Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Pop, pão e circo: Governo não poupa ninguém


Põe na conta do Papa, mas o Papa não tem nada a ver...
Mas isso não vai fazer dele um personagem, um ator social imune à manipulação.
Neste momento, ele está sendo o circo pra quem quer abafar os roncos dos estômagos de quem está sem pão.
É um cânone clichezento até, se usa as mil distrações midiáticas, musicais, teledramatúrgicas e "reality" pra que o oprimido não perceba que ainda é escravo. E eles vão tomar mais cuidado, pois, enquanto te metem a mão nos bolsos de leve e pra sempre, você se contenta em não saber e não ter que reclamar. O problema é que eles tentaram muita coisa de uma só vez...
Aí, o gigante acordou e percebeu que o mosquito estava lhe sugando o sangue.
Acordou, levantou, gritou 'gol', o papa chegou e ano que vem tem Copa... E tem eleições.
É esse o jogo, populismo popularesco pop.
E o pop não poupa ninguém.

Estátua que se move; A melhor pegadinha de todas TODAS!!!

Aconteceu em Goiás, na cidade de Luziânia, bairro Jardim Ingá, onde, segundo a Polícia Civil, Marcone Alves da Silva, 24 anos, foi encontrado desacordado após tentativa de assalto a uma loja de artigos religiosos. O que me faz lembrar dessa pegadinha do Silvio Santos:

O depoimento do coió deu conta de que, ao entrar na loja quebrando a porta de vidro do estabelecimento, uma estátua de preto velho - aquele guia da Umbanda que representa os espíritos de fé ancestrais africanos/ex-escravos - danou a se mover. Pensando se tratar de um espírito (a imagem tem 1,60m), ele desmaiou de susto e, ao ser encontrado pela polícia, recobrou os sentidos e pediu que o "espírito" não o levasse para o inferno.

Não vou nem entrar no mérito de o ignorante achar que uma entidade da Umbanda seria responsável por levar bandidos bunda suja como ele para o inferno Católico/Evangélico. Seria como assistir a um filme do Rambo e esperar que seu maior inimigo fosse um Terminator T-800 (hmm, bem que podia rolar esse crossover, mas deu pra entender, né?). Enfim, a questão não é religiões ou o entendimento delas, mas do pulha que se mete a bandido, mas tem nervos frágeis. O que me fez lembrar disso aqui também:

Agora, o fim do segredo... Não, não teve espírito nenhum se movendo. O que ocorre é que o dono da loja já havia sido assaltado outras vezes, então adotou um método inusitadamente criativo: Amarrou vários fios a imagens para que, ao ter o lugar invadido, as imagens fariam barulho alertando o vigia, de modo que ele viria em socorro do patrão. Foi o que aconteceu, só acho que o vigia não esperava encontrar o bestão tirando um ronco com medo de um suposto encontro com o capiroto.

Eu não falo nem nada, quem vai traduzir de maneira sublime meu sentimento vai ser saudoso titio Dalborgas:

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O risco Brasil para a Copa FIFA 2014


O presidente da FIFA, Joseph Blatter afirmou, nesta quarta (18), que o Brasil pode ter sido uma escolha errada para sediar a Copa 2014. E vendo como os investimentos estão indo pra todo lado, inclusive lados obscuros da cidade, eu concordo. Pode vir o Ronaldo defender que a Copa vai deixar um importante legado para a população, que eu não tô nem aí. Primeiro, porque o ex-namorado das ronaldinhas não me fede nem cheira enquanto personalidade midiática de relevância (é, futebol pra mim é só um esporte e ele nem joga mais), e segundamente, que esse jovem conseguiu falar duas asneiras, uma hipócrita e outra escancaradamente mercenária. Ele disse que um país que quer sediar uma copa não precisa de hospitais, e sim estádios... Depois, falou que a população não precisa protestar, porque os países que sediam esses eventos dão um grande salto em questão de desenvolvimento e qualidade de vida.

Vá chupar cotoco de rabo de hiena, né, bacana? Pô, o Pan do Rio foi há 6 anos e não tem nada NADA que tenha sido aproveitado. Instalações abandonadas, complexos esportivos desfeitos, um estádio que parecia ser o carro-chefe do legado do Pan está interditado por já apresentar problemas de estrutura de uma construção centenária e por aí vai. Aliás, fora os transtornos do trânsito, aquela beira da Radial Oeste - justamente entre o Maracanã e a UERJ - está com construções derrubadas ela metade e faixas de protestos cobrando uma tal promessa da prefeitura de construir um polo automecânico no lugar - pra quem não conhece, ali é uma sequência de pequenas oficinas que tomam parte da pista pra quem vem pro subúrbio. Resumindo, nada NADA é aproveitado, porque se o interesse fosse melhorar a vida do cidadão, já teríamos visto resultados que não fossem placebos eleitoreiros, popularescos e interesseiros. Enquanto a gente tem que sair uma semana mais cedo pro trabalho, o führer governador viaja de helicóptero "porque é normal", ou seja, é porque ele tem poder pra isso e ninguém chia, né?  

Voltando à vaca fria, digo, ao presidente da FIFA, ele afirmou que os protestos são problema do governo do Brasil, mas que o que ele não quer é que manifestações atrapalhem o espetáculo pra inglês ver. Ele considera que o Brasil pode ter sido a escolha errada, mas se a gente lembrar, não houve escolha. Lembra que a Colômbia estava em disputa direta e saiu da competição meses antes do 'sorteio'? Pois é, aí, Blatter me manda essa "Para mim, estes protestos soam como alarmes para o governo, para o Senado, o Congresso. Eles devem trabalhar nisso para evitar novos protestos", ou seja, sua mãe te recomendando que se comporte na casa dos outros pra não passar vergonha (ela, de você), do contrário... ah, nem queira saber. Já vejo Pelé, o poeta, fazendo seu manifesto pra que esqueçamos os abusos centenários dos governantes pra que a orgia deles corra a contento (e até o baianinho Bebeto se "decepcionou" com Romário por não apoiar a suruba financeira). Blatter também diz que problema é seu não tem nada a ver com o momento tenso em que vivemos aqui: "A Fifa não pode ser responsabilizada pelas discrepâncias sociais que existem no Brasil". E, depois de uma lenga-lenga entre fazer média dizendo que protestos pacíficos são direito do cidadão, mas que não se pode aceitar esse comportamento de um país-sede, ele até que fala uma verdade: "Não somos nós (a Fifa) que temos que aprender com os protestos, mas sim os políticos brasileiros".

Sei não, hein, mas acho que vai dar merda. Os políticos estão tão com seus cus na mão nervos à flor da pele, que não me surpreenderia que a repressão voltasse com tudo contra a manifestação popular. Já temo que o clima de medo oprima - de novo - o Brasil, ou que se crie um estado totalitário em favor da boa imagem que eles querem inventar do Brasil lá fora e aqui dentro (os anos '60 e '70 e parte dos '80 ligaram e disseram que estão tendo um dejá vù). Muito dinheiro investido e muitos interesses futuros estão envolvidos. Acho que muita gente sairia perdendo de goleada se o evento miasse. Então, tenho certeza acredito que cancelar o evento é algo impensável, mas o que vai se fazer pra garantir isso, aí é que anda meu pessimismo.

Fonte: Super Esportes.

terça-feira, 16 de julho de 2013

É só uma piada? Tem certeza?



Algumas tiradas do documentário: 




E esse "grand finale" nada mais é do que o que eu falei o texto inteiro, sobretudo na parte da sexta série mental em que muitos vivem se achando comediantes. Público, tem até pro crack, então, audiência não determina qualidade, ainda mais, quando pensamos na parte conservadora que essa gente defende por tabela.

Presença de Anitta: Não é talento, é bombardeio midiático

Antes de prosseguir, queria divagar (mais?) um pouco sobre o título: Já que é pra fazer um trabalho de forte mídia para um subgênero pop baseado numa raiz pasteurizada, porque não escolher gente que tem talento de verdade? Tanta gente nos reality shows e concursos musicais, e o pessoal dos escritórios de grandes conglomerados conseguem... isso que tá aí?! Na boa, parece até sacanagem, industrializar o funk pra vendê-lo modificado esquecendo sua raiz, e o boneco que escolhem nem bom é. Tá certo, concordo que o funk seria uma ferramenta poderosa como voz da classe pobre, mas desperdiça com machismo, sexismo e violência banalizados, mas também não gosto dessa usurpação. Já fizeram isso com o pagode e virou um lixo que nem os caras mais aguentam, misturam com poutras coisas porque nunca foi a deles, mas vamos lá...

Te desafio a não encontrar a menina em qualquer
seção de jornal. Tudo, menos música.
Sabe como o Jornal Extra poderia ser chamado atualmente? O Diário de Anitta. Ou melhor, Presença de Anitta! Porquê? Porque já tá descarado demais a mídia que a divulga, né? A gente sabe que esse público que consome esse tipo de entretenimento esquece muito rápido de seus ídolos - e, confesso, minha esperança é que esqueçam logo esse produtinho do pessoal do marketing, justamente - porque é puro embuste impulsivo. Relendo o texto até aqui, é muito mais fácil entender porque todo santo dia o supracitado veículo popularesco traz alguma notícia inútil sobre a menina. É um tal de fotos da projeto de panicat garota quando era criança/adolescente - tipo, até ano passado - e um texto tendencioso sobre como ela já era determinada e predestinada, ou sobre um ex-namorado secreto (QUÊ?!?), alguma insinuação de ter ficado com um jogador igualmente irritante e onipresente na mídia populista, etc, etc. Enfim, querem produzir uma rica biografia de uma marca que foi criada ano passado como se já estivesse aí há anos... Francamente, Sandy & Júnior têm mais respeito no cenário artístico, até de mim que nunca fui fã.

Mas o pior ainda está guardado. Quando tudo parece já estar ruim o bastante, vem o Naldo (agora forçando uma de sobrenome artístico Benny) e abre o bebedor de vodca ou água de coco - porque, pra ele, tanto faz - aliás, abre a boca e não é só pra cantar mal, também pra falar que a presença de Anitta é muito boa, quanto mais melhor, pois, ele abriu portas... Putz, cara... só se foram as portas dos fundos pra fugirdo público ou brigar sossegado com seu amor de fachada... chantilly. Tudo nesse menino é forçado e tem maior cara de 'vamos vender logo ele, antes que fique velho demais para o público que o compra'. MAs o pior é que ele é igual a um terceiro elemento deslumbrado pela turma da propaganda global, que é o pequeno thiaguinho, o uivador. Lembra quando o jovem pagorrapper (adoro meus neologismos) falou que se sentia feliz por influenciar tanta gente com o estilo que ele e o Rodriguinho criaram? Quando ele lançou que tinha modificado a história do samba? Pois é, ele ignorou que o próprio Rodriguinho já era famoso seguindo um estilo criado pelo Raça Negra quando ELE (Rodriguinho) ainda era moleque.

Essa foi a reação às críticas do playback, antipatia e longa demora
(até pra uma gravação de DVD). Logo depois, apagada.
Aí, vem o ex-segurança de supermercado que não reconhece nem a própria família direito - amigos que se sentem esquecidos, então, já vi por aí - e diz que abriu portas... Obviamente, devia estar ocupado demais com alguma coisa que não viu Claudinho e Buchecha se lançarem do mundo comum do funk para todas as paradas, com direito a dancinha e tudo, embalados pelo hit Conquista, né? Enquanto ele miava ao lado do (falecido) irmão, Lula - que, dizem, era o juízo da dupla - até o Latino que, antes de ser uma galhofa completa, tinha lá seu conceito como cantor de funk melody.

Sabe, fico puto da cara e desgraçado da minha cabeça, como diria saudoso Tio Dalborgas, quando aparece um boi de piranha do mercado fonográfico desses chega pra dizer que mudou, influenciou, criou ou que é alvo de inveja das pessoas recalcadas... Ah, tu para, né? É como uma UMA garrafa de Coca-Cola qualquer achar que revolucionou o mundo, mas ela é só mais uma que gelou mais rápido e que vai ser consumida até acabar. E todos TODOS nós sabemos, que Coca-Cola é só pressão, momento que dá e passa, sem deixar muito rastro. Agora, um recadinho do mestre sobre essa palhaçada toda.
    

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ronaldo, Spider, Neymar... Isso é show business, baby!

Deixa eu começar com um nariz de cera legal (jargão jornalístico pra toda aquela parte inicial do texto que vai esquentando e aquecendo até o assunto principal). Em 1998, dizia-se que a seleção francesa de futebol estava mal das pernas, que seu país passava por um certo climão geral de baixo astral e tals, crises e blá, blá, blá. Ao passo que a seleção brasileira vinha para a copa como a grande favorita, pois era a campeã do mundial anterior (EUAses, 1994), metade do time tinha grandes contratos profissionais (futebolísticos e publicitários), além do quê, a grande revelação brasileira de 4 anos antes, naquele momento, era o grande 'fenômeno' do futebol mundial. Dessa vez, o garoto Ronaldo não era mais uma promessa, era a grande estrela, já que Romário, o real craque - último craque completo até hoje, pra mim - havia sido cortado numa situação estranha, como se tivesse tempo de se recuperar - e teve, tanto que voltou a jogar pelo Flamengo logo, logo. Começa o mundial da França e, dentro de campo, nossa seleção estava sobrando. Aí, aconteceu, justo a atual campeã chega à final, depois de jogos bem mornos e uma disputa de pênalties com os atuais vice-campeões, a Itália. Justo o time que embalava a copa, perdeu feio sem ter se movido em campo, e a seleção que veio se arrastando, ganhou numa goleada tranquila, como se fosse Holanda de 1974 contra o XV de Jaú de... qualquer tempo.

Na época, pipocaram acusações de que a tal menstruação ejaculação precoce crise epilética do Ronaldo teria sido uma manobra pra disfarçar o desânimo da seleção brasileira, outros acharam que a seleção jogou de salto alto e perdeu por isso, enquanto ainda havia uma corrente defendendo que nem amarelaço, nem arrogância, o troço todo teria sido mesmo uma grande armação pra dar moral ao futebol francês e deixar a comoção popular unida e distraída pelo placebo que é o futebol. Em meio a isso tudo, pintou o argumento de que brasileiro estava desacostumado a perder. Sabe o que eu acho? Que a conspiração faz muito sentido. É como Renightato Gaúcho falou quando o Vasco estava prestes a ser rebaixado em 2008, a tal da mala branca vai correndo vestiários e resolvendo resultados expressivos pra facilitar esse ou aquele time. Tipo, um time que não compete por mais nada e não vai cair, bem que poderia, com o incentivo certo, jogar um pouquinho mais ou relaxar de vez pra dar aquela força camarada a outro que depende de resultados de terceiros. Ou até prejudicar aquele rival que está em melhor situação... Mas deixa eu voltar...

O negócio é que logo depois dos manifestos, o Brasil relaxou na luta (num luta que realmente importa), como já era de se esperar, pois, quem sai às ruas só pra tirar foto pro facebook sem direcionamento político, tende mesmo a enjoar da micareta. Sendo assim, todos prestando à atenção à seleção - justo como Pelé, o poeta, pediu - esqueceram de um detalhe: O futebol é o maior placebo social desta nação. Como pode um esporte ser uma paixão nacional? Fácil, o futebol, o samba e outros elementos de apelo junto a praticamente todas as classes sociais são usados sim, e desde a ditadura que é assim (na verdade, antes, mas se intensificou ali, mas falo só sobre isso depois). Os gritos e fogos de gol abafavam os gritos de dor dos torturados e das famílias que choravam seus desaparecidos políticos. Então, sempre que alguém vier com a defesa "ai, mas novela, música e futebol não têm culpa do país estar uma bosta", sério, repreenda como se fosse o próprio capiroto, pois, é certo que essa pessoa já foi tomada pelo demônio da mídia sugadora de espíritos contestadores.

 Imagina que um entretenimento tão caro seja na base do "que vença o melhor"? BULLSHIT!!! Lembra quando Mike Tyson voltou à ativa lá pra 1996/97, sei lá? O adversario dele, um irlandês de nome Peter fujão McNeeley (ou coisa que o valha) ganhou, além de uns tabefes, uma boa grana, só pra levar um soco, cair pra trás de bunda e... KNOCK OUT! Anderson Silva fez isso agora e todos caem de pau nele (UIA!). Dizem que foi displicência, talvez por achar que ninguém teria coragem de peitá-lo, outros vão para a conspiração de que ele se vendeu, e aí, há duas correntes, há os que acham que ele se vendeu simplesmente, e há os que acham que ele esteja preparando um retorno triunfal, pois, talvez com o apoio do próprio UFC, ele estaria tornando o esporte um tanto quanto tedioso, pois, era entrar em um octógono e todos sabiam no que ia dar. Assim, ele perderia agora, já com revanche marcada. Por fora, os filhos vão postando na internet que o pai está cansado de lutar, o próprio já disse isso e ainda tem a tal aposta anônima de 1 milhão... disse MILHÃO (é, 1 com 6 zeros 000000) em nome do adversário... MAS HEIN!!?!? Essa aposta é alta demais até pro Spider, imagina pra um novato desafiante CONTRA o Spider, campeão invicto há mais de 6 anos?

O que me faz voltar à seleção. Lembram do oba oba que a Globo fazia antes da copa das confederações? Era de se esperar, já que uma emissora quer mais é que o público fique tão inflamado e ufanista quanto Galvão Bueno, pra correr para a frente do televisor. Mas depois de tanto tempo com resultados tão medianos até pra jogos medíocres, como a seleção ficou tão boa e como a seleção espanhola, invicta a 3 anos esteve tão apática - principalmente conforme a copa avançava? Uma resposta `s provocações brasileiras pelo título foi que o Brasil sendo campeão agora, teria que fazer um milagre pra quebrar uma tal maldição de que quem ganha a copinha, não chega a erguer o troféu (porque taça é um tipo de copo pra mim) na copa geral. Isso me pareceu aquele valentão que te olha bem sério depois que você ganhou a briga na saída da escola por causa de um empurrão sortudo ou um tropeção conveniente do grandalhão, saca? Você sabe no fundo que vai dar m*erda depois. E mesmo que não dê, isso tá me cheirando muito a mundial de 1998, quando a França vinha reclamando de tanta coisa e sua seleção dá essa alegria ao povo.

Na boa, a moral de um povo inteiro ficar nas mão... pés de esportistas é como pedir ao santo papa que realize aquela cirurgia delicada que a pessoa precisa, só porque ela tem fé.

Anderson Silva já tá agendando sua revanche pra breve, apesar de já ter perdido a liderança do ranking, prestígio junto a patrocinadores e possíveis empresários da propaganda, além da imagem arranhada com o público. E a seleção vai embalar qual em 2002, quando todos temiam mais um vexame, e a seleção foi campeã, com direito a heroizificação do Ronaldo e do Cafú, dois veteranos que não ganhavam nada (desde a reserva em 1994), e passaram a ser recordistas de permanência ou marcação de gols com a amarelinha. Lembrem-se, crianças, enganação também pode ser positiva. Fique aí como o gigante que levantou... e andou até a TV pra saber quanto tava o jogo, que quem tem dinheiro continua co dinheiro até perdendo e fazendo orgia, independente do resultado, quem chora é você que continua pobre, roubado e ainda sem gritar gol.

Pra mim, a revanche de Spider vai ser contra Scheila Carvalho, mas só quando ela sair da fazenda.

Já reparou em quantas situações "vendidas" o empresário dentucinho está envolvido?
E um outro esclarecimento sobre a copa de 1998:
Rá!

sábado, 6 de julho de 2013

Mister Mu: De onde ele veio e pra onde ele foi?

Sério mesmo, amigo garcianauta (wtf?!), pode parecer meio cafona hoje, para os mais novos, mas pra quem viveu infância e adolescência nos anos '90s, isso aqui é tesouro puro. Pra ativar a memória afetiva. Com vocês: Mister Mu.

Na verdade, Marcos Medeiros, gonçalense radicado no bairro carioca do Recreio dos Bandeirantes, 47 anos, está na ativa ainda. Depois de 3 casamentos, 4 filhos e 3 discos lançados, ele sabe que o sucesso é uma onda que passa, então, tornou-se empresário do ramo imobiliário, mas não pretende parar de cantar.

Lembro dos meus 11 anos, mais ou menos, quando ele despontou com o sucesso Desconhecida, regravação de Fernando Mendes (1973), ainda teve o hit Ricardão, mas depois de um temo, sumiu. Tinha aquela piada:

- Mister Mu morreu.
Morreu de quê?
- Atropelado por uma vaca.



A piada é horrorosa, desculpem por isso, então, pra compensar esse momento melancólico, vou deixar a apresentação do artista em referência no seu maior sucesso, no longínquo ano de 1994, no Xuxa Park. Adoro esses vídeos com épocas datadas de quando eu já era grandinho pra notar roupas, penteados e pessoas.


Clique aqui e veja como está Mister Mu hoje em dia.

Cotas raciais: Não é assistencialismo, é justiça

Esse texto é uma reflexão interessante pra mim, pois, é algo que sempre friso quando tentam empurrar aquela ideia burguesa de que o pobre só o é porque foi preguiçoso pra estudar e trabalhar. Ou a ideia de que o negro não tem dificuldades a mais pela cor e herança cultural minada pela sociedade. Como se a escravidão e o racismo tivessem sumido em 1988 como num passe de mágica. Enfim, como se o fato de não haver escravidão declarada, nos moldes do que havia aqui estivesse ligado diretamente a uma condição natural de igualdade entre negros e brancos. Aliás, eu mesmo já fui contra cotas nesse mesmo blog há alguns anos, felizmente, eu tive capacidade e decência de me aprofundar no assunto tempos depois e hoje, anos mais tarde, eu faço uma retratação a mim mesmo, pois meu eu passado sofra de ignorância cultural histórica, sendo vítima do nosso sistema de educação que repassou os mesmos velhos moldes de conteúdo afim de manipular a mentalidade da população. Nem todos têm a capacidade de contestar suas antigas aulinhas de Moral e Cívica ou história. Ninguém pensa se o fato de ser papel, permite ao livro ter impresso qualquer coisa ali. Muitos não questionam a quase ausência do negro na história, apesar de termos sido trazidos à força aos milhões. Não, você aprende hoje que o preto é que tinha escravos, então os brancos só se aproveitaram disso. Você ignora que a igreja católica torturava e matava quem se ousesse à sua dominação e aprendeu a ser católico também... Enfim, estou divagando.

Por ter uma situação financeira razoável, achava que a coisa (racismo) não era tão ruim, mas ao iniciar meu projeto de monografia (que originou meu blog www.raizdosambaemfoco.wordpress.com) para a faculdade particular que eu cursava, vi que o resgate das cotas é cultural e histórico e não um assistencialismo barato. Não é um paliativo ou uma muleta social 

É tudo o que o governo/império deveria ter feito se a "abolição" fosse mesmo um ato humanista da bondosa coroa imperial e não uma convenção político-econômica, seguida de um golpe de estado, um ano depois - que chamamos solenemente de Proclamação da República. 

Simplesmente abriram as senzalas depois de não aguentarem as revoltas que eclodiam cada vez mais frequentemente pela liberdade e fingiram assinar um papel na boa, de proatividade. Só esqueceram de integrar o negro à sociedade. O negro deixou de ser escravizado, mas não foi feito cidadão. E, em muitos pontos, ainda não é. 

Preferiu-se trocar a escravidão por mão-de-obra assalariada imigrante, mas o negro foi empurrado para as margens da cidade, como um lixo a ser ignorado até que desaparecesse. Daí, nossa cultura de achar que somos todos mestiços, ignorando que mais da metade da população é negra, resultado da própria escravidão que trouxe tanta gente da África pra cá.

Aí, nos livros, o negro virou tudo de ruim, cabelo, nariz, cor, religião, música, folclore, mitologia, etc. Assim, a sociedade é (des)educada de forma massiva, assim, os mártires negros são ignorados e os poucos reconhecidos pelo grande público - Zumbi, por exemplo, se tornam maus, feios, chatos e bobos. Lembro-me que aprendi na escola sobre diversos nomes famosos daquele período, mas muitos eram negros ou mulatos e isso não era frisado. 



Ainda há a crença de que por sermos todos humano, não há racismo, que racismo é paranoia e egocentrismo de negro recalcado. Mas tudo bem, tem quem negue o holocausto durante a II Guerra, e tem quem discuta se existe mesmo miséria. É o tipo de pensamento medieval e reacionário de quem acha que deve manter tudo do jeito que está, como se o universo tivesse mesmo essa propriedade de desigualdades sociais. Como se quem reage contra esse sistema fascista de genocídio de pobre - ou pobricídio, como acabei de inventar - fosse rebelde sem causa e não um militante por um mundo melhor. É o tipo de pessoa que defende que na época da ditadura tudo era melhor, pois os gritos de gol pela seleção placebo social abafavam os gritos de dor dos torturados e os choros das famílias destruídas.


 Só estamos do jeito que estamos justamente por que a maioria acha que não precisa reagir. Aí, quer ir pra rua numa modinha micareteira sem nem saber do que reclamar, aliás, sabem sim, sabem reclamar que uma 'festa que tinha tudo pra ser bonita é estragada por meia dúzia de vândalos'. Algo está muito errado.

Ps.: Reparou na naturalidade da moça da foto? Notou que ela não é um ser de outro mundo e sim, um ser humanos que viveu pra servir outros condicionada a isso por ser negra? Vi essa e muitas outras fotos numa exposição no CCBB e me emocionei... Pessoas torturadas e escravizadas e, depois, abandonadas pelas ruas e favelas sem chances de ser cidadãs. As cotas são muito válidas sim, não são pra tirar a vaga do classe média, mas pra resgatar o que não foi oferecido por direito a seres humanos de um determinado grupo social. 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Trem é um carinho sem pedir

O dia foi hoje, mas não vou dizer que dia é hoje, pois, a despeito da data que vai ficar registrada a postagem, quero que você que está lendo isso agora, sinta-se como se fosse qualquer momento por aí pra quem anda de trem nos horários de maior movimento, ou seja, retorno de trabalho, curso, faculdade, etc.

Quando cheguei, olhei o monitor que indica(ria) a composição, seu destino, a plataforma, linha e o horário. Besteira, porque, agora, o horário não é mais anunciado, talvez, por um receio da própria concessionária não querer cair no perigo de prometer um horário e o trem sair em outro (invariavelmente esse 'outro' horário sempre SEMPRE é pra mais, ou seja, atrasado). Não sei se foi uma medida preventiva, ou se foi alguma reclamação, como aconteceu com o clássico "quer pagar quanto?" de uma famosa rede de lojas.

Pois bem, entrei no trem e me comportei (não esporrei na manivela, como os Raimundos - dos bons tempos fariam) e aguardei o trem sair. Saiu. E só uns 5 minutos na espera, grande evolução, já que no dia anterior a espera foi de meia hora e muita chuva, relâmpagos e sapos do céu pro chão (sim, tinha proporções bíblicas pra quem aguarda um veículo que não sai e só faz encher de chuva e de gente). Como era de se esperar, ele foi enchendo de forma assustadora, coisa de você não conseguir ficar na mesma espremida posição de uma estação pra outra, pois, a cada parada o troço recebia uma ejaculação de gente pra dentro (UIA!), sim, é um ato sexual. Trenssexual. Acabei de inventar e acho apropriado.

Não bastasse o desconforto nosso de cada dia, coisa que estamos acostumados, mas não deixa de ser uma selvageria, ainda tinham braços entrelaçados próximos ao meu negro e injuriado rosto. A situação parecia um pouco mais confortável - pra mim - quando eu olhava uma moça que nem chegava ao meu ombro - tudo bem, tenho quase 2m de altura, aliviemos - e uma outra, ao seu lado (dela, não de você que lê) que mau passava do ombro da colega. As duas pareciam uma pessoa agachada, pois, não se via nem seus ombros, tantos eram os obstáculos de bolsas e mãos emaranhadas.

Haviam umas 10 pessoas só no espaço entre a barra de metal em que eu me espremia e a porta. Pra se ter ideia, era uma área de um metro, um metro e meio, no máximo. Dei muita sorte de ser um trem com ar condicionado, pois, nem todos são assim, e nem todos funcionam o tempo todo de viagem, como aconteceu no dia anterior - e olha que eu só faço uns 20, 25 minutos de viagem. Imagine quem vai da Central a Japeri, Nova Iguaçu ou Santa Cruz? Pra quem não é do Rio de Janeiro, pense num percurso de uma hora, uma hora e meia. Faça esse exercício e sofra com a identificação imediata, ou chore por aqueles que penam aconchegados em desconhecidos suados e de desodorantes vencidos.

Isso tudo, numa NUMA viagem só de volta. Não falei das viagens de ida que já trazem os mesmos dramas, e ainda com um plus, os camelôs informais - não regulamentados pela propaganda da concessionária - e os evangélicos. Sinto muito, não quero parecer preconceituoso, mas não vejo católicos com velas ou espiritualistas com tambores num vagão em décadas de trem na minha vida. Fora que há letreiros bem visíveis pelos vagões alertando que há lei que proíbe QUALQUER manifestação religiosa, pois, quem quiser procurar uma igreja vai procurar, e quem já é de lá, que aproveite e curta seus momentos de comunhão com seus pares. Mas estou divagando.

O negócio é que estamos falando aqui de um meio de transporte que há apenas 10 anos era mais barato que ônibus, isso quando os ônibus mal passavam de 1 UM real, talvez chegando a 2 (quando os aumentos não eram previstos pra fazer as empresas e a prefeitura lucrarem tão descaradamente). Agora a brincadeira passa dos 3 reais e contando. Onde vamos parar?