Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Providências?!


Deixa eu contar uma historinha aqui, só por alto. Não cansa, nem vai doer (muito).

Primeiramente, seu senador, (Bispo) Marcelo Crivella – aquele mesmo, insistente candidato a prefeito do Rio de Janeiro – chega com aquela carinha de garoto propaganda e instala obras eleitoreiras/populistas. Bem no ano de eleições municipais. O camarada também disponibiliza o exército na favela onde suas obras andam. Fora o fato de o cidadão - que mistura religião com política e televisão num mix do barulho pra começar bem todos os seus dias com aquela energia – ser suspeito de envolvimento em obras do PAC, ele andava bem sobre as pernas, afinal, ninguém de fora reclamava e ninguém de dentro reclamaria mesmo com suas casinhas sendo ajeitadas com tanto afeto – Além dos peões que sopravam pra um pouco longe o desemprego – sacou a rede de relacionamentos mais poderosa que o orkut, né?

Acontece que aconteceu o menos esperado, militares do exército, na favela, entram em atrito com alguns moradores e, dali, sai o caso mais chocante das últimas semanas (menina Isabella, até que enfim te deram um descanso!): Três jovens (que eu gosto de chamar de “Três Mártires”) são entregues a traficantes de uma favela próxima “administrada” por uma facção rival da que eles convivem e amanhecem mortos. Não vou discorrer sobre o sensacionalismo do caso por parte da grande mídia e não vou questionar se os mártires tiveram passagem pela polícia (e dois tiveram + a mãe do terceiro), o foco aqui é ver como o próximo parágrafo parece confuso, mas se torna totalmente excelente quando se coloca o nome de Crivella nos espaços tal qual cimento entre tijolos.

Marcelo Crivella, bispo da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) havia se candidatado há 4 anos para prefeito do Rio. Teve que acatar a decisão do TRE (eu acho) para se desvincular da Rede Record de TV pra não se valer de seu apelo “artístico” fazendo campanha em tempo integral. E, vamos aos dias de hoje, o bacana se defende das acusações de obras eleitoreiras acusando a Rede Globo de TV de persegui-lo por ser da IURD e ligado à concorrência. Ah, e sempre, sempre se cita a tal audiência que a Record estaria faturando sobre a galera do plin-plin deixando o pessoal inseguro.

Vou te dizer um troço, lá está o senador-bispo-eleitoreiro se ligando à religião naquele papel de “oh, coitado de mim, é porque eu sou religioso” só pra turma do ‘fala que eu te escuto’ se voltar contra a rival. É sabido que a Record mantinha uma espécie de agente duplo na Globo (um espião que passava mais do que deveria pra quem não deveria), aí, eu te pergunto: Quem não presta nessa história? Você encheria a boca (UIA!) pra se dizer perseguido quando a emissora a qual você é vinculado se vale de espionagem corporativa pra criar factóides ?

Embora tenha uma carinha que dá vontade de reverenciar e pedir a benção de tão manso que o mancebo parece ser, há que se pensar em como essa conversa toda começou. Militares agiram em estilo tribunal de exceção, rapazes foram mortos, o tráfico rola mais armado que o Rambo, a Globo é a emissora de maior alcance do Brasil, mas, no frigir dos ovos, temos um franco candidato a prefeito do Rio cometendo mancadas que deveriam ficar nos tempos de Dondon. QualÉ, só falta tirar foto em feira beijando criancinha enquanto assessores distribuem brindes, CATZO!!!

Observemos de perto o desenrolar do ano eleitoral e suas emoções. Vote em FGarcia®, prometo sempre prometer o que ainda não se cumpriu, mas que estaria em vias de ser se percalços não impingissem tamanhos desafios na nossa vida. (A arte da prolixidade, retórica e do sofisma – compre comigo o kit “Fale como um político, não diga nada e saia aplaudido).

quarta-feira, 18 de junho de 2008

C.R.É.U (Criticar os Recalcados É Urgente)


Fico doente cada vez que vejo alguém criticado por qualquer coisa se fazer de vítima e responsabilizar algum tipo de preconceito como motor da crítica. Exemplifico: É como se o Pelé reclamasse que as críticas direcionadas a ele fossem por ele ser negro.

O mesmo acontece com a galera do funk. Não vejo ninguém reclamar da grana que recebe – ou da exposição que tem – mas, sempre que são criticados pelas letras ou pelas “coreografias” (ah, aspas...sempre aspas!) aparecem posando de “Oh, coitado de mim, eu faço parte de um estilo musical das classes menos favorecidas e ninguém gosta de me ver por cima da carne seca só porque eu vim de baixo”. Mais emo impossível.

É batata (Cruzes, alguém fala assim ainda?), a mídia em geral dá moral pra qualquer um que atraia atenção da massa de manobra... er... povão, vêm as críticas e lá está o puro recalque. A última que vi foi daquela moça que atende pela alcunha de melancia. Já vi críticas sobre a mesma acerca de seu físico ‘gordinha que malha’ ou sobre qualquer outra coisa (ah, não é difícil, com essa super exposição e a absurda falta de conteúdo...). A resposta? Coisas no melhor estilo/clichê “Ah, o povo gosta” ou ainda, “Me criticam por eu ter vindo de baixo”. Aff...

Não quero ser moralista, nem julgo o funk (muitas vezes denominado como ‘carioca’, mas, a bem da verdade, só existe mesmo aqui no Rio – pelo menos, desse jeito que é feito aqui e não se comparando à galera dos EUAses como: George Clinton, Funkadelic, Parliament, etc). Ademir Lemos, Gerson King Combo, e outros, também não estão inclusos quando eu cito a palavra funk aqui (do contrário, seria como falar de pagode mela-cueca e incluir Bezerra da Silva). Voltando à vaca fria (e eu ainda vou descobrir o porquê dessa expressão), entendo o funk como um estilo sensual (pra lá de erótico mesmo) e sua proposta é dançar, se mexer e se divertir (alguns usam pra engravidar, mas isso é outro papo). Uma pessoa que faz seus 15 minutos de fama chacoalhando a enooorme bunda quer mostrar conteúdo como? A vulgaridade realmente não é relevante nessas críticas?

Sempre que se faz uma crítica a alguém pobre, é porque a pessoa é pobre; negro, por ser negro; gordo, por ser gordo e por aí vai. Fala-se da melancia (melão, morango, samambaia, fruta-do-conde, acerola e outras denominações que substituem objetos associáveis à mulheres que não se incomodam em ser coisas pra se promover na cultura pop de hoje em dia). Tá, considero o funk um estilo bacaninha pra se divertir numa festa. E por que o FGarcia®, que curte o fino do samba de raiz e o mais genuíno heavy metal, dançaria (alcoolizado, é verdade) um funk de vez em quando? Ora, meu bom aprendiz (Tá demitido!), dá pra aproveitar alguma coisa do funk depois que os caras abrem a boca? Fico no batidão mesmo (maldita cachaça!).

Bem, amigos... hmm, já falam assim... Bom, gostaria de deixar minha crítica também. Como diria Raul Seixas, eu também vou reclamar. Já se foi o tempo em que lamentávamos o fato de mulheres serem vistas como ‘pedaços de carne expostos no açougue’. Toda uma revolução nos anos 60/70 para que mulheres se liberassem do papel de coadjuvantes da história pra, hoje em dia – sem ditadura – as mulheres serem expostas como frutas?!? O.o

Gatas, panteras, cachorras, melancias, samambaias... O importante mesmo é não fazer as mulheres de objeto.