Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Jesus na cruz...

Pegaram Jesus pra Cristo. Crucificado pelo sistema.

Natal X Nascimento de Cristo

Esse post é uma divagação das maiores do ano. Daquelas típicas de minha parte e que você pode ter como exemplo algum episódio de Os Simpsons ou Family Guy (saca, quando um episódio começa com a família numa parque de diversões e lá acontece algo que os faz gravar um disco de rumba em Miami? Por aí...).

Bem, vamos às referências, primeiro uma divagação que sempre me assombra: O natal e o nascimento de Cristo. É assim, eu começo pensando em como o natal se tornou algo tão excessivamente comercial, que o que se vende na mídia é Papai Noel, pinheiros e neve (Say: WHAT?!). Claro que falo de Brasil, pois, sei que nos locais de onde essa tradição de comidas gordurosas, pesadas e elementos relacionados ao frio vêm de terras do hemisfério norte, portanto, locais onde é inverno no final do ano (fora as motivações político-religiosas-comerciais, mas isso eu falo depois).

O natal mais parece a celebração do nascimento de Papai Noel - e eu não sei se é um nome unisex ou um sobrenome, já que sua esposa, chamam de Mamãe Noel. Aí, acontece o seguinte, comercializam e fazem o natal parecer só uma troca de presentes, Simone cantando John Lennon "então, é nataaaal" e aquele cd de músicas natalinas instrumentais soladas no cavaquinho em todas as rádios comunitárias e lojas de (a partir de) R$ 1,99. Enfim, fora o fato de que Gaby Amarantos não vai encontrar seu ex-mailove lá, não vejo muita ligação. Será que representa a entrega de presentes pelos reis magos? Vai saber, depois eu pesquiso isso, prometo.

Fora a parte comercial, me veio a questão ideológica e, conforme prometi voltar no assunto, a parte político-religiosa-comercial. Nosso calendário gregoriano conta o tempo a partir do nascimento de Jesus. Mas, oras, ele nasceu (?!) em 25 de dezembro... Mal nasceu e já era final do ano?! CUMA!? OPu então quem criou o calendário não sacava muito de matemática e quis arredondar, mas quem sabi que dia exato era se ele nasceu numa manjedoura cercado de bichos e seus pais? Enfim, não vou discutir isso, e prometo pesquisar isso também. Mas, o que vem a seguir é mais divagatório e paradoxal. Aguarde.

Já chegou aqui? É assim: Jesus é o carro-chefe do cristianismo.
Quem segue Jesus, o faz pensando no que ele faria.
Jesus era judeu.
Se imitássemos Jesus ao pé da letra, nos converteríamos ao judaísmo.
Aí, não teríamos Jesus como nada além de um simples profeta, filho de carpinteiro.
Jesus não criou religiões.
Reflita.

Nightwish em sua formação, na minha inútil opinião, clássica.
Isso me fez lembrar de uma belíssima canção da banda finlandesa Nightwish (que eu amava enquanto tinha Tarja Turunen no vocal). A letra é emocionante e a melodia é perfeita pra embalar o clima reflexivo da letra. Na letra, é feita uma referência a São Longino, que teria sido o soldado que espetou Jesus com sua lança (a Lança do Destino?), tendo os olhos salpicados pelo sangue do prisioneiro, curando assim uma doença nos olhos que o fez seguir o cristianismo, tendo morrido por esse motivo. Aqui no Brasil, é conhecido como São Longuinho e as pessoas prometem dar 3 pulinhos quando acharem objetos perdidos (abaixo).

Também lembrei de The Carpenters, aquela dupla famosa formada por um casal de irmãos. Acho que só pelo nome mesmo.

















Não, eu não estava em estado alterado de percepções de pensamento, quem me conhece sabe que eu converso assim ao natural. Rá! Assista o clipe da música (a letra e a tradução estão aqui):

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Eduardo Paes quer demolir escola por causa da Copa

Quadro interativo, quadra poliesportiva coberta, enfim,
estrutura não falta.

Alguém está querendo mexer nos planos maléficos do prefeito e ele está #chateado. Isso é o fim do mundo.

Estava eu perambulando pelo Jornal do Brasil e andei vendo que a Escola Municipal Friedenreich está bem no caminho do "progresso" promovido pela prefeitura e o governo do estado. Ao que parece, educação pode ser empurrada para o canto, como aquela pessoa inconveniente que passa na sua frente no cinema. Mas, pais e estudantes não querem ser tratados como pedintes de mesa de bar e querem atenção de verdade, já que o projeto de lei que prevê o tombamento da escola será vetado pela última instância, a saber, o senhor prefeito Eduardo Paes, coisa que ele mesmo já afirmou que vai fazer (e essa promessa ele acredita, pois, não está mais em campanha). Acontece que não está nos planos do prefeito manter a escola ali em torno do Maracanã, porque as obras seriam prejudicadas e, com isso, os investimentos para a Copa.

Ele já inventou desculpas sobre uma suposta infra-estrutura deficiente, coisa que já foi desmentida por representantes da Comissão de Pais e Alunos da instituição, que filmaram e fotografaram todo o equipamento e estrutura de última geração da escola. Aí, o honorável prefeito reeleito apelou pra malcriação. Disse que é uma besteira demagógica, ou seja, quem preza pela educação de qualidade é demagogo, só faltou falar que é coisa de gente idealista e romântica. Se não for pelo dinheiro, porque mais seria, né, Paes? Por fim, ele começou a mentir sobre aquele caô - este sim, demagogo - de que a escola não é feita por um prédio, mas pelos componentes, tipo, professores, alunos, etc. Só faltou dizer que o prédio no Maracanã é feio e fedorento pra galera sair de lá correndo e aceitar qualquer outro muquifo que oferecerem.
A escola é a décima colocada no  ranking do Ideb para o ensino básico do país. 

Aí, reside outro problema, pois um aluno com necessidades especiais e sua mãe filmaram o tal novo local, o prédio da antiga escola veterinária do Exército (conclua como quiser sobre trocadilhos e intenções da proposta de novo local). O lugar não tem mínimas condições e o prefeito, se não mentiu descaradamente, realmente acha que não importa a estrutura (ou falta de) e que se jogue o que aparece no caminho pra qualquer canto. Abominável. Mas tá tranquilo, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) distribuiu, na justiça, uma ação civil pública (ACP) contra o município e o estado pra evitar a demolição da escola e manter suas atividades no mesmo lugar, já que, segundo pais e estudantes, a população da localidade está muito satisfeita com os reflexos de uma educação de qualidade. Vai correr multa diária de R$ 5 mil tanto pro estado quanto para o município, se descumprirem a determinação.


Fonte: JB

Samuel L. Jackson

Antes de mais nada, uma pergunta: Sam, você gosta mesmo que pronunciem a inicial de seu nome do meio só pra dar impressão de que é um eco do seu primeiro nome? A dúvida é minha, mas bem que eu perguntaria isso pra ele se o entrevistasse. SamuéuéuJécson!.

Nascido em 21 de dezembro de 1948 (sim, ele completa 64 anos hoje, mas parece mais novo que você), Samuel Leroy Jackson já foi ativista por igualdade nos direitos civis, já foi do movimento Black Power e eleva a um nível estranho e sensacional a máxima do ator que interpreta sempre ele mesmo.

Não que ele seja limitado, pelo contrário, o cara é tão autêntico que consegue viver tantos tipos diferentes e ainda assim oferecer sua própria personalidade ao seu trabalho. Quer saber do que eu tô falando? Porque você não imagina uma conversa entre Shaft (Shaft), Mace Windu (Star Wars, nova trilogia), Nick Fury (Os Vingadores) e Frozone (Os Incríveis). Cada um é diferente do outro, mas todos são Sam Jackson. O "motherfucker" está implicito em cada frase de seus personagens.

Em homenagem ao aniversariante do dia, fiquem com dois momentos marcantes de sua carreira (pro bem e pro mal, chupa essa, Rá!).

Primeiro, você vê toda a modafockisse inerente ao astro:

Agora você vê, mas nem ele viu de onde saiu aquilo:
A melhor pior cena que eu já vi. Isso contando que seu personagem em Jurassic Park some e só reaparece o braço que não foi devorado. haha!


Raul Gazolla X Guilherme de Pádua


20 anos depois e ainda tem Guilherme de Pádua. O ator Raul Gazolla esteve no RecNov (tipo um Projac tipo net da Record) pra reclamar sobre a entrevista da emissora com Guilherme de Pádua, exibida no ‘Domingo Espetacular’. Ficou tudo no 'coméquié', mas não se resolveu nada, já que dinheiro fala e números de audiência são mais importantes pra uma emissora oportunista do que elogio pra gente carente quando posta uma foto ou frase de efeito em redes sociais.

Guilherme de Pádua é assassino confesso da atriz Daniela Perez, filha da autora Glória Perez e mulher de Raul Gazolla à época. O crime ocorreu em 28 de dezembro de1992, época em que Guilherme- que fazia par romântico com Daniella na novela De corpo e alma - teria ficado inseguro quanto sua participação na novela. Segundo o julgamento do ex-ator, em 1997, ele assediava a colega e, tendo percebido que sua participação na novela estava diminuindo, concluiu que seria represália da atriz junto a autora, mãe dela, Glória Perez. Vingança por motivo torpe.

E o que mais escandaliza nesse caso revoltante não só a Glória Perez e Raul Gazolla, é que a emissora do bispo lançou mão de R$ 18 mil (DEZOITO MIL REAIS!). Quantia alta, audiência alta e o dominical da Record empatou com o Fantástico. 

Bem, o que eu acho? Da última vez que vi um mané receber pra dar entrevista sobre alguma m... que cometeu, ele desapareceu. Quem não lembra do ex-marido de Suzana Vieira gritando na Rede TV! que recebeu pra dar entrevistas e não ia parar, que iam ter que engolí-lo? O fato é que depois disso, Ana Maria Braga declarou que ele era um nada que não faria falta nenhuma. O cara morreu. 

Daqui a pouco eles desencavam a ex-mulher do cara pra dar sua versão da história e de como foi sua participação no crime. Nem é bom dar ideia.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Calendário Maia: A profecia 2012

Tanto sensacionalismo na divulgação do filme,
que o Cristo Redentor ficou no mesmo nível do
Pão de Açúcar.
Agora só se fala em profecia Maia pra lá e pra cá. Piadinhas sobre o fim do mundo em 2012 é o que não falta. É um meme mais frequente do que aquele menino gritando "para noooossa alegria!". Mas você sabe de onde veio isso?

Basicamente, os Maias foram uma civilização extremamente evoluída - em se comparando com o que há hoje - no que diz respeito à astronomia. Suas construções possuíam janelas com marcações próprias para a observação dos astros. Eram verdadeiros observatórios astronômicos. Daí, eles analisaram tanto que perceberam que o universo não funciona de forma linear, mas cíclica. Ou seja, a expressão 'o mundo dá voltas' ganha mais camadas.

Dentro dessas observações, concluíram um certo calendário de acordo com o 'comportamento' dos astros e do universo em geral. Esse calendário cíclico nada mais é do que um calendário que conta a passagem do tempo por ciclos, eras, e essas coisas. O grande ciclo que vai se encerrar hoje (20/12/2012) é como nosso anual 31/12, ou seja, o fim de um ciclo feito a partir de uma contagem pré-estabelecida com critérios próprios. A diferença do nosso calendário para o deles é justamente o critério usado. No nosso caso, contamos por horas, dias, semanas, meses, anos e essas coisas. Eles também, mas o faziam observando mais elementos do universo e a época em que isso acontecia. Por exemplo, era uma fase diferente de acordo com a posição da Terra em relação ao Sol.

Calendário Maia: Profecia não é sinônimo de apocalipse.
Os Maias concluíram que não só a Terra se aproxima do Sol como, durante esse percurso elíptico, nosso planeta também se aproxima de outros astros e do - possível - centro do universo. Ou seja, nunca a civilização Maia deixou registros quanto a fim do mundo, hecatombe mundial e essa baboseira, eles apenas registraram em seu calendário a previsão de que um ciclo se encerra no dia 20 e outro se inicia no dia 21 de dezembro de 2012. É como pervermos hoje que em 21 de abril de 2.500 vai se iniciar uma nova era para o Brasil, uma era em que seremos diferentes de acordo com o posicionamento dos astros, por exemplo. É isso que eles acreditavam, num papo que é muito mais hippie do que apocalíptico.


Então, parem de confrontar uma lenda deturpada pela cultura pop como se fosse uma realidade, e parem com o fanatismo religioso, porque Jesus não está aborrecido com o fim do mundo antes de sua volta. Um dos responsáveis oportunistas é o Roland Emmerich, diretor do filme 2012, de 2009. O cara é conhecido por filmes-catástrofe, tipo Independence day e O dia depois de amanhã (saca, aquele que mostrava Nova York no mesmo nível do punho da Estátua da liberdade). Vão viver suas vidas e aproveitem o fim do ano pra refletir sobre o que conseguiram e o que ainda querem conseguir. Nosso calendário não funciona da mesma forma que o de uma civilização de 3.000 anos atrás.

Templo Maia. Note a riqueza de detalhes da arquitetura.

Cantor Thiago, o Pequeno: Corintiano

Emoção ou seu verdadeiro caráter saindo pelo ladrão?

Em comemoração ao título mundial do Corinthians, o cantor Thiago, o Pequeno – ao microfone – liderou o coro “Ei, Palmeiras, vai tomar no c*”. Depois de uma onda de retaliações verbais por parte da parte ofendida, o pequeno cantor se reuniu com lideranças da torcida organizada Mancha Verde, foi à TV pedir desculpas e se defendeu dizendo que se empolgou com seu time, mas que nunca incitaria à violência.

Agora, minhas considerações, claro que não foi um chamado à violência, sabemos que torcedores sem cérebro são bem mais explícitos nessas horas. A questão é que o título foi tão importante que o pequeno cantor, ao lado de jogadores, resolveram lembrar do arqui rival e sua recente queda para a segunda divisão. Estaria tudo bem se não fosse um tipo de provocação gratuita, já que o título corintiano foi numa competição e o rebaixamento alvi e verde foi em outra. E xingamentos... Quem feliz com um fato A comemora ofendendo um fato B? Fanáticos ou arrogantes?

Aí, a defesa do ícone que modificou a história do Samba foi que compôs uma música sobre amizade com o amigo Rodriguinho (que é palmeirense), gravou um DVD com o Exaltasamba no Palestra Itália e que vive de música e não de futebol. BULLSHIT! Fala sério, essas desculpas são como “não sou racista, conheço vários negros” ou “não sou homofóbico, conheço um monte de gays”. Se suas atitudes dizem uma coisa, não é empurrando essas baboseiras que você vai se safar, né?

Agora é assim, fala o que quer, depois vai se retratar.
Irmãos  Galagher feelings.
A verdade é que o garoto está deslumbrado com o sucesso que o Exaltasamba lhe proporcionou e, na hora que você quer ver quem é o que é de verdade, é só dar um pouco de poder. O menino está na mídia e já cometeu a aberração de dizer que modificou a história do Samba, agora xinga o clube rival do seu numa comemoração que nada tinha a ver. Sem contar nos membros da produção que agridem animais... Carreira solo extensa essa, hein? Ousadia e covardia.  

Depois de falar besteira sobre Samba e sobre futebol, meu palpite é que o próximo passo seja sobre algum outro símbolo do Brasil, tipo, pontos turísticos ou cerveja. Tudo bem, ele é queridinho na globo, vai sair bem em poucas semanas. Afinal, o astro do pop(agode) funknejo é um dos craques da geração músicas descartáveis de 2 meses e vende bem nas casas de balada da moda. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Causas difíceis

Trabalho mentiroso é mole, quero ver fazer o dever de casa da escola.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Palmas para Suzana Vieira


Mensagem subliminar? Vai saber...

O negócio é Suzana... Suzana que sempre quebra o protocolo quando aparece tomando microfones de "repórteres novatas", exigindo maior destaque na novela para seu namorado ator/modelo ou cantando e pagando peitinho em algum programa de grande audiência dominical.

Mas, veja bem, já reparou que ela sempre faz papel de madame? Em Por amor, Fera ferida, Duas caras. etc. Se ela faz aquele tipo de perua esnobe e na vida real é aquele furdunço... palmas para uma das maiores atrizes do mundo!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Gol X Bilhete Único

Agora eu posso ir a qualquer lugar!

Não, Veja!

Não acho que uma pessoa vire santa só porque morreu,
mas daí você aproveitar justamente a morte dessa pessoa
pra cuspir marimbondo assim, chega a ser anti-ético

A revista Veja já acusou pessoas como culpadas. Pessoas que foram inocentadas. Porque? Porque é mais fácil fazer uma retrataçãozinha perdida na revista do que perder a chance de causar com sensacionalismo, o que garante muito mais vendas do que notícias e ganchos corriqueiros, coisa que todo mundo profissional ético precisa fazer.

Recentemente, tivemos o caso dessa bizarrice hipócrita de achar que os gays é que são intolerantes por reagirem com revolta quando um pseudo-líder político financeiro religioso promove o ataque de sua turma a quem, segundo eles, não aceita Jesus e se comporta contra a família brasileira. Nem vou entrar nesse mérito, porque é dar atenção demais a esses palhaços, mas medite, uma revista que publica uma piada como se fosse coisa séria, só por causa do sensacionalismo que poderia provocar, merece ser levada a sério?

Se eu catar cocô dos meus cachorros com isso, tenho certeza de que o que o papel carrega é mais valioso do que aquilo que está impresso nele.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Politicamente correto X Piadas auto-depreciativas

Danilo Gentili, ao contrário da maioria, usou devidamente a
expressão, já que fez um espetáculo em Brasília pra
falar dos políticos. Genial
O politicamente correto é uma realidade das mais bocós já feitas. Você não pode falar nada porque a interpretação das pessoas chega no nível do recalque. Há que se fazer um equilíbrio, pois o politicamente correto soa hipócrita, mas buscar a outra ponta da questão já soa babaca. Aquele que não pensa em ser engraçado, mas em causar constrangimento. Você não ri por que se identificou, você ri de nervoso, ou melhor, de sem jeito, já que a ação rir é um reflexo do sistema nervoso.

Eu não sou totalmente contra, porque quanto mais certinha a sociedade, mais vai atrair os rebeldes (a famigerada teoria do pêndulo que eu sempre uso). Assim é com religião, política, sexualidade, etnia e tals. O problema dessas piadas é que criam uma cultura de que o auto-referente tenha direitos de tratar diferenças nas pessoas como defeito. "Eu sou negro, então eu posso fazer piada de negro". E não é assim, eu sou irônico, falo de questões racistas com sarcasmo, mas nunca ajo como se fosse um defeito que eu evidencio pra ser aceito.

O negócio foi o seguinte: Com o fim da ditadura, acharam
que se podia falar e fazer qualquer coisa. 
Muitos fazem isso. O gordo que faz todas as piadas clichês sobre seu peso e forma, por exemplo, é aquele que usa daquela filosofia "vou me depreciar antes que me depreciem, assim fica engraçado e não bullying". O negro que zoa seu próprio cabelo, seu nariz, seus lábios e tals... Isso mostra o quanto uma auto-estima pode ser ignorada em troca de umas risadas de vergonha alheia.

Então, qual o limite do politicamente (in)correto? Claro que é a noção - ou falta de - por parte de quem faz o comentário, piada e tals, mas não se pode simplesmente atribuir recalque a quem é contra. Não é porque você não vê nada de mais numa piada que as pessoas têm que aceitar numa boa. Aliás, sabe quem é a raça mais sensível neste ponto? O comediante. Você faz uma piada sobre negros, gordos, mulheres, sertanejos, gays, deficientes e qualquer outra camada discriminada da sociedade. O primeiro a reclamar é um recalcado que não entende uma piada. Mas sabe porque ele contesta isso? Porque não aceita que seu trabalho - de ouro, que vale mais que dinheiro - seja contestado.

É o papo do religioso que condena todo mundo ao inferno, mas faz isso justamente contrariando o princípio primordial de não julgar o próximo. É quando as pessoas falam que críticas são por inveja, por burrice do público. Eles brigam entre si, quando acham que o outro roubou a piada (como se algum tema não existisse antes deles falarem). Ou todo mundo combina de aceitar qualquer coisa como piada, ou aprendemos que pessoas diferentes têm pensamentos diferentes. Aquele seu alvo de piada tem uma família, tem gente que vai defendê-lo e você não pode banalizar uma pessoa ou um grupo numa piada. Se você não sabe ser engraçado falando de uma situação, não é atacando um grupo e se sentindo intelectual demais pra ser compreendido que você vai comprovar sua superioridade.

Hipérbole acerca dos estereótipos que eu falei, mas essa
discussão não está longe de se concretizar.
Quando algum tipo de censura ataca a teledramaturgia, por exemplo, eu rio deles (dramaturgos) sabe porquê? O que eles acham que é um exagero é a perpetuação de estereótipos idiotas que, não deveriam - mas acabam fazendo - educar e alienar o público. Você compra esse Brasil branco, rico/emergente e feliz da vida que todas as ditaduras aqui implantadas nos empurraram? Já que não refletem a realidade, tô pouco me lixando se são censurados ou não. Eu não assisto. Mas gosto de acompanhar na internet pra comentar. Afinal, o Brasil que eu vejo da porta da minha casa pra fora não é bem o que eu vejo da porta pra dentro, na TV.

Depressivos na depressão


Acho que a juventude não entendeu muito bem o sentido de 'depressão'. Acho que confundem isso com sarcasmo. O humor mordaz é o que não se priva de soar 'mal humorado' pra fazer graça. Por exemplo, aquele seu amigo ou parente que se destaca por ser engraçado demais, mas sem dar um sorriso, saca?

Mas, de uns tempos pra cá, é um tal de páginas no Facebook e sites pela internet com o complemento 'na depressão', que irrita. Porque, na prática da coisa, esses conteúdos são irônicos, no mínimo. Mas sabe qual é minha opinião sobre a proliferação exacerbada de tanta pose de depressivo/hipster/gótico/apaputaqpariu? Modinha, ou melhor, a contra-modinha, que só sai de uma direção diferente, mas acaba se precipitando numa outra modinha.

Deixa eu explicar melhor, isso me veio logo após o texto anterior, quando dei uma passeada sobre impressões acerca da juventude que se deixa levar por um visual e atitudes chocantes, por necessidade de auto-afirmação. Isso vem do desejo de muitos jovens e se mostrar o contrário de suas influências diretas. Quando um pai é muito conservador, é perfeitamente plausível que, mesmo que por um curto período, seu filho engendre para o lado do liberalismo. É como aquela turma politizada que sempre é oposição, até quando um candidato da oposição se elege. Veja bem, não estou dizendo que é uma regra, apenas um comportamento comum (viu? UM - disse 1 - comportamento comum, não O comportamento).

Mas, vá lá, vai vendo aí, a busca por um estilo próprio faz as pessoas correrem atrás do que a maioria não vai. E depressão é uma coisa que a maioria não procura. Voilá! Uma horda de depressivos achando que estão fora do mainstream, mas, sem perceber, criaram um novo grupo que, justamente, é o mainstream. O que um hipster tem por característica básica? Fã de Los Hermanos e imagens bucólicas? Talvez, mas, mais básica ainda, é a característica de querer estar na vanguarda dos acontecimentos culturais e têxteis do mundo. Daí, assim como o Rock N' Roll, depois o Heavy Metal, seguido pelo Punk, Grunge, Nu Metal e depois o tal do Alternativo (por exemplo), agora muitos só querem ser diferentes, e quando suas "descobertas" ganham o grande público, largam de mão e vão procurar outra novidade pra inventar.

Assim, eles vão fugindo do que é 'pop', mas nada foi criado com alguma originalidade já há uns 20 anos. É como a moda, você pega uma bata e costura diferente do que era nos anos '1970, pronto! Você está na moda retrô. Hoje, não se busca a pose de mau ou subversivo, mas sim, de intelectualóide. Tomemos a banda da Anna Júlia como exemplo. Integrantes já afirmaram que, confrontando críticas quanto a seu estilo, responderam "bom e velho rock n' roll? bom e velho é Papai Noel'. Você tem direito a opiniões, mas quando você acha que pode fazer qualquer coisa e rotular com o que te convém, você está se achando um formador de opinião dos piores. Eles mesmos já falaram, há anos, que Iron Maiden, por exemplo, seria pop, já que suas músicas tinham a mesma estrutura de qualquer canção pop (letra, refrão, letra, refrão, solo, refrão).

Até faz sentido, mas o que os faria não pop, então? Pop é popular, não necessariamente modinha. Muito mais moda, hoje em dia, é uma banda se dissolver, vender caralhadas montes de ingressos a preços pouco camaradas, cada um seguir suas próprias carreiras pra, depois, anunciarem seu retorno por curta temporada, pra vender mais um porrilhão de ingressos e assim vai.

Vá assistir filme iraniano pra confrontar a cultura pop ocidental judaico cristã, morde fronha!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Metal e o diabo


Sempre que vejo um fã de metal se achando o próprio satã eu penso:

- Meu filho, você acha que seu artista preferido anda de capa com um a taça de sangue na mão quando vai às compras (talvez de um bode), por exemplo?

Dani Filth em momento de intimidades
com um ursinho.
Eu tenho um dvd do Cradle of Filth onde Dani Filth, o vocalista, arremessa bexigas d'água da janela do hotel ao lado de integrantes da equipe. E ainda saíam rindo pra que não fossem flagrados pelos transeuntes.

É o problema de gêneros e produtos direcionados para a juventude. Tudo o que é novo atrai, se o novo é subversivo, então, aí é que se torna de conhecimento obrigatório. Música, drogas, sexo e toda sorte de assuntos que te despertam uma curiosidade irresistível quando se está saindo da infância e se está buscando um estilo ou uma tribo própria.

Em um livro que tenho aqui em casa (juro que procurei, mas o danado sumiu como que por obra do... er... deixa pra lá), trata-se da biografia do Black Sabbath - pelo menos até idos de 2000 ou 2002, época do lançamento. Mentes mais impressionáveis podem comprar essa ideia de que eles queriam introduzir o mundo da escuridão num público maior, mas EI! Aloou! Eram jovens rebeldes com criações católicas querendo se chocar e chocar o alheio. A coisa mais fácil - e até clichê - é um jovem querer impressionar fazendo o contrário do que a sociedade gostaria de vê-los fazendo.

É daí, também, que vem o Punk, por exemplo. Com temática muito mais leve do que a básica do metal (porque "só" aborda sexo, drogas, rock n' roll e alguns delitos), o Punk trouxe a cultura do 'faça você mesmo' - mais tarde seguida pelo pessoal do grunge, quando o cara não quer ficar estudando música e instrumentos pra ser um astro, só quer fazer aquilo que achava legal os seus ídolos fazendo.

Black Sabbath liderado por Ozzy, que cultuava o inimigo de
nossas almas naquele exato momento, tentando removê-lo
de dentro de seu coleguinha.
Enfim, voltando à vaca fria, no referido livro sobre a eterna banda do Ozzy, pra explicar o significado do nome - e, porque não, da cultura - Black Sabbath, ele falava algo próximo à ideia de que era só ver a m*rda de mundo em que se vivia com guerras, conflitos, ditaduras e tals e entender porque aqueles jovens ingleses preferiram abordar temas pesados e sombrios, que refletiam seus sentimentos acerca daquela realidade, do que falar de amores e flores, como a maioria.

Sei lá, por sempre ter visto o Black Sabbath como o lado negro da moeda que traz o Led Zeppelin no lado iluminado, eu nunca tive medo ou vontade de ouvir a banda só pra pagar de bad boy. Nunca quis assustar, pra mim é isso mesmo, liberar pensamentos e energias pesadas através de riffs bem, mas beeem pesados. Então, vampirinho da capa do satã, passe maracujina em seu rabinho sombrio, porque temáticas de letras são tão subjetivas quanto livros ou filmes de terror. Você não pode achar que aquilo é o cotidiano dos caras. Ou você acabará como aqueles doentes mentais que atacam pessoas, igrejas e outras idiotices sem utilidade para o mundo. Da mesma forma que conservadores vão te acusar de bruxaria.

Valeu, poser servo da escuridão. Agora fique com o clássico que lançou o lado obscuro do Heavy Metal. Tente não molhar as calças.