Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Patriotismo – Prestígio ao país


Critica-se muito os estadunidenses pelo seu exacerbado amor à pátria (deles, lógico, né?). Mas, se eles são os manés por amar sua pátria... o que somos nós com nosso pouco apoio aos esportes “não-futebol”, nossa pouca freqüência às salas de projeção (cinema, pô!!!) para assistir filmes brazucas e tals? Parece aquele caso dos “Alfa” que sempre trataram os “Nerds” como lixo, mas no final... Quem é que se dava bem mesmo?

A idéia pra este post me veio quando vi uma notícia na internet (vide o desenho acima)sobre o famoso artista (pra quem curte quadrinhos, seu nerd!)Alex Ross - que possui uma técnica de pintar seus desenhos com aquarela dando um ar realista às histórias em quadrinhos ou posters que faz. A notícia mostrava uma arte do mancebo retratando Barack Obama – candidato à presidência dos Euases – numa posição (UIA!) estilo Clark Kent abrindo o paletó para se mostrar como Superman. Na mesma página, estão diversos comentários sobre isso. E não faltaram críticas ao extremo patriotismo estadunidense. Mas, as pessoas abusam do sofisma para falar certas coisas e não avaliam seu próprio rabo sentado no formigueiro enquanto condenam pessoas que deixaram um doce cair no chão.

Pra começar, é um desperdício de cérebro só olhar para a sua cultura e ignorar ou falar mal da dos outros (o contrário também acontece e é, igualmente, uma lástima). Já que alguém tem amor obcessivo por uma certa quantidade delimitada de terra, há que se perguntar, pelo menos, duas coisas: “Por que é assim?” E “Por que eu não sou assim?” . Explico. Eles são preconceituosos quanto ao que vem de fora? Sim, mas nem todos. Pra se manter no topo eles derrubam quem estiver no caminho ou tentando alcançar? Sim, mas, você faria diferente? Não estou afim de defender ninguém, mas, aqui, faz-se piada com verdadeiras desgraças (pobreza, corrupção, violência e até com o presidente) e ainda se tem orgulho de chafurdar na lama durante o carnaval. Segundo os sofistas isso mostra como o povo brasileiro é valente. Pff... Faláceas!

Enfim, se repararmos bem, uma das coisas que mais nos incomodam neles é seu patriotismo cego, ao passo que, aqui, no nosso quintal, caem corpos de cidadãos, bandidos e policiais (cidadãos ou bandidos) – por fome, tiro ou doença. Como eu citei antes, estamos sentados no pudim caçoando de quem derrubou um cajuzinho. Não vejo nada de mais em um artista mostrar seu apoio a seu candidato preferido e não sei por que um país tão evoluído em diversos segmentos em que não somos merece ser tão criticado por nós. Deveríamos criticar os que nos assolam e não quem mal sabe em que parte do planeta vivemos.


FGarcia® é um índio-pivete-jogador de futebol que vive numa palafita-barraco na floresta, à beira da praia de Copacabana (saca, Buenos Aires!), fala Espanhol e curte samba (aquele ritmo que parece uma mistura de lambada com salsa, entende?).

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Pesquisas de opinião


Alguém se habilita a me dizer pra que servem as malditas pesquisas de opinião quando eleições se aproximam? Teeempoooo... tic-tac-tic-tac... Ninguém? Não?

Pois bem, conjecturei algumas causas e conseqüências das pesquisas encomendadas aos institutos de pesquisas da praça para utilidade funcional nenhuma – pelo menos não de uma forma limpa e ética, mas estou me adiantando. Confiram:

O eleitor médio (e alguns não tão “Homer/Lineu Silva” assim) vê as pesquisas e seus resultados. Rapidamente, vem a reação a quem está em primeiro, segundo e, se seu candidato não estiver nessas posições (UIA!), as posições finais (se contabilizar pelo menos 1% dos entrevistados). Gostaria de dizer que seu candidato em primeiro lugar nas pesquisas não influencia a vida de ninguém já que você já estava convicto. Agora, se seu preferido não figurava no topo dos resultados, ou se você estava lá naquela galera dos “votos brancos, nulos e indecisos”, a coisa fica um pouco mais complexa. Próximo parágrafo destilando o soro da pretensa verdade paranóica é com você.

Seu candidato em segundo nas pesquisas (ou em terceiro se a disputa estiver acirrada) ainda te dá esperanças de votar por um mundo melhor. O problema é quando você vai votar em quem mal aparece pontuando na tabela. Aí, a maioria pensa logo “Cara, porque eu vou votar nesse cara, ele não vai ganhar mesmo, é tudo igual, ninguém presta, a Globo manipula as mentes, povo sem memória, salvem as criancinhas...”. Sabe, isso faz brotar (ou melhor, ativar) a mania de futebol inerente ao ser: Só o primeiro lugar vale, vice e último são a mesma droga. Pensando assim, cansei de encontrar gente querendo votar nulo, em branco ou em quem estava em primeiro nessas máquinas de persuasão.

E é sobre persuasão que eu falo agora. As mídias não te orientam a se concentrar nas campanhas, no caráter ou no histórico do pretendente a um cargo público (sim, são funcionários públicos, não donos do continente). As pesquisas só mostram quem está liderando, mas, adivinha só: Não entrevistaram todos os eleitores. E o que essa observação óbvia traz? Ora, gafanhoto, eles entrevistam 800 pessoas (talvez 500 no centro da cidade e pequenas frações ao longo das periferias, subúrbios e tals) e saem com resultados do tipo “Se as eleições fossem hoje, blá, blá, blá, pereré pão duro”. Ma, Cuma?!? E se o total de eleitores na ativa fosse 2000? Haveria a possibilidade de os outros 200 mudarem os resultados.

Concluo dizendo que se, numa pesquisa hipotética (Rá, e qual delas não é?!), 60 pessoas forem entrevistadas determinando alguém como líder, podemos pensar que se a população for de 100 eleitores, 40 pessoas foram ignoradas – o que poderia fazer uma diferença relevante. Aí você pode retrucar: “Ma, FGarcia®, é praticamente impossível entrevistar tooodos os eleitores, principalmente nos grandes centros urbanos ou confins rurais”. E eu digo, olha, iluminado, se vai passar dados incompletos ou hipotéticos, por que não te calas? Como todo jornalista (mesmo em formação), aprendi que não se passa ‘mais ou menos’ uma notícia. Dados incompletos e especulações manobram a opinião de quem só acha o voto válido se for pra quem ganhar (sempre penso em quantas pessoas vibraram com o Botafogo líder do Brasileirão 2007 – Há-há!!!) e tem o nome técnico de (valei-me todos os santos: Nelson Rubens, Leão Lobo, Jussara Carioca, etc) FOFOCA.

Quero encomendar uma pesquisa pra saber a porcentagem da utilidade das pesquisas de intenções de votos.