Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Prefeitura Bossa Nova


Para prefeito – ou qualquer outro cargo público que vá influenciar na minha vida – quero que seja alguém com estilo, com um ‘quê’ diferente. Nada daquele discurso fácil de ‘o concorrente não é tão bom, não vote nele! Só eu me preocupo com saúde e educação’. Quero ouvir alguém que saiba falar. Que fale diretamente e não fique de promessas muito espaçosas, mas sem volume. Sem conteúdo.

Se, na hora de fazer sua campanha, você se preocupa mais em minar a confiança dos eleitores do concorrente... você é pequeno e quer nivelar por baixo uma disputa que sabe que pode perder. Seria como o Vasco torcer para os concorrentes perderem enquanto fica tocando de lado, ao invés de treinar duro (UIA!) para jogar e reverter a situação desfavorável.

Fernando Gabeira tem estilo e se lança a essa candidatura como uma opção para os novos tempos – até porque, analise, as outras propostas sempre vêm com ar de “hmm... já falaram isso antes”. Claro, há aquelas piadinhas – tão manjadas quanto falar mal da tribo emo – sobre quem vota nele é playboy, drogado e tals. Mas, isso é como as piadas racistas que fizeram com Benedita da Silva quando disputou a prefeitura do Rio de Janeiro com César Maia (atual ditad... prefeito). Quem sabe o que se perdeu por elegerem as promessas entusiasmadas e demagogas em vez de darem uma chance ao lado alternativo?

Pergunto isso porque talvez, tenhamos deixado de ver um sol muito mais brilhante por medinho medíocre de ousar. O falecido (ex-presidente) Juscelino Kubstrá-lá-lá (com todo respeito) também era diferente e conseguiu revolucionar a história do Brasil. Porque não aqui? Você costuma ver um candidato com pouquíssimas placas e galhardetes pela cidade – ou seja, quase nenhuma campanha de (sujar) rua – chegando ao segundo turno com tanta segurança? A cidade quer mudança, mas ainda há quem queira ficar naquela de “Ui, se votar no Gabeira vai ser o paraíso das drogas” Aff, cresçam! Não falo de quem tenha convicção embasada de votar em outro candidato, mas o concorrente apela para esse folclore.

Parabéns Gabeira, seja qual for o resultado, você está de parabéns por não ter se rebaixado ao nível das “cotoveladas do segundo turno”. Ser amigo do presidente do país não garante que o Rio vá melhorar (e, no frigir dos ovos, isso não te faz inimigo dele), até porque, o presidente diz que o Brasil está em seu melhor momento... Pensando nisso, acho até saudável uma certa oposição... Se os três níveis de governo ficarem nessa de “estamos numa boa”, quem vai chegar pra representar o povo e dizer “ei, tá faltando meu pedaço do pudim!”

FGarcia vota em FGabeira.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Política ou espetáculo?


Ser ou não ser... hmm, bem, já vieram com isso antes, né? Então, eu venho com outra pra você: Era ou não era pra ser? Porque o titio Garcia pergunta isso pra você se nem adiantou todo o conteúdo? Bem, espera, cacete! Vamos ao assunto sem delongas, coió ;p .

Bem, assim como o Rock In Rio já não é no Rio de Janeiro há um bom (bom, booom) tempo, as propagandas políticas não são mais um mero palanque de propostas – nem de troca de ofensas, puramente – já desde sei lá quando. O carisma não habita mais na pessoa do político, nem em algum feito que, mesmo eleitoreiro, tenha realizado. O assunto todo, agora, é no show que é produzido em torno dos candidatos. Um show que pode até deixar a propaganda menos maçante e mais “prefrentex”, mas ainda corre o risco de desviar a atenção do que realmente importa.

Do mesmo jeito que o náufrago encarnado por Tom Hanks no cinema não naufragou (ele caiu de avião, não afundou com um barco), artistas cantam músicas famosas - ou músicas de campanha mais grudentas que aquele bêbado carente no fim da noite na mesa ao lado da sua - e fazem um espetáculo de imagens bonitas da cidade, das pessoas e dos concorrentes a um cargo muitíssimo bem prestigiado e remunerado. Mas, na realidade, não trata-se de um concurso de popularidade... pelo menos, não deveria ser. A maioria nem se dá ao trabalho de montar um texto razoável pra jogar em nossos ouvidos.

Falando em texto, já reparou que, alguns candidatos, quando se vêem na antiquada posição de ter que falar de suas plataformas, não passam daquele lugar comum que todo mundo fala, mas só os eleitos têm o ‘azar’ de serem cobrados – mas, não lembrados daqui a um ano? É sempre o mesmo combo “Saúde-Educação-Cultura-Esporte-Lazer-Segurança”. Aí, você vem com toda a pureza de seu coraçãozinho radiante e diz: “Ma, o que tu queria? Tá tudo rÚim meRmo!!!”. Ao que eu retruco: “Calma, gafanhoto, repare que ninguém oferece propostas. Só promessas. E promessas só nos levam a ganhar o que Mariazinha ganhou na horta (UIA!).

Qual a diferença? A diferença entre promessa e proposta, é que a segunda, se vier com algo do tipo “pelo futuro de nossos filhos” ou “por um mundo melhor” soará como história da carochinha. Quem ainda tiver que encarar o segundo turno de eleições municipais vai ter que romper (UIA!²) o fino e difícil véu da propaganda política, propriamente dita. Quem tiver o marketeiro mais legal, ganha. Mas, quem conseguir enxergar além disso, vai analisar e votar naquele que tiver propostas reais não disfarçáveis com vinhetinhas enroladoras.

Bom dia/Boa tarde/Boa noite e obrigado pela atenção. Assistam aos debates e analisem quem tem propostas e quem tem ataques pessoais (e vê se vota certo, mané!).

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Debate eleitoral


Bem, na reta final para o primeiro turno das eleições municipais de 2008, nos deparamos com uma novidade relativa ao processo eleitoral no que diz respeito aos debates. Casos específicos de Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Fortaleza – com um pequeno a(r)dendo para São Luís, que está para ser decidido o assunto que vos falo). Trata-se de cidades que não terão os tradicionais debates promovidos pela TV Rede Globo com os principais candidatos – destacados nas pesquisas de opinião.

Primeiro, o motivo: A legislação eleitoral (sabiamente, na minha humilde opinião) decidiu, basicamente, que, ou todos os candidatos do certame participam do debate, ou nenhum. E, nas cidades destacadas no parágrafo anterior, foi exatamente isso que aconteceu... ou NÃO aconteceu. Por exemplo, no RJ, um candidato e em Sampa, foram uns cinco, dos oito concorrentes. Não quiseram assinar um acordo proposto pela emissora dos Marinho onde se acertaria que os cinco/seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas encomendadas seriam os escolhidos para responder e trocar farpas em rede televisionada.

Da parte dos candidatos que foram contrários, o lance é a influência das pesquisas encomendadas. Eles ficariam de fora, impedidos de argumentar e expor suas idéias ao vivo por que não figuraram entre os preferidos dentro de pesquisas de opinião - que não têm nada a ver com a vida real. Pensa bem, como decidir quem vai poder mostrar mais sua campanha na TV através de estatísticas não reais? Todos os cidadãos eleitores ativos e decididos foram entrevistados? Se (claro que) não é assim, existe consistência nessa escolha? Os candidatos escolhidos não foram postos lá pela decisão da maioria. Se uma mínima parcela do eleitorado decide quem vai debater, porque as urnas, então? Vamos logo decidir o(a) novo(a) prefeito(a) e parar de perder tempo!

O argumento da Rede Globo é o de que a legislação eleitoral pratica impedimento da liberdade de imprensa com esse proceder. Segundo a emissora que tem tudo a ver com você, perde-se o direito a mostrar propostas dos (seis principais) candidatos num debate claro e direto para ajudar na escolha do público. Não à toa, os candidatos contrários estão na parte de baixo das pesquisas. Por que têm poucos eleitores? Talvez, mas é certo que seriam impedidos de fazer seus jabás. Não seria impedir o direito à campanha? Por que só alguns poderiam e não todos?

Ainda tem o seguinte: A Rede por onde a gente se vê, em nota divulgada à imprensa, me pareceu indignada com a justiça eleitoral e com os candidatos que se recusaram a facilitar para os concorrentes mais ‘pop’. Para o canal onde a festa é sua, (a festa é nossa é de quem quiser, quem vier) seria impraticável um debate com mais de seis candidatos, pois a experiência teria mostrado que assim, não haveria um aproveitamento satisfatório do tempo. Ou seja, em troca de tempo hábil na programação, mais da metade dos candidatos do município do RJ (por exemplo) não teriam direito a discutir suas propostas com os concorrentes e/ou com quem fizer a mediação.

Os debates do segundo turno estão garantidos. SE os segundos turnos estiverem garantidos.