Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Velhice. Você está preparado?


Vamos fingir que a violência não está se tornando “causa mortis: natural” e que doenças são casos isolados de infelicidade. Vamos considerar que a velhice é algo certo no processo natural da vida de um ser humano – Lembra: ‘Nascer, crescer, reproduzir (nhac!), envelhecer e morrer’?

Eu acho que minha velhice será algo muito legal por um lado e uma agonia por outro. Legal porque a passagem para a senilidade será algo muito sutil pra mim. Imagina: Quando eu tiver cabelos brancos e começar a pensar alto sobre divagações diversas pelas praças, jogos de damas e filas de bancos ninguém mais vai se admirar, ué, trata-se de um velho gagá! Quando a imaginação se mostrar estranha não ouvirei mais: “Eu, heim, parece um velho falando sozinho!”. Vou poder resmungar à vontade sem ouvir comparações pejorativas com a terceira idade. Ao invés disso, vão, descaradamente, dizer na minha cara – isso quando não reclamarem em voz baixa fazendo aquela cara de “Aff, velho é um saco!”.

Por outro lado, terei que lidar com a calma e vagarosidade que o organismo estará sujeito tendo, assim, que me acostumar a não mais fazer as coisas correndo e/ou várias ao mesmo tempo. Acho que somente assim eu vou deixar de ser ansioso e, um tanto quanto, hiperativo. O plano de saúde vai ser mais caro, vão me tratar como uma criança retardada mental, vou ter mais um fator para pensar se vou chegar vivo até o fim do dia e outras coisas. Corpo frágil feito o de um recém-nascido. Apesar de que, hoje em dia (e a tendência é evoluir), os velhinhos surfam, escalam montanhas e descem de rapel, saltam de pára-quedas e ouvem heavy metal e samba de raiz (até porque, muitos dos pioneiros da nobre arte das músicas que revolucionaram o mundo estão da meia para a terceira idade).

Cara, parei pra pensar que até lá, a garotada do futuro vai me ouvir dizer: “Porque eu curtia muito heavy metal, samba, música clássica...” e os fraldinhas emos futuristas vão me interromper dizendo: “ Pô, coroa, essas músicas de velho aí!!! O negócio é MICA-RAVE pulando muito atrás do TRIO TECHNO-ELETRÔNICO, aí!!! (Podem ser dias tenebrosos nos aguardando nas esquinas do futuro)

Carai, divagação da pesada!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A (polêmica) Favorita


Sabe, estava prestando atenção aos comentários desta semana - mais precisamente do capítulo de terça-feira, 05/08/2008 – sobre a novela A Favorita da Rede Globo. O capítulo mostrava uma tremendaça de uma reviravolta na trama. Obviamente gerou repercussão proporcional à audiência que tem.

Basicamente (pra quem não sabe a história), trata-se de duas antigas amigas, uma leva o marido da outra, o marido é assassinado e a “fiel” é presa por 18 anos. Na saída, ela faz de tudo pra que os outros acreditem na sua inocência, ao passo que tenta mostrar que a outra é que roubou tudo dela e a culpou pelo crime. “Santa confusão, Bátima!!! Então, você vê novela e nem me conta detalhes dessa trozoba?!” Calma, gafanhoto, Tio FGarcia® elucida o mistério.

Primeiramente, não é sobre a novela que eu vou falar (digitar!!!). É sobre muitos comentários que eu vi por aí. Acontece que a personagem de Patrícia “continuo linda” Pillar, Flora, começou a novela como a coitadinha injustiçada “Ó, vida; ó, azar”, enquanto Claudia “Donatella – Santa tartaruga!” Raia era a perua esnobe pra quem todos nós torcemos o nariz quando aparecia em cena. Enfim, o típico folhetim de sempre (redundância proposital). Aí, de repente, não mais que de repente, pinta a grande reviravolta: João Emanuel Carneiro, o autor, mostra a, outrora, coitadinha admitindo que matou o ex-marido. Por isso, a personagem de Claudia “sou um mulherão” Raia passa a ser a chorosa injustiçada. Como assim?! Tão no início?! Hmm... aí tem...

Mas, o que eu quero mesmo falar com toda essa “sintonização” no tema, é a decepção que inúmeros telespectadores tiveram. Só que a maior decepção não foi com a Flora... Foi com o autor! Ó.Ò . Tantas pessoas reclamando da trama ter se virado em “180º flip turn around plus ex vt 16v” foi até normal, mas o choque das pessoas com o fato de alguém se mostrar um lobo em pele de cordeiro é de uma ingenuidade ímpar. Vai dizer que você nunca se deparou com algum “duas-caras” por aí? Fala sério, o que mais tem nesse mundo é fofoqueiro, gente pra tentar te derrubar. É utópico e sem sentido querer que, nas novelas, o bonzinho seja 100% bom e o vilão seja totalmente mau.

Aí vai ter um mané, lá no fim da sala, que vai dizer: “Ma, Cuma? Você acha que o povo tem carga intelectual pra agüentar personagens profundos em novelas?”. Eu respondo desse jeito: Não, sei que não há espaço pra esse tipo de conteúdo, mas se a novela se chama A Favorita, todo o marketing da novela é sobre duas mulheres com a mesma história e uma está mentindo e, no final, a verdade se revelará... Putz... precisa explicar mais sobre o porquê desse texto? Chocado mesmo, fiquei eu ao ver que as pessoas foram com a cara da coitadinha e não acreditam em sua porção obscura. Será por isso que há tanta impunidade nesse mundo? Acho que o povo tem uma boa fé meio burra e se sensibiliza com qualquer carinha de triste. Tipo... quebrei sua janela, mas eu sou tão triste sem quebrar... “Ah, tudo bem, todo mundo tem, problemas...” Baaah!

FGarcia® defende a flora... e a fauna e todo o meio ambiente.