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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Não é bipolar... É internet!

A internet está a cada dia mais ampla e mais interativa, o que faz com que as pessoas fiquem mais interativas entre si, em relação a veículos de informação - oficiais ou não - e diante veículos que não fazem parte da internet, mas que souberam se inserir nela pra sobreviver a esse novo nicho, ao mesmo tempo, mundo.

O que nos leva ao objetivo deste texto medíocre... A rapidez com que pessoas saem da depressão para a euforia e para a depressão.

Bipolares? Não, não acho. Só acho que a informação viaja tão rápido que atrai certas características que não estávamos acostumados. Por exemplo, muita notícia o dia inteiro resulta em mídia de celebridades e suas grandes novidades de praia, água de coco ou "flagra" na night com pessoas agarradas. Também faz com que a violência fique banalizada... Você tem a sensação de que aquilo está se arrastando sem progressos, mas é só uma notícia com atualizações de uma frase e meia a cada hora. Enjoa.

Agora vem o pior de todos... Redes sociais. Sim, você está pensativo e republica uma foto com algum pensamento supostamente de Clarice Lispector, ou Daniel San, tanto faz. Fica feliz porque alguém curtiu e compartilha aquela mensagem de saudades de quem se ama. Ninguém curte, porque está compartilhando algo mais que pintou na linha de tempo, e você parafraseia Cazuza e Lobão lamentando que a vida voltou a normal, que é manchete popular e tem vontade de chamar alguém de palhaço. De fato você o faz, compartilhando outra fotinho debochada. Aí, a página engraçada que você curtiu é comandada por alguém que não se atém muito a temas e compartilha, dentro da página de humor, uma mensagem do tipo "estou sozinho, será que alguém sozinho também pensa em mim?".

Só então, você percebe que metade das páginas "de humor" do Facebook, por exemplo, têm 'depressão' no nome. É uma modinha imbecil que achou de reavivar algo que os góticos já faziam há uns 40 anos. Repito, a velocidade de informações diferentes passando pelas nossas caras faz isso. Pessoas se acham depressivas, deprimidas, bipolares e até infelizes de vez. Besteira! Acontece que muita gente deixa de pensar e passa a só repassar o que vê na tela. Ninguém quer exercitar o pensamento, a auto-estima ou opiniões. É vício. Você pressiona por meio segundo a tecla "k" e você está demonstrando achar graça de algo compartilhado. Enquanto isso, sua feição é austera já procurando a próxima foto/frase pra curtir, compartilhar e comentar com inúmeros "k", "fatão" ou qualquer outro clichê (iniciar o coment com "#" é opcional, pois alguns sabem o que é hashtag, a maioria nem sabe como é o Twitter).

Internet é como uma droga, você passa muito tempo ali consumindo, perde noção de tempo, de impessoalidade, se acha um personagem do Second Life dentro de sua própria vida de Facebook (Second Face?!) e quer um rótulo pra si. Quer pertencer a uma tribo. Nada de estranho quando se é adolescente, só que isso levava mais tempo antes. Você saía, conhecia gente, olhava, era apresentado por alguém, ia conhecendo, ia formando sua personalidade infanto-juvenil enquanto se apegava a um universo próprio... normal. Agora, é um bando de marmanjo metido a hipster depressivo que não se mata, só se veste esquisito e só larga do pc pra beber o toddy que a mamãe preparou. Você se sente entediado, vazio e não acha graça em quase mais nada quando gruda no computador. Tudo vai passando e você só quer compartilhar o próximo tópico.