sabem'... Pense nisso enquanto assiste ao vídeo lá no final do texto. Coloco até uma livre tradução minha. 

Seria, Elsa, um grito aflito por respeito e amor? É claro... que são apenas suposições dessa minha mente estranha, assim como há, também, teorias de que Anna é uma alegoria ao feminismo, percebendo que não precisa de um homem para ser feliz ou vendo que seu amor verdadeiro não deva passar por esse homem antes de sua própria família, etc... 


Adoro teorias, mas me conformo que sejam apenas isso. Não tira o valor da possibilidade, até porque, cinema é bem isso aí, a imaginação viajando pelo tema proposto.

Afinal, convenhamos, se você tem mais de 8 anos de idade, o filme é bem raso pela história contada sem quase desenvolvimento de profundidade dos personagens. Aliás, isso até reforça minhas teorias, afinal, trabalhar demais a personalidade de um personagem poderia torna-lo muito pouco sutil, não dando chance às várias teorias que podem surgir. Imagina quantos debates se pode levantar sobre esses pontos de vista? 

Bem mais interessante que ficar pensando em porque Anna se dispôs a casar com o primeiro que apareceu, sem nem conhecer, ou porque Elsa conseguia controlar a criomancia (poder sobre o frio) de luvas e não sem elas... Sacou? Isso faz o filme parecer raso, diferente da minha proposição de que ele tenha sido uma forma subliminar de driblar o conservadorismo da sociedade e sugerir a discussão até entre quem nem percebeu as analogias.

Divertido pensar em pessoas discutindo sobre a solidão de Elsa e a carência de Anna sem entenderem que podem estar defendendo a liberdade afetivo-sexual e igualdade de gêneros, coisa que eu sei que muita gente seria contra só porque acha errado por contrariar a 'tradicional família brasileira' (portuguesa cristã da inquisição dos últimos dias medievais, né?).


Enfim, Frozen é muito mais legal vista por um ângulo assim. Conservadores e discriminadores que se lasquem, o mundo é de quem evolui para o amor ao próximo e Darwin um dia comprova que essa espécie preconceituosa vai sumir por não evoluir (ou não assumir, né... quem desdenha...vai saber). 

Anyway, let it go...


A neve brilha branca na montanha esta noite
Nenhuma pegada pode ser vista
Um reino de isolamento, e parece que eu sou a rainha
O vento está uivando
Como se essa tempestade rodopiasse dentro de mim
Não consegui conter
o céu sabe que eu tentei

Não os deixe entrar, não os deixe ver
Seja a boa menina que você sempre teve que ser
Esconda, não sinta, não deixe que eles saibam
Bem, agora eles sabem

Deixe ir, deixe ir
Não posso mais suportar
Deixe ir, deixe ir
Dou as costas e bato a porta
Eu não me importo com o que eles vão dizer
Deixe a tempestade desabar

É engraçado como um pouco de distância
Faz tudo parecer pequeno
E os medos que uma vez me controlaram
Não chega nem perto de mim
Bem aqui no ar frio, eu finalmente posso respirar
É tempo de ver do que sou capaz
Testar os limites e descobrir
Sem certo, nem errado, sem regras pra mim
Estou livre!

Deixe ir, deixe ir
Eu sou uma só com o vento e o céu
Deixe ir, deixe ir
Vocês nunca vão me ver chorar
Aqui estou e aqui vou ficar
Deixe a tempestade desabar

Meu poder flui do ar até o chão
Minha alma são fragmentos congelados 
Girando por toda parte 
E um pensamento cristaliza
Como um raio congelante
Eu nunca vou voltar, o passado está no passado

Deixe ir, deixe ir
E eu vou surgir como o despontar do amanhecer
Deixe ir, deixe ir
A garota perfeita se foi
Aqui estou, na luz do dia
Deixe a tempestade desabar
O frio nunca me incomodou mesmo

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Um mal dos séculos: Apropriação cultural


Anitta é o exemplo mais atual de apropriação. Para e pensa: Fez de tudo pra garantir uma aparência branquinha, afinou nariz, alisou cabelo, deixou a capa de funkeira pra se afirmar pop e quando está se tornando tudo que a mídia empurrar como bonito e limpinho, aí, quer abusar da sensualidade, dreads, lábios preenchidos e tudo mais? Qual a mensagem? Que ser negra ou afrodescendente não, mas que pode pegar o que for conveniente pra criar uma imagem pré-fabricada.
Quando uma cultura pertence a um grupo representado nas classes trabalhadoras e mais pobres, é normal a sociedade e a própria mídia desprezá-la e até dizer que nem cultura é, ou que é um mal da sociedade. Quantos não falaram e ainda falam que funk é coisa de animal, que é coisa de favelado e de bandido? Aí, de uns anos pra cá, algumas pessoas que nem oriundas dessa cultura são, resolvem dar um gás na comercialização dessa cultura na forma de produtos (artistas e músicas), não porque se renderam ao ritmo, mas porque viram cifrões sobre as cabeças dessas pessoas, e, nada melhor que escolher essas pessoas. Daí aparecem funkeiros brancos, ricos, classe média, do tipo que nunca entraram num baile funk de verdade. O tipo do funkeiro que pode ser adestrado e comandado por eles, sem risco de querer ser autêntico demais e não moldado conforme o mercado. São de ocasião. Isso é apropriação cultural.

Não é porque vivemos numa democracia e que todos têm a liberdade de gostar do que quiserem que o roubo intelectual, moral e comercial não aconteceu. Visto que muito funkeiro aí passa fome enquanto uma meia dúzia é tida como diva, como herói e popstar. É por isso que não se engole essas festas favoritas da vida como legítima manifestação popular. É como você querer o que o pobre tem pra ganhar dinheiro em cima disso, mas sem que o pobre usufrua do lucro que sua própria cultura tem a oferecer.


Aí, contratam esses figurantes de luxo pra vender, massificam a mídia com informações inúteis sobre essas pseudo-estrelas e - ZAZ - nasceu seu produto na pratelheira. Antes do pagode e do funk serem experimentados na mídia, ninguém dava a mínima, era coisa de preto, pobre, gente sem cultura e outras barbaridades... mas quando se tira da mão do pobre e coloca na mão (UIA!) do classe média/alta, filho do diretor, filha da madame, aí, eles tratam a pão-de-ló. Repare nas novelas, por exemplo, quando o foco é a favela... o protagonista é o branco e o preto é o amigo fiel em 90% ou mais das produções. Veja os egípcios (continente africano) da novela bíblica, brancos pintados, diferente de quando os africanos retratados são escravos ou criminosos, aí é preto saindo até pelo telhado.

O problema todo, pra eles, é deixar o pobre subir, quando eles garantem seu protecionismo, aí, eles estão felizes e o pobre fica contente em achar que se vê representado, porque sua música toca na rádio e na balada, mesmo que não seja ele ganhando por aquilo. É assim que vemos essa 'festa na senzala' que é o funk ostentação, os Esquenta da vida e divas pop que nasceram outro dia mesmo, mas já têm panfletagem pra uma era inteira. Rapidamente o histórico de vida simples vira um dramalhão de pobreza e dificuldades (porque o povão adora uma história de superação pra se identificar por catarse).



Quem não sabe que Chuck Berry foi o criador do Rock 'N Rol,
mas, negro, viu seu 'cargo' ser usurpado pela mídia em prol do
branco Elvis Presley, para uma sociedade majoritariamente
branca, um rei ameno e controlável, do jeito que gostavam.
Desde a antiguidade que isso acontece. Não é? Vejamos o europeu roubando as terras e riquezas naturais do índio, do negro, isso, só no Brasil. Quantos não sobem morros pra aprender e depois ganhar dinheiro nas casas fechadas a alta sociedade? Não é roubo cultural? Apropriação? É sim! Não estão compartilhando a arte, estão se apropriando e ganhando com aquilo. Não é um movimento cultural, o pobre que originou aquela cultura não está sendo enaltecido, está sendo mencionado como fato histórico, mas não é o convidado na festinha onde seu esforço é imitado pelo rico que teve a condição de estudar aquilo até parecer com o autêntico. Se for convidado, o pobre deve ganhar o honroso cargo de garçon na festa do rico.

Egito na vida real é africano, na novela bíblica, é branco pintado
de amarelo. Tipo, negros não podem ser reis, só escravos?
E tudo piora quando o pobre é influenciado a achar que tem que ser rico e não a desprezar essa riqueza, porque, a bem da verdade, não faz diferença nenhuma em sua vida, ou não deveria fazer, ou ainda, não faria se o povo percebesse que é só dizer 'ei, ninguém mais vai te seguir, você é que precisa de nós e nós não queremos te servir'... mas sei que é uma utopia e que minha causa é meio que perdida... quem sabe antes do sol explodir e nos engolir a todos, ainda vemos alguma mudança... Até lá, só um bando de hipócritas dizendo que é liberdade e outro bando conformado em ser roubado, sonhando com o dia que vai ser adorado por quem os rouba. Cultura é a maior riqueza de um povo. Por isso fico injuriado.




segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Não compartilhe boatos de internet. Não seja um mentiroso virtual

Uma das principais coisas sobre boatos de internet é fazer com que os mais distraídos tenham um sentimento de urgência e emotividade, pra garantir que o povão repasse rápido e pra um monte de gente. Assim, as mentiras se espalham mais rápido e como a maioria nem se preocupa em saber de onde veio ou se é verdade, o whatsapp, facebook, a internet em geral, vira esse antro de baboseiras.

Mas é fácil detectar esses spam/hoax/mentira/lorota e eu te mostro algumas características abaixo:



1) Senso de urgência - A mentira sempre vem com alguma frase do tipo 'rápido, repasse/compartilhe antes que retirem do youtube/facebook/conchinchina'. Aí, tu tá lá doido pra espalhar uma novidade e ganhar atenção - ZAZ - contou mentira pros outros crente que tá descobrindo ouro no quintal.


2) Senso de emoção - Os textos, vídeos e áudios mentirosos geralmente, vêm com algum apelo emotivo, tipo 'Desabafo de alguma pessoa famosa, de alguém que foi vítima de violência ou é parente de quem tenha sido'. Você tá lá achando que precisa extravasar o estresse do cotidiano e se deixa levar pela visão de vítima que a mensagem traz sem nem saber se a pessoa falou aquilo mesmo.


3) Senso de utilidade pública - Ok, esse é meio que um desdobramento do item 1, mas tem uma leve diferença. Enquanto no 1, a pessoa quer ser o primeiro fofoqueiro bem informado a contar uma novidade, neste item, a marionete pessoa acha que está mudando o país numa dedada (UIA!) no celular. Ingênuo e carente, mas talvez, bem intencionado.



4) Assuntos de interesse comum - O teor desses boatos é, basicamente, algo que a maioria dá atenção porque é coisa que muitos vivenciam e sabem que está perto. Não é como se o ser humano ficasse, de repente, empático ao próximo, mas acaba lembrando de uma experiência negativa e isso dá o impulso de repassar. Algum caso famoso de violência, corrupção política, nomes de celebridades, etc.








5) Senso comum - Esse é o que gera tudo mais, pois é aquele conhecimento que recebemos não sei de onde, mas por ser algo que recebemos desde cedo e com pinta de costume ou tradição, nem temos o instinto de se perguntar 'porque a gente age assim?' ou 'será que isso é certo ou só estamos acostumados?' ou ainda 'será que é verdade? de onde saiu essa história?'.



Enfim, é preciso questionar, contestar, investigar. O google tá aí pra desmentir um monte de notícias. Fala a verdade, onde você se informou pra saber que esse ou aquele boato de internet é verdade? E não é fácil, sabe, tentar estabelecer conversas com quem já chega com mentiras decoradas querendo de fender que são verdades incontestáveis, mas quando a gente pergunte 'onde você aprendeu isso?', a pessoa desconversa, não responde e insiste que aquilo que ela viu por aí é a mais pura verdade.


Não é engraçado e não é porque estamos a um clique de compartilhar que a coisa perde a gravidade ou a importância. Num boato, pessoas morrem linchadas sem motivo, gente inocente vira bandido na boca de fofoqueiro e não podemos perpetuar esse costume de 'ih, diz que é verdade, então deve ser porque uma vez eu vi que aconteceu isso e era verdade?'. A gente não pode ficar espalhando mentiras, por exemplo, sobre um político, só porque em outro tempo um outro político foi culpado.















Precisamos de provas, evidências, coisas que precisem mais do que 'ah, se disseram que é, então deve ser verdade'. Por exemplo, precisamos de verdade e não só de chamadas de noticiários repetitivos sobre um tema. Você ouve desde criança pra olhar pros lados antes de atravessar a rua, mas precisa saber o sentido disso, do contrário, você vai olhar, vai ver o carro vindo e vai atravessar mesmo assim.



Como eu sei que a maioria nem quer ter o trabalho de ler o próprio boato inteiro e já sai repassando, aposto que isso vai continuar por muito e muito tempo. Mas quem quer ter o prazer de dizer que tá colaborando coma sociedade, precisa ler informações em mais de uma fonte, precisa que essa fonte seja confiável e não tendenciosa e ainda ter o discernimento de calcular que pode estar repassando uma mentira mesmo com tudo isso.


É obrigação do cidadão ter essa responsabilidade. Não repassemos mentiras, porque o papel de ridículo é todo nosso quando chega um 'chato' (tipo eu, boa parte do tempo) e lança no meio da rodinha (UIA!) de conversa algum link, revista ou mero comentário desmentindo ou pondo em dúvida aquela certeza que o boateiro acha que tem. Os impressionáveis não são formadores de opinião, só marionetes. Nós não.


Não tem aquele lance que parece interessante, mas que você nem leu e já repassou porque o título parecia promissor? Então, quase certamente é uma mentira e você pode estar cometendo o crime de difamação/calúnia/que mentira/que lorota boa/pega na mintchura. Não seja um criminoso, não seja um tolinho de internet. Lendas urbanas surgem o tempo todo e só crianças deveriam ter o aval pra acreditar em falácias sem questionar porque elas sim têm a defesa da falta de experiência e conhecimento de vida.


 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Quem não deve... não Temer! Rá!


Derrubaram Dilma Roussef sem provas de nada, muito menos pra uma  medida drástica como um impeachment.

Colocando Temer (que misteriosamente se virou contra ela bem às vésperas do evento), os golpistas disseram em alto e bom som: "Cansamos de perder nas urnas, queremos ganhar no grito".

Não tendo Dilma no caminho, os olhares se voltaram para Lula, pois é especulado há anos que ele voltaria a se candidatar ao final do (até então democrático) mandato de reeleição de Dilma.

Já que Lula se tornou o alvo, os golpistas inventaram N acusações pra minar a opinião pública sobre ele (onde também ganha com folga desses vampiros), culminando com a medida arbitrária de Sergio Moro, condenando-o a uma prisão sem sentença.

E o que isso faria, já que é 'mole' reverter uma prisão ilegal como essa? Eles ganham tempo. Isso complica a vida de um candidato a praticamente um ano das eleições. Daqui a pouco começa o tempo de inscrição, campanha, etc... e eles colocam essa tora fumegante no caminho do candidato mais cotado a vencer.

Ah, não esquecendo que colocaram uma tora fumegante e revestida de carne estragada na estrada do Temer e do Aécio também... Mas eles inventaram um circo público de votação sobre investigar ou não o presidente golpista, onde prevaleceu o NÃO (investigar).

O que isso quer dizer? Quem não deve, não Temer. Rá! Falando sério, Lula foi preso por nada e tá aí, respondendo a essa palhaçada como o moleque nerd do filme anos '80 que apanha do valentão babaca, e Temer fica escondido atrás de uma falsa democracia?? Sim. É mais uma etapa do golpe.

E tenho certeza de que se Lula, ainda assim, conseguir êxito nas eleições, vamos voltar para a década de 1960 um dia depois, se não no mesmo dia. Vão vir com o mesmo papo de toda ditadura, onde criam um monstro externo (crise, comunismo, PT), alardeiam a população impressionável (inventam lendas urbanas propagadas pela mídia convencional) e tomam o poder, fazem o que querem do cidadão/trabalhador e o povão vai na onda do 'é tudo ladrão' e nem percebe de onde tá vindo a dedada... no olho... da cara.

Ninguém delatou Dilma ou Lula e rapidamente levantou-se um impeachment pra um e uma prisão pra outro. Só pra chatear, manchar e difamar sua oposição. Temer foi citado em denúncias sérias de corrupção e nem um inquérito eles abrem. É muita má vontade, nem pra fingirem que rolou um processo pra absolve-lo (que é o que eu imaginava, já que depois que dão um golpe, a gente pode esperar qualquer m... deles).

Pensa comigo: Se ele (Temer) se torna inimigo de Dilma e Lula, mas seu ciclo de aliados é composto por Bolsonaro, Aécio Neves, Sergio Moro, Eduardo Cunha e essa turma, ainda sendo do mesmo partido de Sérgio Cabral Filho, Eduardo Paes e Pezão... faça as contas e veja bem quem você pode estar apoiando. Vê legal aí se o seu remédio não tem um desenho de caveira com ossos cruzados no rótulo... Porque vai piorar quando esquentarem o bumbum no trono do poder absoluto de quem decide tudo sem largar do osso. Olha os retrocessos que tivemos em meses de Temer presidente. Só olha.


 No mais é: Parabéns, golpistas, fingiram bem estar preocupados com a democracia, votando pra blindar seu presidente de cera. Se gostassem de transparência, fariam uma audiência pública televisionada com perguntas neutras (de gente competente, hein, nada de amiguinhos convenientes) ao seu chefe borra-botas.

Desde as SMS's milagrosas prometendo prêmios a quem não participou de promoção alguma que eu não via um golpe tão descarado e fajuto.

Esse golpe é tipo aquelas quinquilharias que o Coyote encomendava pra pegar o Papa-Léguas. A diferença é que na vida real, os coyotes conseguem, se não pegar, pelo menos neutralizar sua presa. mas vamos ver, os tempos são outros, de repente a reação não fica por isso mesmo.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Hollywood e o Machismo nosso de cada dia


Moça, pode ficar na frente, eu tô ganhando mais que você mesmo.

Cada vez mais e mais mulheres estão abrindo a boca para denunciar a covardia do machismo. Seja por vias físicas (assédio/agressão), seja por vias indiretas (tratamento diferenciado) e todas com o impacto no psicológico. E é bom que mais mulheres tomem coragem para se manifestarem, pois assim servem de exemplo para outras que estejam em condições de botarem a boca no trombone também, mas podem estar oscilantes entre o silêncio e o protesto.


Para dar exemplo na importância de se expor esse mundo convenientemente escondido (para o machista), vou citar duas matérias que li recentemente sobre escândalos de denúncia de machismo em Hollywood... Sim, a terra encantada do entretenimento e da fantasia é um porão cheio de sujeira que muito se preza em esconder pra manter as aparências e ‘parecer’ legal. Bem, eu poderia apenas citar o tanto de aspirantes a artistas ou artistas falidos que apelam para drogas, prostituição e produções de procedência altamente duvidosas, mas não... vamos aos ‘faCtos’.


Hollywood, como um espelho do resto do mundo, é um antro de desigualdade para mulheres, gays, negros, idosos e outros grupos que fogem a seu ideal veladamente ariano. Veja bem que o ideal ariano é tão absurdo e descarado que até nos países onde esse tipo é minoria (cof Brasil, cof) esse tipo é adorado como o exemplo de beleza enquanto que nós, ‘outros’, somos os exóticos, feios, porém curiosos, mesmo sendo maioria... coisas de um sistema criado pela minoria e empurrado mente a baixo como quem conta uma mentira a uma criança para controlar seu pensamento, comportamento e ter sempre uma carta na manga, mas estou divagando...

A questão é que, voltando ao assunto, a mulherada tá jogando no ventilador mesmo e eu vou falar sobre isso já, já. Várias atrizes, assim como a figurinista brasileira, Su Tonani (no caso ‘Zé Mayer’), abriram o verbo sobre os abusos que sofreram. E tem de tudo, tem atriz alegando que não consegue muitos papéis porque não aceita fazer os ‘favores’ que são pedidos, têm aquelas que afirmam terem sido abusadas sem exatamente perceber – testes com exigência de nudez ou simulação de sexo – e até ameaças diretas depois de negativas femininas para os assédios.


Foi o caso de Mila Kunis (Cisne Negro) que ouviu uma ameaça de que nunca mais trabalharia naquela cidade depois de se negar a passar por uma situação humilhante. Ela denunciou e viu que não foi esse fim de mundo todo, que voltou sim a trabalhar e que não tem que se sujeitar a essas situaçõies vexatórias e degradantes para agradar a machista. Estão tão acostumados a se sentirem donos da mulher que acham que é só dizer depois que era uma piada, que era carinho e tudo segue, a mulher silenciada e devastada no psicológico e eles sorridentes que por mais uma vez sua covardia passou batida como mera ‘coisa de homem’.

Isso nos leva a outra situação que ocorre muito ali e no mundo: Diferenças salariais e de tratamento. Zoe Saldaña afirmou que ao fazer sugestões em uma produção de que participava, ela ouviu que era pra ficar calada e ser gostosa em trajes provocantes, que era pra isso que fora contratada, enquanto os homens envolvidos na situação davam seus pitacos e eram ouvidos na hora. E outros casos envolvendo estrelas também deram esse ‘mal contato’. E algumas das diferenças são absurdas, se prestarmos atenção nas mulheres com remunerações baixas, comparadas a seus companheiros de cena homens.

Dr, sinto como se houvesse um abismo entre nós... se chama diferença salarial. 

Veja só, Charlize Theron teve que brigar pra ter o salário equiparado ao de Chris Hemsworth, em O Caçador e a Rainha do Gelo. Podem me dizer que Chris é uma estrela de visibilidade por estar sob os holofotes como o Thor, da Marvel, mas É a Charlize Theron, cara! Ela ter que brigar pra equiparar um salário é tão absurdo quanto Tom Cruise e Brad Pitt ganharem o dobro que suas companheiras de cena em De Olhos Bem Fechados e Sr. E Sra Smith, respectivamente. Ainda mais se lembrarmos que suas companheiras de cena eram suas esposas, na época. Tá, no caso de Brangelina ainda era só o começo, mas... né?

Outros exemplos existem e muitos outros ainda vão acabar existindo entre A Senha: Swordfish, onde Halle Berry, mesmo com um bônus pra mostrar os seios em uma cena, ainda não chegara à metade do que John Travolta ganhou, e a recente notícia de que Gal Gadot (Mulher-Maravilha) teria ganho uns 2% do que Henry Cavill (Homem de Aço) teria ganho. A questão é: Será que essa rapaziada não poderia chegar e dizer ‘ei, porque elas vão ganhar menos pelo mesmo trabalho?’. Sei lá, não sei dos bastidores, mas é muito estranho haver diferenças milionárias entre pagamentos a homens e mulheres, eelas reclamarem, mas seus colegas não.

Linda, deixa que eu pago a sua comanda na boate. 
Concluindo: Não adianta as, relativamente poucas, mulheres abrirem o palavreado sobre o 
machismo e os colegas não assumirem a postura de apoiadores, Elas acabam falando sozinhas e muitas ficam inibidas, com medo do julgamento da sociedade e de retaliações profissionais, parecendo as chatas e os caras que deveriam dar suporte a isso, ficam ali, não sei se com medo de parecer chato junto com elas ou se estão compactuando. Aliás, acabam compactuando, não se sabe bem se conscientemente (de forma sonsa pra se manter bem com contratantes), involuntariamente (por omissão) ou se nem se interessam nessa parte do processo... Particularmente, acho que é um pouco de tudo e mais do primeiro, ficando aquela sensação de ‘farinha ‘pouca’ meu pirão primeiro’.

Fontes:

http://revistamonet.globo.com/Listas/noticia/2017/06/diferencas-salariais-entre-homens-e-mulheres-em-hollywood.html

http://revistamonet.globo.com/Listas/noticia/2017/07/atrizes-que-denunciaram-episodios-de-assedio-e-machismo-em-hollywood.html

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Rodrigo Hilbert tinha urgência de matar pra se alimentar!(?)


A blogueira Keila Jimenez, do R7, lançou um texto defendendo Rodrigo Hilbert (aquele boneco de cera casado com o outro boneco de cera, Fernanda Lima). Hilbert selecionou, matou, desossou e cozinhou o filhote e isso chocou muita gente. Não vou ser hipócrita de falar que matar o bicho em si foi o problema, pra mim. Existem camadas a se analisar.

A blogueira defendeu que carne não dá em árvore, logo, não tem nada de mais em matar um bichinho da natureza pra comer. Ok, eu entendo e confesso que se dependesse de abater um bicho, eu mesmo nem olharia pros churrascos, X-tudos e demais guloseimas à base dessa matéria-prima, mas, já disse, há camadas.

Por exemplo, eu não mato nem barata se não estiver muito perto e a única vez que matei um rato, quase rezei uma missa (mas era invasão de domicílio, a lei me permite defender a segurança e a saúde dos meus. Rá!). Ou seja, o carneirinho não era uma ameaça e não tem porque querer mostrar um abate na TV assim.

Nenhuma dona-de-casa vai ao mercado comprar ovelhinhas já pensando em sangrá-las abrindo o apetite e se fosse pra mostrar a boa procedência, ainda teria que ultrapassar as mentiras que a TV pode contar, ou mesmo, se fosse convincente, Tony Ramos estaria vendendo boi levando machadada entre os blocos do JN, antes do contratante sair entregando a tchurma toda. (Frib)Oi?

No geral, a autora do manifesto ainda levantou aquela comparação tosca de que com tanta corrupção e violência por aí, indiciar o belo mancebo (UIA!) é um exagero... Bem, se um crime tá acobertando outro, eu levantaria a polêmica simples: Roubar é crime, mas matar também não é? Que necessidade de sobrevivência urgente o bonecão teve?

Enfim, como eu já disse - mas sempre tem um que não lê o texto todo - eu sou onívoro (ou seja, como de tudo, UIA!²) e carne está inclusa nas minhas opções, mas se o cara quiser matar um boi na minha frente, ah, amigs, vai ser bizarro. Então, galera, indicia sim, porque eu não quero nem ver se a moda pegar e começarem a praticar aquelas coisas de servir lagosta viva, pro bicho ver você comendo suas entranhas, ou mesmo se alguém começar a achar que dá pra fazer o Hannibal Lecter e rachar uns miolos com o próprio dono da cuca cozida... Hmm... Mestre cuca soa um trocadilho possível, hein... Falando em trocadilhos... 

É só. Ninguém pediu, mas falei assim mesmo. Rá!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Crise econômica no Brasil? Desde 1500, véi...


"Ain, o Brasil está em crise!". Aposto que o primeiro a falar isso foi um índio, muito antes de ser chamado assim. Jovem, o exato momento em que começou a crise do Brasil foi quando o primeiro português falou:

'Ei, Majestade, vou ali roubar, vender, violentar e dominar ideologicamente tudo que tem naquelas terras por tanto tempo, que quem for nascendo vai achar até que é obra da natureza.'

O capitalismo É, em sua essência, feito pra que haja competitividade, pois se houvesse iguais condições, empregos e grana pra todos, seria socialismo e é isso que eles combatem, pois, se não tiver grana concentrada numa minoria e escassa para a maioria, como saberíamos quem é a classe dominante e quem é a mão-de-obra que os sustenta?

Sabe as pessoas que inventam que têm uma parada maneiríssima só pra fazer quem não tem se sentir por baixo? É isso, só que envolvendo vidas, fome, violência e falta de educação. Eles têm, inventam o que querem e dizem que é crise...
A gente é pobre, minha gente, a gente vive crise todo dia desde que nasce. Crise é pra eles, porque esse sistema capitalista já provou que não deu certo, pois, de tanto inventarem suas regras, ficaram escravos de conceitos e objetos que só valem porque a maioria ainda não pensou 'ei, e se nós mandássemos eles pra'quele lugar e criar nossa própria parada aqui?'


Mas não vai rolar, porque, como falei, o capitalismo e seus senhores de engenho vão ensinando pela TV que ser rico é que é o maneiro, mas só debaixo de suas asas. Lampião, Antônio Conselheiro, Zumbi e outros mostraram que não era preciso viver sob botas ricas bebendo cachaça entre chicotadas pra ser feliz, mas a mídia é da mesma classe dos que dominam. Já reparou que os ricos sempre são intocáveis e legais nas novelas? Já reparou que as novelas de época só mostram o lado legal do europeu, o mesmo que escravizou povos e roubou suas riquezas? Já reparou que se um artista faz ou fala m... o instinto da maioria é duvidar que aquela celebridade sorridente possa errar?

Pois é, aquelas coisas de Paris... ou Lisboa...

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Gal Gadot: A Mulher-Maravilha

 

Estou adorando Gal Gadot como a Mulher-Maravilha do atual cenário de filmes baseados em personagens dos quadrinhos. Acho que nenhuma outra atriz – depois de Linda Carter – me convenceu tanto como a heroína grega em live-action. Ela já está na minha preferência tanto quanto Christopher Reeve nos convenceu enquanto Superman ou Chris Evans como Capitão América (volto nesse tópico em outro post).


Claro, tudo é alegadamente questão de gosto e gostos são opiniões que construímos ou nos são empurradas pelos meios externos. Da mesma forma que pra um cidadão achar que cor de pele, textura de cabelos ou comprimento de roupas podem ser coisas certas ou erradas de acordo com o que foram acostumados a ver nas ruas, em convívios sociais, TV, revista e cinema, também há a contestação do que já é estabelecido como padrão de comportamento.

E o que quer dizer essa falação toda, Saga? Bem, gafanhoto, eu estou aqui falando de como Gal Gadot me convence como a Mulher-Maravilha. Busco ver num personagem aquilo que o personagem me oferece. Assim como não me importa se o Tocha Humana for preto, branco ou indiano – desde que ele seja um garotão fútil, mas de bom coração e princípios heróicos com poder de combustão – também não me importo que a Mulher-Maravilha seja uma jovem de biótipo mais esguio do que se espera de uma guerreira e vou dizer porquê no próximo parágrafo.

Assim como Reeve malhou, mas não pra ser um halterofilista, Gadot não precisa ser uma brutamontes do MMA para ser a princesa de Themyscira. Pensa só, por mais que Superman e Mulher-Maravilha trabalhem usando de muita força física, carregando aviões pelo ar (sem desequilibrar, hein, puxa!) ou detendo desabamentos, são personagens que já possuem uma força descomunal, o Super por causa de sua biologia kriptoniana e a Magavilhosa, por ser uma semi-deusa (tanto na versão antiga onde era um preparado do barro até a versão recente das HQs, onde é filha de Zeus com Hipólita, rainha das amazonas).


Estou dizendo que mesmo com todo o treinamento pesado que a princesa amazona precisa, sua natureza quase divina já lhe dá força sem precisar necessariamente partir de músculos bem trabalhados. Lembro que na minha vida nerd, já fantasiei (UIA!) vários personagens na pele de atores ou personalidades que achava mais a ver. E, falando de Diana, eu já imaginei algumas mulheres vivendo as aventuras dela e a mais cotada, se eu fosse produtor, seria Lucy Lawless, aproveitando o sucesso de Xena e o respeito que a atriz impunha como uma princesa guerreira. Mas eram outros tempos, pena que no auge da forma física de Lawless os filmes heróicos tenham sido uma bagunça (alô, Bátima e Róbiii!), além de eu adolescente, me deixando levar pelas trolhas dos anos ’90, onde formas e trabucos valiam mais que conteúdo.


Gadot tem aquele olhar incrível de uma mulher valente, poderosa (e empoderada) e ao mesmo tempo, é uma menina curtindo fazer o que gosta, lutando pelo que acredita. Fico muito feliz com a escolha da atriz e com o desempenho que está tendo. E lendo um pouco mais sobre ‘aquela atriz-modelo que conheci como quase uma figurante em Uma Noite Fora de Série’ (com Steve Carell e Tina Fey), é simplesmente A Mulher-Maravilha. Reúne a capacidade interpretativa, já foi miss, modelo e treinada pelo exército israelense. Tipo, cara, achar que ela não convence só porque não é a (já falecida) lutadora de WWF Chyna é ser muito superficial, além de quase pedir pra voltar aquele tempo em que a fidelidade visual importava mais que a essência dos personagens (sim, Homem-Aranha-deprê-e-sem-piada—metido-a-Superman-sem-capa, do Sam Raimi, estou apontando pra você agora).

 
Enfim, o que atraiu em Christopher Reeve é o que me atrai para Gal Gadot (hmm, maroto!), ou seja, é olhar para o artista caracterizado e ver aquilo que passou anos lendo nos gibis, aquela sensação de ‘caraca, acertaram em cheio!’. Desde a primeira aparição de Gal, em Batman VS Superman – aliás, ela foi a melhor sacada do filme – que eu gostei e não contestei nem por um segundo. Nem por ser esguia, nem por não ter exatamente os traços ‘mediterrâneos’ que uma mulher grega teria (ah, os estereótipos empurrados pra aceitação do senso comum do espectador), muito menos por sua atuação. Não é como Robert Downey Jr, que tornou Tony Stark em... Robert Downey Jr (sim, leia algo do Homem de Ferro antes de 2008, quando saiu o primeiro HdF pra ver como o personagem era).

Enfim, Mulher-Maravilha/Gal Gadot dá vontade de assistir a uma série diária com a personagem e essa pode influenciar a MM dos quadrinhos no que quiser a partir de agora. Não só porque eu seja fã da personagem, da sua concepção como modelo do que há de certo ou porque eu goste da ideia de uma mulher sendo a perfeita personificação da diplomacia e do poder de lutar pelo que é certo no mundo, mas porque a menina Gal passa tudo isso sem cair na muleta conveniente que muitos atores caem, apenas vestindo uma roupa espalhafatosa e repetindo bordões. 


Ela passa o que uma jovem princesa guerreira e semideusa com ideais de paz e igualdade precisa e não só belas cenas de ação ou - pior, se fosse o caso - apenas posições acrobáticas pra pagar calcinha. Ela é um ícone para meninas e nem por isso se torna um estereótipo de 'coisa de menininha' a ponto de espantar os meninos. E mostra como um ser incrivelmente forte não precisa de músculos quando tem a força de uma divindade mitológica olímpica. Parabéns aos envolvidos.