Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

sábado, 18 de maio de 2013

Salve Jorge, Jorge salvo!

O guerreiro em seu cavalo branco muito bem representado.
Salve Jorge acaba com um saldo de discrepâncias ímpar para a TV brasileira nos últimos tempos. E não adianta empinar o nariz como o diretor e a autora fizeram em entrevistas e interações com o público culpando a massa de não "embarcar" na história. A massa pode ser alienada pra tudo nesse país, mas novela  e futebol, nós temos vício de acompanhar e entender de tudo. Povo bobolhando, mas não é burro! Aí, o que acontece? Culpam a população numa clara atitude de auto-defesa por vaidade e orgulho besta que só serve pra manter a pose - igual à casa pra qual prestam serviços - e serviço de utilidade pública não é só mostrar algum assunto polêmico, é admitir que a coisa não andou como deveria. Tipo a escola de samba pequena que mal chega ao grupo especial e já quer agir como as gigantes que já estão lá há anos. Deslumbramento e gigantismo de egos. Enfim, não é sobre os muitos erros de Salve Jorge que vim falar, mas dos únicos acertos (pra mim que não acompanho novelas se não pelo comentário popular na internet).

Jorge nas alturas derrotando o dragão.
Os dois acertos, pra mim, estão bem no começo da novela e o outro bem no final, pra ficar justo. O primeiro é a abertura. Sim, ela toda, a abertura desde o tema até o visual com imagens de paisagens da Capadócia, de Jorge, do Alemão e, principalmente, do cavaleiro que nunca para em seu cavalo branco passando por todas essas variedades de cenários da abertura. Isso, junto com uma das músicas mais legais de ultimamente no cenário pop brasileiro. Conseguiu me tirar da cabeça aquele som-meme "Oi, oi, oi" da minha cabeça e me trouxe uma música muito legal e gostosa de se cantar. Até porque, composição de Pretinho da Serrinha, Gabriel Moura, Leandro Fab e do próprio Seu Jorge, intérprete da canção, precisaria de algo legal pra embalar e chamar aquela vontade de assistir à novela, além de simbolizar tudo o que a princípio, a novela seria. E conseguiu, entrecortando cenas da lua, da Turquia e do Brasil, enfim, tudo o que se viu no programa. Do início literal, passamos pelo miolo da novela - e eu continuo não falando de defeitos aqui - vamos para o acerto final.

Arraste o mouse entre as exclamações abaixo e entenda o momento de pausa do texto.
!!!
Espaço que seria para apontar os erros e defeitos da novela (mas, só os relevantes, pois, se incluir aqueles comuns de continuidade ou explicações e resoluções ruins, eu faria um post inteiro todo em branco só pra dar espaço aos defeitos que eu prometi não comentar no início do texto. Então, oficialmente, eu cumpri com o combinado. Se você estiver lendo isso, é porque é curioso e interessado, mas não poderá dizer a ninguém, sob o risco de eu ser acusado de ser um resmungão com esse humorzinho safado). Rá!
!!!

Wanda, de tantas identidades falsas, a última: Crente de cadeia.
Todos conhecem a história entre o Glória Perez e Guilherme de Pádua, eu mesmo já falei desse sujeito sem humanidade aqui recentemente, então não vou me prolongar nisso. Mas, o grande acerto da novela, pra mim, veio de um pequeno diálogo em que você percebe toda a ironia da autora e os respingos numa realidade muito da incômoda: O fingimento descarado pra se dar bem quando se está errado. Fala sério, é mais fácil você encontrar um ex-FDP que virou "crente" do que grama num campo de futebol. E a maioria só o faz pra fingir que mudou. Claro, existem inúmeros religiosos sérios e convictos, tanto honestos quanto fanáticos, mas vou falar dessa nova modalidade de pastor que surge há alguns anos a toque de caixa. Tudo bem, temos os ex-atores pornôs, os ex-artistas da orgia, os ex-futuros, aqueles que não emplacam no mundo normal e buscam um novo mercado, mas vamos aos pastores de cadeia.

Lívia foi presa, mas deu a entender que ia se dar bem rapidinho.
Wanda e Lívia, as cabeças da organização que traficava pessoas são finalmente presas (nunca vou esquecer que a Cláudia Raia foi presa com o bumbum sarado submerso em champagne! Aham, Cláudia, senta lá... na sidra! Rá!). Mas a questão é que Wanda desenvolve um prazer em ler que Lívia sabia ser mentira - pelo menos até ali - e pergunta qual é o plano. Wanda explica que aceitou a palavra de Jesus (nesse momento, ela aperta contra o peito a bíblia) e que Lívia também deveria mudar. Lívia duvida, mas Wanda não dá indícios de que esteja insegura quanto à decisão, sabendo o quão dissimuladas as duas foram por meses, dá pra entender que não confiam em ninguém, nem uma na outra mais, até porque já haviam traído-se mutuamente. Aí, é que Lívia Marine, admirada com tamanha pose, manda na lata da - agora serena - Wanda: Você é um inseto mesmo, né, Wanda? Se adapta a qualquer ambiente que chegar!". Então, a vilã-master sai em direção a algum engravatado, que parece ser o diretor do presídio, fazendo charme dizendo precisar arrumar um "conde italiano", pois, cada um se vira da maneira que consegue.

Campanha pseudo-religiosa besta, pois, todos
sabemos que a tal igreja é representada por uma
emissora concorrente da
lobotomizadora líder de audiência 
Sabe o que foi melhor nisso? Salve Jorge começou sendo viralizado numa campanha "demoníaca" por parte de uma fatia pseudo-política-inútil-hipócrita-falsa evangélica (que me perdoem os bons evangélicos protecionistas, vocês também entram na lista se defenderem esses fundamentalistas). Era tanta gente desocupada criticando a novela por ser uma espécie de suposta apologia à conversão do Brasil em católico e/ou candomblé/umbanda, tanta besteira misturando religião, entretenimento e política (sim, porque a Constituição nos determina liberdade religiosa e um Estado laico), que parecia um novo fascismo tentando dar as caras. Guilherme de Pádua também se converteu na cadeia. E deve ter dado certo, pois, foi anistiado, ou seja, como se nunca tivesse cometido o crime. Daí, Glória Perez me manda esse recado em forma de tijolo, uma criminosa que tenta se safar aparentando ser religiosa e regenerada e comparada a um inseto, por fazer qualquer fingimento pra se dar bem.

Tapa nos fanáticos recalcados e no monstro cínico.
...No champagne.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Clarice Falcão faz o bom humor


Eu sempre friso o quanto há gente estúpida no mundo. Gente que se acha muito rpa frente e não passa de conservadores jr's. São retrógrados até com pouca idade defendendo que você - ou melhor eles e sua turminha - têm o direito de serem desrespeitosos desde que chamem seus preconceitos de humor. E ainda completam dizendo que não é pra se levar a sério, mas todos sabemos que falamos brincando o que pensamos justamente pra amenizar o impacto e não ganhar implicações mais sérias, ou seja, é uma hipocrisia e um preconceito descaradamente velado.

Mas, nem todos os humoristas da nova geração fazem essa escola da sexta série mental e nos presenteiam com piadas e conceitos perfeitamente plausíveis, pois, assim como é importante você criticar uma atitude ruim de uma criança, em vez da pessoa, você pode fazer piada com todas as situações do mundo sem ter que ofender aqueles que passam pela situação. E nem vou falar das piadas auto-depreciativas, pois elas expressam a falta de dignidade do ser humano que decide viver de fazer piada. esforcem-se pra serem engraçados sem precisarem dessas muletas e vocês serão engraçados, pois fazer rir é coisa séria, não pode ser banalizado e transformado em escolher um alvo e fazer todo o resto rir da cara de alguém. Isso é bullying, babaquice ou sei lá mais o quê.

Clarice Falcão, um dos nomes responsáveis pelo sucesso de internet Porta dos Fundos é uma dessas mentes que não precisam ridicularizar um pra arrancar risadas de apoio preconceituoso dos outros. Se ela vai sempre pensar assim, não sei, mas por enquanto, fico com a pureza da resposta dessa criança, que, em entrevista à Marie Claire, falou sobre preconceitos sofridos por ser mulher num mundo predominantemente machista - além do mundo todo, com exceção de Temiscira, a ilha Paraíso da Mulher-Maravilha - e sobre a suposta detestada e alardeada patrulha do politicamente correto. LEIA A ENTREVISTA AQUI. Particularmente, quando abri minha mente para as muitas piadas que se pode fazer com situações e não com pessoas, vi que muita piada é só desrespeito, mas se é falta de ofender alguém, porque nunca ofendem seu próprio tipo? Humor bem feito é pra quem pode.

Por exemplo, já viu como os ateus-modinha praticamente tentam provar que não existe nada além de terra e água no mundo? Aliás, se não há provas da existência de Deus, também não há prova de que não existe. Assim como a ciência não prova que o universo começou a sei lá quantos anos ou mesmo que o universo é finito ou infinito, enfim, deu pra saca, né? Mas não vejo ateu levantando essa questão de que eles podem estar enganados tanto quanto acusam os "crentes" de estar alucinados. Não vejo branco fazendo piada com a história do seu povo escravizando outros e depois tentando apagar suas participações na história, vamos lá, gente, humor é pra criticar, é sua melhor aplicação. Mas porque não se critica os verdadeiros ridículos? Os preconceituosos, a mídia que esconde o mundo real pra fabricar ilusões e placebos açucarados... Nããão, os revolucionários e polêmicos fazem piada com religião, cor de pele, gênero e orientação sexual. Ah, vá... Fique com uma musiquinha relax de menina Clarice pra desanuviar a tensão.

sábado, 11 de maio de 2013

Anitta é invejada pelos funkeiros? Vá se catar, recalque!A despeito do que a mídia empurra

A despeito da mídia que empurra essas coisas no povão que aceita tudo
qual a contribuição desses dois para seus respectivos campos de atuação?
Orgulho é uma lástima. Orgulho vem de uma necessidade de se manter uma pose que você sabe que não tem. Então, começa o problema, por que o orgulho é aquela necessidade de se manter na visão alheia como se fose esse personagem que você criou - e que ninguém pediu. Tá, talvez alguns tenham sido impostos pela sociedade, como homem que não tem medo, nem chora, mulher que não admite ser valente pra não ser discriminada, idoso que não pode sair pra se divertir porque está velho, etc... Eu sei que isso acontece, já vi muito marmanjo doido pra dançar um funk e não fazê-lo por medo de críticas, mulher querendo se jogar na pista bolada com o que vão pensar dela ou mesmo nerd se fazendo de burro pra não sofrer bullying.

Mas o que eu quero com essa introdução (UIA!) tããão graaande (UIA!²)? Simples, dizer que esse tipo de máscara social auto-imposta só serve pra que muitos levem isso tão a sério que acabam acreditando que pensam daquele jeito mesmo. Machismo, homofobia, racismo, antissemitismo, tudo isso veio de alguma ideia de algum grupo lunático com nuances supremacistas, mas o que eu vou falar aqui é u pouco mais íntimo, um pouco mais palatável, e bastante corriqueiro. Falo de uma palavra que já se tornou clichê nos facebooks da vida, que é 'recalque'. 

Pessoas são tão orgulhosas e cheias de empáfia que se acham acima do bem, do mal e das críticas. E isso já
O convencido, o mais convencido e o... quem?
é bem comum nos pseudo-artistas de Facebook que desejam ser amados com suas milhões de fotos carentes de 'curtir' e frases de efeito de auto-ajuda, imagine, então, o que não passa na cabeça de um artista que sabe que não tem esse pé de meia todo, mas que é garantido pelo apelo popularesco e apoio de grandes patrocinadores? 

É o (não) exemplo da modinha do funk do momento: Mc Anitta (morra de angústia com creme pingando na ponta dos cabelos, vou chamar de Mc mesmo). A exemplo de Mc Naldo (é Mc, astro pop era Michael Jackson), Cláucia Millk e pequeno Thiago uivador, essa moça já se encontra naquele patamar do deslumbramento em que repete bordões clássicos de quem não quer parecer arrogante, mas quer manter uma pose como se estivesse acima de críticas. Ela diz que sofre preconceito por não ser de favela e que isso é raivinha porque ela se deu bem. 

Chorando sobre o Leitte derramado, a moça
comparou público do Rock in Rio 2011 a Hitler
por uma suposta vaia "suspremacista". A vaia
aconteceu, mas porque o show não agradou,
mas é mais fácil dizer que é culpa da plateia.
Bem, quando chegar nessa mesma época do ano que vem e ela ainda for considerada um fenômeno, eu calo minha boca, mas por enquanto, tanto ela quanto os anteriormente citados são bons vendeores de ingressos de boates e casas de show, mas sem consistência alguma. As mesmas músicas que eles reciclam entre eles mesmos e o pior discurso do mundo. Porra, inveja? Raivinha? Preconceito? Vá se catar, né? Já até vejo nos livros de história, como o povo dela foi perseguido e humilhado por 300 anos de escravidão, ou pela dominação de sua nação pelo fundamentalismo religiosos... Enfim, nem vou continuar no sarcasmo porque jovem desse jeito ela ainda vai falar muita m*erda, melhor guardar pra mais tarde. Quem não lembra do jogador jogada do pessoal do marketing Neymar? Todos enchem a bola do garoto, mas ele aparece mais pra divulgar desodorante, carro e namorada ex-atriz mirim que tenta se firmar não sendo mais uma gracinha de criança.

O que essa gente toda faz além de ter dinheiro? São amados? Queriam eles, mas a verdade é que quem não tem segurança no próprio taco acaba precisando ostentar sua 'felicidade' pra esfregar na cara dos outros e pensar que estão sendo invejadas por isso. Sério, se você se acha invejado a ponto de falar isso em público, você quer ferir as pessoas com isso e não tem nada a ver com uma arte feita para o entretenimento. É a típica pessoa que quando não está sendo o centro das atenções tende a se incomodar com quem está nesse lugar de destaque e fica invejando. Aí, quando se vê no centro, acha que todos são iguais a eles.

Anitta, vá se catar de novo, antes que eu me esqueça e preconceito com patricinha, estudante de
Calma que essa é fácil, ele explicou depois que não disse que mudou a
história do samba, ele mudou "UM POUCO" só. Faz-me rir
Ele era uma porra dum moleque quando esse estilo mela cueca apareceu,
no máximo mudou foi o pijama e a fronha.
administração e estagiária da Vale não é preconceito, é consciência. Você está deslumbrada, mas não precisa bancar a menina pobre que realizou o sonho de vencer na vida com sua música. Modinhas passam e nem o Conglomerado Globo Marinho vai te sustentar pra sempre. Nem ele, nem a Recópia tentando puxar sardinha pro próprio lado. Quem não é, não se sustenta. Você ofereceu sua vida "sofrida" pra algum excluído da sociedade? posto que trocariam facilmente, pois o funk é uma forma de ter voz para o pobre, para o favelado. Assim como o Samba, o funk foi pego pra ferramente da indústria do entretenimento da clase média, o que acaba afastando de suas raízes, e o resultado é esse: Uma branquitude se chega pra ganhar dinheiro e ainda acusar o povo de onde essa cultura foi usurpada de invejoso.

Vá te catar de novo, bando de recalcado! 

Veja a entrevista do produto de mídia AQUI.