Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Beijo Gay Às 21h

Caras, eu não compro muito essa ideia de ‘beijo gay’, simplesmente porque não vejo um beijo tendo sexualidade direcionada. O tempo todo, homens e mulheres se beijam de forma afetuosa, familiar, pra aparecer e mais qualquer outro motivo. Agora, dizer que o beijo é gay só pra dar o que falar é uma apelação que já virou um clichê, ou melhor, uma lenda urbana, tipo a bola quadrada do Quico.

Falo isso porque a última que eu soube, seria uma ‘carta branca’ dada a Walcir, O Carrasco, para que enfiasse (UIA!) um beijo gay – quórum pra isso ele tem, já que além de vários personagens gays, ele simplesmente pode decidir que todo o elenco virou gay numa batalha no Iraque entre gorilas-ninja cibernéticos vindos do futuro e mulheres venusianas gigantes com tanguinhas de leopardo, visão laser e braços biônicos, no planeta Zandor.

Hipérboles à parte, eu fico até com um certo receio – paranoico, admito – de que esse ‘boom’ de personagens gays de uns anos pra cá seja apenas pra atrair o público gay na expectativa de ver um beijo entre homens ou mulheres no horário nobre. Seria uma vitória para a militância pelos direitos igualitários e o respeito social ao gay, mas, na boa? Beijo gay já rolou em tantos lugares que a questão de ser numa novela global é quase um fetiche, apenas.

Tantos filmes aí em que atores até conceituados se beijam e simulam sexo, que esperar isso de uma novela é tipo, o que falta só, porque assim quem rolar, explicitamente, vai perder a graça e não vai mais restar nada, talvez esperem alguma outra coisa, mas aí seria dar asas demais à imaginação, fica pra outra hora.


No mais, esse negócio de falar em beijo gay, com essa definição de sexualidade é só pra criar expectativa, uma ambientação pra gerar burburinho, mas é inútil, porque ninguém fala em ‘beijo velho’ entre idosos ou ‘beijo gordo’, entre gordos. Beijo é beijo, e você faz em quem te der na telha, em quem te agradar, oras. Beijo com sobrenome, talvez TALVEZ o esquimó, mas como nunca vi um casal esquimó se beijando, nem sei se é verdade ou lenda.

E, lembrando, já houve outros "beijos gay" na TV aberta.Gisele Tigre e Luciana Vendramini que o digam.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Delegada trans pode assumir Delegacia da mulher em Goiânia

Delegado Thiago.
Lendo sobre um delegado... uma delegada trans com possibilidade de assumir a Delegacia da Mulher de Goiânia, comecei a refletir sobre o lugar da pessoa trans em nossa sociedade. Eu não domino o assunto, mas tecerei algumas considerações sobre minha visão, pois, mesmo assim, acho importante pra outros ‘leigos’, como eu, que possam estar em algum ponto do entendimento por onde passei. Mas, pra isso, preciso contar uma historinha que eu vivi.

Eu costumava achar que não havia problemas nas pessoas gays, mas que era exagero se vestir como o sexo oposto ou mesmo mudar de sexo. Com o tempo e diversas pesquisas sociais, aprendi que as pessoas precisam se sentir bem consigo mesmas e que se pra isso é preciso mudança, que o façam! Em segundo lugar, aprendi que não é apenas uma fantasia, para muitos é questão de sobrevivência ser e ser respeitado por ser, sem favores, sem condições. E, por último, mas, talvez, o mais importante: NÃO É da MINHA conta! Não é pra me agradar , nem pra me ofender que gays são gays, micareteiros são micareteiros ou grampeadores são grampeadores.

Delegada Laura.
Quando passei a enxergar o mundo como quem quer realmente entender as pessoas nele, passei a, primeiramente, ME aceitar, com tudo que tenho e sou. E essa plena consciência de mim mesmo me fez perceber que é isso que fez a diferença pra mim, minha autoconfiança, o livramento de um peso que – acho – atrapalhava até minha criatividade pra escrever – já que isso, direta ou indiretamente, afetava no desenvolvimento do raciocínio, preocupado em ser alvo de críticas que, talvez, eu mesmo compactuasse. Até que fui aceitando e resolvendo outros preconceitos. Parei de viver o “eu respeito, mas longe daqui” e passei a gostar de ser o “venha como você é” e a coisa fluiu, pelo menos, pra mim.

Qual é a diferença entre uma mulher que nasceu mulher e uma que se sentia mulher, mas sendo, biologicamente, um homem? Nenhuma... ou melhor, é relativo. Por exemplo, será que uma mulher lésbica entende mais de ser mulher do que um homem gay com o desejo de mudar de sexo? Nunca saberemos, mas isso não importa, a delegada Laura (antes, Thiago de Castro Teixeira), que está em licença, será lotada em outra delegacia, que ainda não está definida e é mais uma pessoa, não um dado pra ficarmos determinando aqui a legitimidade de sua mudança de sexo.

Delegada afirma ter apoio dos colegas "Estou tranquila".
Mas o que me traz a este texto é a informação - e o modo como é colocada - por Cíntia Barcelos, advogada especialista em direito homoafetivo e presidente da Comissão de Direito Homoafetivo da OAB-GO. Antes, saiba que enquanto não é acertado o destino da delegada Laura, a assessoria da Polícia Civil já afirma que a licença é uma questão pessoal e que não interfere em nadano trabalho da instituição. Sobre isso, Cíntia confirma que a mudança do registro civil não altera a situação jurídica da pessoa, o que deve ser alterado é o comportamento da sociedade em relação ao assunto. Ela também acredita que Laura poderá servir de exemplo para desmistificar a questão e incentivar outros que estejam com esse desejo reprimido pelo medo da reação da sociedade.


Chyntia Barcellos
Não é sobre mim, não é um favor que eles fazem e não é uma honra concedida, sua vida é sua vida, faça dela o que bem quiser, pense em consequências, mas também pense em arrependimentos por manter sonhos engaiolados. 

O mundo não se alterou em nada quando mudei de opinião e passei a ter convívio com mais pessoas que foram me comprovando que eu estava no caminho certo mantendo minha mente aberta às pessoas por si só e não esperando que me agradassem de acordo com fórmulas e rótulos estereotipados na mídia e na sociedade. Não são objetos pra eu apontar, são pessoas pra eu respeitar.  

Fonte: O Dia.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Nem de rolezinho, nem pra ser peão

Trabalhadores são impedidos de acessar clínica em edifício luxuoso na Barra da Tijuca. Administração dos edifícios alegou que seria uma poluição visual, causariam mau cheiro e recomendou que não tocassem nas paredes, até que se dirigissem ao elevador de carga.

Trabalhadores mostram documentos referentes ao caso

Elevador é quase um templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai (...)

Era pra ser uma sequência corriqueira de exames admissionais, numa clínica de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Porém, antes disso, na hora da autorização para seguirem até a sala do consultório, localizado no condomínio comercial Le Monde, 18 trabalhadores, predominantemente negros e “pardos”, foram humilhados pela administração dos edifícios. Eles estavam lá para, em seguida, assumirem vagas de ajudante de pedreiro, pedreiro e servente nas obras da Linha 4 do Metrô, e já tinham feito exames de sangue e raios-x.

O cardiologista Renato Sérgio Fernandes Pinto, sócio da clínica BioCardio
Médico Renato Pinto, um dos sócios da clínica
BioCardio, para onde os trabalhadores seriam
encaminhados.
Na entrada, foram direcionados ao elevador de serviço e ainda ouviram de um dos responsáveis que causariam “poluição visual e mau cheiro”. O caso foi registrado na 16ª DP (Barra) na noite da última quarta, 15/01. Apesar das tentativas de se esquivar, como alegar que não liberou o acesso aos candidatos por não terem apresentado documentos, versão rechaçada pelo PM  chamado ao local e que presenciou a frase sobre poluição e mau cheiro do administrador do Le Monde, Felipe Alencastre Gilaberte, que foi acusado de injúria e desobediência, por ferir a lei que proíbe a restrição de acesso pela entrada de edifícios residenciais e comerciais.

Quem cede a vez, não quer vitória
Somos herança da memória (...)”.

Renato Sérgio Fernandes Pinto, sócio da BioCardio que estava à frente da situação para que pudesse liberar os candidatos, afirmou que essa é uma questão recorrente. Para ele, a administração do Le Monde já provoca essas situações para forçar a saída da clínica que “quer atender 100 pessoas por dia”, nas palavras do administrador de lá. Os trabalhadores ainda ouviram de um segurança, recomendações de que não tocassem nas paredes. Para o cardiologista Renato Pinto, o condomínio não gosta que sua clínica funcione ali, devido ao público que atende.


No frigir dos ovos? Vai ter gente justificando o condomínio, que por algum motivo, candidato a emprego de ‘peão’ tem mais é que ir ao elevador de serviço e subir e descer feito carga e que ninguém é santo nesse mundo (sim, conservadores preconceituosos não elaboram bem seus argumentos), mas esse é o motivo da repressão aos rolezinhos. Não é porque pobre tem que saber se comportar como o rico quer e não é porque pobre tem que explodir,  e porque pobre tem que saber seu lugar, segundo essa gente. E me dá ânsia quando vejo apoio a esse tipo de atitude até de negros de classe média ou pobres que ainda defendem querendo usar um ou dois exemplos de exceções à regra. Tipo “ah, mas eu conheço um ou outro caso que deu em assalto...”. Pra essa laia eu digo: Vá lamber um bode suado. 

Fonte: Extra.

Escravidão por Cotas no Mercado Livre do Valongo

Achado para não ser esquecido
Em viagem ao Brasil, o pintor francês Jean Baptiste Debret (1768-1848)
criou a gravura acima: Um retrato do mercado de escravos do Valongo,
no Rio de Janeiro. O "Mercado Livre" da época.
Já há quase 130 desde o fim oficial da escravidão no Brasil, sistema que tinha por base a compra e venda de negros sequestrados e tratados como mercadoria da África para o Brasil. No antigo Cais do Valongo, Zona Portuária do Rio de Janeiro, onde tudo começou, pessoas negras eram compradas e vendidas livremente, ou melhor, comerciantes de gente traficavam livremente pessoas negras em regime de escravidão. De lá pra cá, o racismo deu certo, principalmente porque os que o exercem esconderam-no tão bem escondido que se convenceram de que isso é normal. Não se sentem opressores, ou, em último caso, beneficiários da opressão. Privilégios de uns e desvantagens de tantos é apenas um assunto aê, qualquer.

No caminho da luta por uma vida digna, entre tudo já conquistado, como Dia da Consciência Negra, leis antirracismo e ensino obrigatório da cultura africana nas escolas, está a lei de cotas. Visando uma acessibilidade à cidadania, ao ensino, ao emprego, que nunca veio naturalmente com a abolição da escravatura, as cotas têm por intento garantir a naturalização de convívio entre brancos e negros, ricos e pobres. Portanto, vamos parar de repassar esse mito de que cotas são um passe livre que trata o negro como incapaz, pois o cotista também vai ter que estudar pra passar, se manter e se formar numa faculdade pública, por exemplo. O resto é conversa de conservador racista que não quer reconhecer que a presença do negro e do pobre o incomoda – já que nunca reclamou das injustiças sociais e históricas que se perpetuam em suas mãos.

O tal anúncio do menino 'não racista'.
Aí, da escravidão centenariamente abolida e do mercado de escravos ainda mais antigamente abolido, vem o Mercado Livre – aquele mesmo, das vendas pela internet – e serve de palco para o anúncio de pessoas negras por um precinho camarada, só 1 real... CUMA?! Sim, não bastasse vender, tinha que anunciar pelo menor lance único, amigos. Investigação vai, investigação vem, rapidamente a Polícia Civil localizou e identificou o responsável: Um pequeno infante adolescente de 15 anos que, por motivos óbvios, não teve seu nome divulgado, então, vamos chama-lo de Cássio, igual ao participante do BBB14, cujo preconceito é ‘uma brincadeira’.
Nosso Cássio, morador da comunidade do Jacarezinho (sim, carioca, para me matar de orgulho) não passou na primeira fase do exame para o curso Técnico de Informática do Centro Federal de Educação Tecnológica (o popular CEFET) Celso Suckow da Fonseca. Segundo o anjinho, ele teria sido prejudicado pela adoção de cotas para estudantes negros, o que o revoltou e o impulsionou a publicar o anúncio de negros à venda num dos maiores portais de compra e venda do Brasil (não é jabá, é pra dar noção da gravidade e irresponsabilidade de ambas as partes).

A Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (belo começo de carreira, Cássio!) pegou o depoimento do jovem que confessou o crime e que ainda usou o e-mail da irmã – de 11 anos – para tanto. Depois de duas horas de depoimento, o menino foi liberado junto de sua mãe, uma professora de 43 e que jura que seu filho não é racista, porque não tem traços de agressividade (nem de intelecto também, pelo visto) e nem racismo em sua personalidade ou perfil de redes sociais (mãe do Cássio, não tem ou você não enxerga assim?). Também estava junto de seu avô, que o repreendeu por não haver negros aqui, apenas todos mestiços.

Resultado, por ser menor de idade, Cássio “apenas” foi enquadrado em ato infracional, artigo 20 da Lei 7.716, por ‘praticar induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional’. Cássio será encaminhado à Vara da Infância e da Juventude. Ele tinha esperanças de não ser identificado, argumento dele que fez com que a mãe não o levasse a uma delegacia apresenta-lo (em maio, merecerá um presentão, hein, mamãe!), mas a DRCI efetuou uma ronda virtual, com cruzamento de dados numa rede social. Segundo o delegado Gilson Perdigão, esse procedimento é mais trabalhoso, mas evita um rastreamento que dependa de ordem judicial.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial divulgou uma nota elogiando a rápida ação da Polícia Civil e também cobrou providências do Mercado Livre, que depois de ser alertado por internautas, retirou o anúncio do ar. Aliás, parabéns ao site de vendas por filtrar tão bem seu conteúdo! Tenho certeza que, neste momento, tem alguém pensando "Purra, mas eu tentei anunciar meu cubo mágico seminovo de 1987 e falaram que feria as políticas de conduta do site e pessoas negras por puro despeito são anunciadas sem ninguém reparar antes de ir ao ar? NINGUÉM?! Bah, acho que deixaram só de onda.".

E no frigir dos ovos? Bem, notamos coisinhas bem interessantes no caso do jovem Cássio. Ele pode até não ser racista, mas acho mesmo é que sua família nem saiba disso por ter aprendido – e repassado – um preconceito naturalizado que nem eles notaram ter. Se morando no Jacarezinho alguém tem topete pra ser racista, então, outro mito cai também. A turma do “o problema é social e não racial”, pois teimam que preconceito é tudo igual e que um negro não poderia sofrer racismo de um branco pobre.

O "original", de onde tiramos o pseudônimo
de nosso adolescente rebelde.
Pequeno Cássio também mostrou como a sociedade generalista pensa as cotas, como um passe livre até a formatura para negros humilharem brancos com suas largas vantagens sociais e raciais. Geralmente, gente assim não sabe e tapa os ouvidos gritando “lálálá, não estou ouvindo”, ao menor sinal de informação coerente sobre o assunto. E, pra finalizar, Cássio, que até chorou de arrependimento, se disse arrependido, mas quem impede a mãe de apresenta-lo a uma delegacia por achar que não seria identificado, só pode ter se arrependido de ser pego e não de ter feito.


Em todo caso, “Cássio”, estudar é pra todos, não só pra você – que não passou – mas também pra estudantes cotistas. Cotas não são supressão de vagas ‘normais’, mas adição de vagas ‘negras/índias/pobres’, justamente porque o intento é a democratização do espaço e do serviço público. Essa lenda de que é um passe livre é papo de quem quer manter o preto e o pobre “em seu lugar”, nas periferias, guetos e marginalidade em geral. Mas, tenho forte intuição de que isso não importa, vale é achar um culpado e, na falta de um mordomo, porque não estamos no Reino Unido, o negro cai bem como alvo dessa fúria, afinal, na nossa sociedade é quem mais entende de açoite, né? 


#sqn 

Fonte: O Dia

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Rosa Parks dá rolezinho no busão

"Começou num ônibus. Em 1º de dezembro de 1955, ela
mudou o curso da história e nos inspirou a todos
".
Rosa Parks, em 1955, recusou-se a levantar de seu assento num ônibus para ceder lugar a uma pessoa caucasiana e isso gerou revolta, pois até os veículos coletivos eram locais de opressão ao negro, relegado aos assentos nos fundos do veículo. Há quem diga que ela só estava cansada, mas como ela e seu marido, Raymond faziam parte de uma associação para o progresso das “pessoas de cor”, acho muito provável que tenha rolado um “incomodado que se mude”. Sendo ou não essa a origem, o fato é que ela desencadeou um boicote aos ônibus de Monterrey, estado do Alabama (EUA), depois veio a luta pelos direitos civis dos negros, liderada, entre outros, por Martin Luther King Jr., o mesmo que apoiou a atitude veicular da senhora Parks. “Ao menos, diga: Eu sou negro com muito orgulho”, dizia o pastor militante.

Bem, feita a intro, nossa história começa quando, ainda em 1955, Rosa Parks se encaminhou com seu marido para Hill Valley, onde ela sabia que aconteciam coisas estranhas. Lá, investigou e conheceu Emmet Brown, cientista com fama de imortal, pois é famoso desde o Velho Oeste estadunidense, mas não parecia ter mais que uns 50 anos. Enfim, conversa vai, conversa vem, Rosinha e Raimundão conseguem financiar a adaptação de um ônibus para que ele possa viajar no tempo (algo parecido já tinha acontecido, quando Graham Bell o financiara para que criasse o telefone, mas é boato, dizem). O fato é que o casal Parks conseguiram viajar e resolveram partir para o futuro, onde, segundo eles, o racismo já teria sido extinto.

Ficheiro:Rosa Parks Bus.jpg
Ônibus de Monterrey onde Rosa Parks fez história.
Pularam para 2013 e notaram que um erro de cálculo os levou ao Brasil, chegando em São Paulo, se depararam com uma cena bizarra, parecia uma revista pós-rebelião em um presídio, mas eram jovens pobres – de maioria negra – frequentando um shopping de luxo. Ela notou que uma família negra não tinha sido abordada, mas logo percebeu que essa, não fazia parte do mesmo padrão sócio-econômico que os outros, o que gerou julgamentos preconceituosos, inclusive, de negros na mesma condição que a família não importunada pela polícia. A alegria da elite é ver negros se comportando como ela espera, ou sendo o pobre dócil e festivo nos guetos ou fiéis imitadores de sua maquiada etiqueta. Tem que saber se comportar pra chegar lá, é mentira essa de que racismo acaba com uma conta bancária parruda.

Rosa olhou para seu marido e se indignou, Raymond chegou a se indagar: “Meu Deus, o que fizemos do sonho do irmão Martin?! Nem unidos somos, por causa de dinheiro!“. Com um pouco de esforço, conseguiram se informar sobre nossa sociedade e continuaram sem entender como uma sociedade implanta na mente de sua população que consuma tudo a qualquer custo – até financiado – mas, quando aqueles que sustentam o país tentam mostrar que também são cidadãos livres, logo são rechaçados pela elite e seus cães de guarda. Rosa até olhou em volta e procurou carros com mangueiras, bombas de gás e balas de borrach... ela viu tudo isso pronto para ser usado. Rosa e Raymond Parks chegaram à conclusão de que a opressão só se adaptou, pois não havia shoppings em sua época, mas tão logo foram criados, serviram de mais uma ferramenta de exclusão social.

Ficheiro:Rosaparks.jpg
Rosa Parks junto a Martin Luther King Jr.
Rosa percebeu também que seu país, os EUAses, sempre são citados, junto à África do Sul, quando brasileiros querem deixar de lado o racismo enquanto pauta de debate, com o argumento de que aqui isso não existe porque nunca fora oficializado, nunca houve segregação por aqui. Ela concluiu que esse é o motivo de falarem que o problema social é unicamente financeiro no Brasil, por isso esse problema está longe de ser solucionado pelas camadas sociais que podem reverter isso de forma mais efetiva, cabendo a missão cultural de ensinar a população a ela mesma. Sendo assim, Rosa e Raymond seguiram a recomendação primordial de Doc. Brown, para não interferirem num tempo que não é deles e seguiram de volta.


Destruíram sua máquina do tempo para que não se sentissem tentados a mudar o que viram de errado, ou mesmo se revelando o casal militante que revolucionou a luta negra nos EUAses. Ainda veriam Martin Luther King Jr. e Malcolm X serem assassinados, as lideranças políticas dos Panteras Negras e tantas outras coisas que deram gosto de ver em prol da construção cultural da identidade negra. Rosa Parks faleceu em 2005, de causas naturais.

"Você não tem que ficar receoso sobre o que você está fazendo, quando é o certo".

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

BBB14 e sua beleza de seleção

Um participante negro foi expulso do BBB12 porque teria estuprado uma colega de confinamento luxuoso, mesmo ela tendo afirmado que estava consciente, apesar de bebassa, ela ficou na casa até ser eliminada pelo público. Isso não aconteceu no BBB1, quando esperaram até o estrangeiro – com suspeitas de situação irregular no país - sair pra resolver sua vida, isso não aconteceu quando Dourado (Ex-ex-BBB) declamou impropérios machistas e fascistas e não aconteceu quando o (também Ex-ex-BBB) Dhomini descreveu como ele castiga um cachorro abusado. Ponto.

Eu não assisto BBB, pois, mesmo entendendo que é meramente entretenimento, não me oferece o que eu aprecio num bom passatempo televisivo, mas vamos observar, só por um momento, a conduta redessocialística (hain?!) de um dos atuais competidores?

"É só um mal entendido", já ouço as pessoas falando do racismo. Quer mais?

"Vocês enxergam racismo em tudo", dirá a turba inflamada.

Um pouquinho de machismo só pra não enjoar falando de preto o tempo todo. Agora, a que lhe confere o título do final do texto, com toda a pompa e circunstância, dado pela galera do Te Dou um Dado:


Uma outra participante, ex-camgirl (saca, aquelas moças que ficam na webcam tirando a roupa em sites pagos?) é julgada como uma mulher de pouco valor, mas quem é legal e quem não, só quem acompanhar o programa vai poder decidir, ou melhor, deduzir, já que é impossível alguém entrar nessa pra ser como é na vida real, na minha inútil opinião. Só posso dizer que uma mulher nua não me ofende tanto quanto o alienmaagia dos prints acima.


Mas, como essa emissora tem valores invertidos, provavelmente esse cara vai chegar longe, e se não, pode até sair cedo e ganhar um contrato no conglomerado. E ainda é capaz de cativar a plateia com algum bordão ou historinha de infância triste e blá, blá, blá... Todos de olho no já sub-famoso BABACÁSSIO! Lembrando que o Big Boss é o cara que ensina você a estragar um ovo, pra 'tacar' nos outros.

Narcisa Tamborindeguy, Boninho, Ana Furtado e até Boni, o homenageado da Beija-Flor deste ano, aparece. Essa gente vai selecionar mais o que pra ganhar seu programinha, né? Babacássio, seja bem vindo à sua casa.


ATUALIZAÇÃO

Sabe o que eu falei sobre o fato de uma mulher ser camgirl não estar ligado diretamente a seu valor enquanto mulher? Pois esqueça, mulher que faz slutshamming e se demonstra tão superficial e - desculpe o trocadilho infame - despeitada, não é uma vadia por ser stripper, mas é um estrupício por julgar forma física pra 'esculachar os outros'. 
clara3 [BBB14] Clara? É você?

E ainda teve a outra racista explicando seu CC e colocando a culpa na negritude que alega ter em sua biologia:
 

E assim disse Franciele: "Eu tenho um pouco de negra. Se eu não usar desodorante, fico com cheiro de neguinha".
E ainda tem beócio dizendo que ela não foi racista porque é "amiga" de Valter, participante negro do programa.

PS4 eleito o maior lançamento de vídeo games de todos os tempos... Nhé!


Na boa, lançamento siniXtro meRmo (carioquice nível tradicional) foi o Atari, que evoluiu o telejogo para uma jogabilidade ímpar até então, Master System, Mega Drive, Snes, todos tiveram seus particulares, N64 trouxe uma qualidade enorme para consoles de cartuchos, Playstation e Neo Geo vieram com jogos em CD (e era um saco ficar minutos eternos esperando aquela trolha carregar) e várias outras coisinhas que revolucionavam o mundo dos gamemaníacos.


PS4 é um console tão grandioso quanto God o f War é um jogaço, mas, ei, nos tempos em que vídeo games acessam internet na Lua e fazem um belo café, fica difícil ser revolucionário, o sistema está a favor. Uma coisa que, pra mim, é muito mais inovadora, ou melhor, foi, porque a tecnologia superou muito há muito tempo, foram os cartuchos com 2, 4 , 12.647 jogos pra Atari. Aquilo sim é fazer limões com uma limonada... não, peraê, é o contrário. Enfim, estou divagando... O negócio é que confundem criar com desenvolver.

Muito fácil a gente ter computadores de todas as formas, tamanhos e todo tipo de acessibilidade à internet. Celulares viraram micro-micro-computadores, mas, pra isso, foi preciso haver, lá atrás (UIA!) a criação de um aparelho telefônico. Sacou? O que é mais revolucionário, criar um telefone quando todos estão mandando pombo virar almoço de gavião com bilhete amarrado na pata e tudo, ou pegar um celular e meter (UIA!³) outras tecnologias com todo o aparato?

É aquele negócio, como eu falei em GoW, o jogo tem gráficos lindos, uma história absurdamente rica (também, adaptar a mitologia grega é sucesso certo, né?) e um personagem fodão que te transporta para o jogo doido pra matar monstrinhos. Mas, tenho que dizer, Super Mario, por exemplo, é que é revolucionário. Porque você passava e zerava (?!) com toda sua malandragem. Os jogos ficavam longos pelo tempo que você levava praticando até conseguir evoluir. Hoje você salva o jogo a cada 5 minutos e o resto é andar pelo cenário pra lá e pra cá.


Parece besta essa coisa de “no meu tempo era melhor”, mas não é por isso que eu cheguei ao teclado. É que sempre que se anuncia algo novo como o melhor de todos os tempos, paro pra observar a fonte desse imediatismo. Geralmente é o mesmo motivo, necessidade de atrair consumidores enquanto o preço está em alta. Nada tem a ver com o trabalho de se criar algo legal e, mesmo que digam ‘tá Serto, porque tem que ganhar dinheiro’, eu digo que esse argumento não justifica nada. Se fosse assim, você aceitaria eu te chamar de filho da p*ta, já que uma prostituta também faz o que faz por dinheiro, mas não é fácil conhecer quem as defenda assim. Falando em Atari assista uma pala do jogo mais bizarro de todos... tá, pode não ser o mais bizarro, mas é o mais antigo bizarro dse todos, talvez o primeiro pornogame da história: X-Man - mas não os mutantes, filhos do átomo.