Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Faustão, não mexa com meu cabelo não

arielle cabelo faustão

Sofro de verborragia incontinente (ou incontinência verborrágica, como eu também inventei, rá!), então, muito do que estou dizendo aqui e agora, com um pouco mais de calma, pelo menos no sentido de organizar ideias fervilhantes, já foi dito no Facebook e gerei conteúdo com diversos compartilhamentos na rede, inclusive, mas a questão aqui é outra, um pouco mais profunda do que o que joguei diretamente no 'feici', num arroubo de impulsividade diante do que Faustão disse sobre o cabelo de Arielle Macedo. Vamos aos pontos, porque se eu falar tudo de uma vez, perco o fio da meada e vou tocar um samba pra distrair.

O caso

Fausto Silva, aquele, falou ‘cabelo de vassoura de bruxa’ para se referir a Arielle Macedo, dançarina e coreógrafa de Anitta, aquela. Bem, falou-se muito na internet de uma semana pra cá – o que abafou até a própria cantora executando – literalmente – uma canção de Roberto Carlos. Eis que Fausto chega uma semana depois para se retratar e apenas defende que não foi racista porque tem fncionários negros e brinca assim normalmente. Claro, Fausto, nenhum senhor de engenho era racista, eles até tinham escravos negros e os deixavam dormir na fazenda, aham, Cláudia, senta lá... A emissora em geral, a TV em geral quase não apresenta negros e em posição afirmativa então, é raro, se não extinto, ou melhor, nunca inaugurado. Mas vamos ao que interessa.Por questões de direitos autorais, os trechos completos só ficam nos sites da Globo, aqui, achei links com trechos e edições pontuais.





Faustão e a exótica negritude

Fausto Silva, notoriamente, é um branco em convívio branco, ou seja, negro perto dele é minoria e subordinado, o famoso caricatura, aquele que ele pode tripudiar e terá que aceitar, porque emprego tá difícil (eu mesmo dancei recentemente diante de um babaca assim). Esses tantos negros que ele disse em seu 'direito de resposta' e que trabalham com ele, só podem estar nos camarins e outros ambientes, ou ainda, devem folgar aos domingos, pois no palco eu já reparei umas três pessoas, umas duas bailarinas e aquela animadora de plateia apelidada de Michael Jackson. Nada de contra-regra, diretor ou outra função mais evidente, enfim, foi o famoso 'não sou racista, tenho amigos negros'.

Aí, isso se desdobra em outro ponto, Faustão refletiu o que eu já vi até em meu convívio social: Pessoas brancas de classes mais remediadas e que não se identificam com uma realidade que não a delas. Pessoas que não sofrem na pele o preconceito e que realmente acham que o racismo só vai se apresentar necessariamente em violência física e palavras agresivas, se é que existe, pois já ouvi no www.raizdosambemfoco.wordpress.com que o racismo já acabou há anos, só restando casos isolados. A ironia é que também negam que a viol~encia policial se volte contra o negro, na verdade, gente assim, nega que existam negros, porque assim eles não precisam admitir o racismo, por que muitos o têm, mas diluem em piadas e comentários constrangidos e constrangedores sobre cabelos, narizes, cores, etc. É a tática de agredir sorrindo pra amenizar a agressão, mas a brincadeira sempre tem fundo de verdade, não?

A auto-estima do negro e da mulher negra

Faustão também mexeu em dois pontos delicados. Ele usou de piadas que ouvimos desde crianças e que não são engraçadas para os alvos delas. Eu lembro, era de matar, crianças rindo de você e te apontando, chamando de Buiú, Chita e outros que prefiro não detalhar. Já é foda ser negro nesse país, pois somos ignorados por um lado e exterminados por outro. Veja quantos negros e pardos renegam sua negritude pra parecerem mais brancos, mais aceitos, se não eles, seus filhos, através de relações interraciais, que significam a famosa síndrome de Cirilo e a ascensão social que é ter filhos claros, de olhos claros e cabelos lisos... Isso porque somos o país com mais negros fora da África inteira (que é um continente e não um país como muitos pensam ;p).

Tem a questão específica da mulher, que cresce assistindo a comerciais com gente branca lutando contra fios levantados no meio da cabeleira escorrida, como uma menina se sente? Ela não se vê, ela ouve piadas até dentro da família sobre seu ‘pixaim’, ela muitas vezes não é criada pra admirar as coisas do negro, é montado na sua cabeça um desejo de embranquecer para não sofrer ofensas, ser negro é uma doença congênita na visão de muita gente e isso, na infância, causa danos profundos na mente do negro. Arielle, com certeza, tem histórias pra contar sobre o que já ouviu bem antes do Faustão abrir a matraca, mas graças à sua mãe, ela aprendeu a se gostar e se valorizar negra, ufa!. Faustão, você não fez uma piada, você reforçou um preconceito que o negro sofre há 500 anos. Negar isso é querer tapar o Sol com uma peneira, porque admitir que é racista ninguém vai, sempre vão se esconder atrás de uma falsa boa intenção, já que racismo, ao contrário da negritude, é só ideologia, não transparece fisicamente.


O preconceito velado

Fausto usou do maneirismo mais racista que há, o racismo velado, aquele que se apresenta “em forma de piadas que teriam bem mais graça se não fossem o retrato da nossa ignorância, transmitindo a discriminação desde a infância. E o que as crianças aprendem brincando é nada mais, nada menos do que a estupidez se propagando (...)”, como diz Gabriel, O Pensador em seu primeiro disco, na canção Lavagem Cerebral. Desde os 11 anos, quando quase fui levado – sei lá pra onde – por policiais sem motivo algum, apenas por estar negro e aparentemente indefeso (valeu, papai Sagatiba!), tenho essa canção como mantra. E o trecho da música aborda tão bem o que eu falo, que achei válido desferi-la logo aqui do que ficar me rodeando no assunto.

O racismo não vai vir em forma de bigorna na sua cabeça ou em forma de uma lança com uma faixa anexada, ele vem assim, quando os traços do negro (cabelos, narizes, cores) são alvos de deboche, quando o deboche e a discriminação vêm pra cima das religiões de matriz africana, quando um ator se veste de negro pra fazer estereótipo do que é mais ridicularizado na sociedade, ou até quando um negro se faz de alvo pra garantir risadas fáceis, como quem tira a chibata do feitor e se auto-flagela. É, fausto, é na piada que escondemos nossas ideologias, ou melhor, é na piada que descaramos nossas ideologias, apenas usando de um artifício de auto-defesa pra amenizar, mas ainda assim, manter o pensamento. Se não, como você esplicaria o fato de em momento algum de sua ‘defesa’ você ter sequer mencionado algo como ‘não tive intenção de ofender, se foi o caso, me desculpe’.


Você SE defendeu, mas não pensou em momento algum que pode ter ofendido, mesmo que nem fosse uma colocação racista, falar do cabelo de uma mulher, em nossa sociedade, é o mesmo que usar desodorante repelente de sexo, você não ganha a menor simpatia com isso, se usou da piada, estava mesmo diminuindo o valor daquele belo Black que Arielle tem. Você é do tipo de gente que diminui a participação de um menino negro numa novela porque ele tem um cabelo rejeitado pelo público, ou de gente que comenta ‘também, com esse cabelo’ pra justificar uma prisão equivocada, confundindo um suspeito com um trabalhador, etc. Esse é o mecanismo do racismo, ele tenta se proteger pra sobreviver. O racista é como uma barata, aparece até chamar à atenção, depois se esconde nos esgotos até a poeira baixar. Estamos de olho! Aliás, olho, SBP, Raid, Baygon, bombinha de Fritz e, claro, minha raquete elétrica, Scarlett.

Arielle declarou:


“Sobre o episódio do Faustão de ontem… fico muito feliz pelo carinho e por de alguma forma vcs me defenderem! Se me ofendi… claro, na hora sim! Mas apelidos é o q mais recebo por aí na rua. Só que eu tenho a minha forma de me manifestar quanto a isso. O cabelo é meu, a vida é minha e me acho linda, e isso é o mais importante! Não me deixo oprimir por nada e nem opinião de ninguém! E se vc se sente bem com isso é assim q deve agir. Enquanto isso estou andando por aí com meu “cabelo de vassoura de bruxa” que eu amo. E que me desculpem as pessoas normais oprimidas pela sociedade. É, eu não sou normal! O racismo sempre vai existir ele se fortifica quando nos sentimos ofendidos . Se estou bem e certa de que eu sou, dana-se a opinião dos outros! Apenas intensificarei minha água oxigenada! Aceita que dói menos!”

Enfim, infelizmente a declaração de Arielle foi retirada, há quem diga que pra preservar sua acessibilidade na Globo, ou melhor, de Anitta, que precisa dessa vitrine e faz parte do grupo Globo, de certa forma, mesmo motivo que eu acredito pra não ter repercutido em grandes meios de comunicação, fizeram um clássico 'abafa o caso', o que me lembra que aquela tchurminha tchubiruba do 'SOMOS TODOS HUMANOS' só reclama quando o negro levanta a voz, mas nunca chorou a ausência dele nos lugares privilegiados da sociedade. Aliás, geralmente ,acham que tudo ´´e questão de esforço, é só trabalhar que você consegue... vide a quantidade de gente rica nesse país, né? Hipócritas fervorosos, odeio essa seita.

sábado, 26 de abril de 2014

Barbosa: A defesa do goleiro


Dia 26 de abril é dia do goleiro, em homenagem ao dia e mês de nascimento de um goleiro de apelido Manga, que defendera a Seleção em 1966. Mas vou falar sobre um outro goleiro, um que é tremendamente injustiçado no futebol brasileiro: Moacir Barbosa Nascimento, ou, somente Barbosa (27/3/1921-7/4/2000), como ficou mundialmente conhecido. A história de Barbosa é extensa em títulos e reconhecimento de talentos notáveis para um goleiro, sobretudo se pensarmos que em 1950, o futebol ainda engatinhava em profissionalismo, estrutura e interesses escusos além da bola no pé. Mas o cara é mais lembrado por um único momento infeliz. Tudo bem, esse único momento infeliz foi a perda do título da primeira Copa do Mundo depois da segunda guerra, e no Brasil, mas aconteceram outros inúmeros fatores, sendo o goleiro apenas o último elo de uma série de desvarios que aconteceram e você vai entender porque eu considero a Seleção Brasileira de 1950 um Titanic futebolístico.

Primeiro, vamos falar do goleiro Barbosa, que eu conheci através de uma entrevista que assisti na TV falando sobre seu mais famoso e triste momento na carreira. Ele assinalava que já pagava por um crime que não cometeu há uns 50 anos (Barbosa faleceu em 7 de abril de 2000), quando a pena máxima no Brasil é de 30 o que já revela aí sua amargura. Barbosa ganhou diversos títulos por onde passou, fez parte do famoso Expresso da Vitória, ganhou 6 Cariocas pelo Vasco, Copa Roca pela Seleção, Campeonato Sul-Americano de Campeões (que você pode deduzir ser um modelo precedente da Libertadores da América), também pelo Vasco e, pela seleção também teve uma Copa América. Mas, eis que chega a Copa de ’50, faz-se um oba-oba gigantesco – com políticos já ensaiando suas táticas de pegar carona no carisma do esporte em troca de popularidade e a cagada era certa.


Muitos atribuem a derrota a um conjunto de fatores. O clima de vitória certa, as festas pelas ruas como se o título já estivesse garantido, a mudança de sede de concentração para um lugar onde o foco era a comemoração antecipada e não o jogo de 90 minutos, etc. Tá certo, o Brasil entrava com a vantagem do empata, mas sabemos que só se ganha um jogo em campo e com o placar favorável ao apito final, coisa que não tinha muita cara de que ia acontecer. Para Barbosa, além da falta de concentração – literalmente – a Seleção também teve que lidar com o adversário – sim, alguém lembrou que o jogo era entre DUAS equipes e não um bate-bola estilo titulares/reservas ? – pois diante de tanta presepada tupiniquim, o Uruguai, provavelmente, se motivou ainda mais a superar o desafio, sabe aquela coisa com os brios.

Somando-se ao fato de que era a primeira Copa que o Brasil disputava – e em casa – o brasileiro criou muita expectativa – ou fora levado a isso, como estamos vendo atualmente – e se sentiu frustrado, o que é natural, já dizia Buda. Mas o que o Brasil não poderia fazer era culpar um goleiro por sofrer um gol como aquele. Até porque o goleiro é tão parte do time quanto o atacante ou o técnico e o time todo precisou perder a bola até chegar ali na meta brasileira. Mas o que acontece - e eu sei, porque já joguei na posição em tempos escolares – é que qualquer um pode culpar o próximo companheiro a perder a bola, só o goleiro é que não, pois passando dele é quase certo que o destino da bola seja o fundo da rede. Ou seja, ironicamente, o goleiro é o único que não tem ‘defesa’. Mas, por Barbosa, e por aquela imagem triste que nunca mais saiu da minha cabeça, é que eu venho em sua defesa. Uma injustiça culpá-lo e aliviar outros porque não eram a última esperança de salvação em campo. Veja o que o cronista esportivo Armando Nogueira (1927-2010) escreveu sobre Barbosa:

Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera”.   



Barbosa terminou seus dias recluso, em Praia Grande (SP), onde vivia recluso, com uma filha adotiva. Antes, ao encerrar sua carreira, era funcionário da SUDERJ (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro), que administra diversos complexos esportivos aqui no Rio, entre eles, claro, o Maracanã. E, pra acabar, fator semelhante a essa titaniqueada futebolística brasileira foi a copa de 1998, mas aí, entraram fatores políticos e comerciais que eu não vou falar agora, quem sabe, no ‘dia da convulsão’ eu use como gancho. Hoje não. Para terminar, assista a um curta metragem em que Antônio Fagundes volta no tempo para impedir a derrota do Brasil e acaba criando um paradoxo temporal - do tipo que eu adoro, sem começo e fim.



terça-feira, 22 de abril de 2014

Dr. Renato e Seu Didi


Em 24 de agosto de 2012, a jornalista de celebridades Fabíola Reipert publicou em seu blog uma notícia, que corre o mundo como uma lenda urbana, sobre Renato Aragão ter, supostamente, mandado demitir um funcionário (motorista, no geral das narrações) por tê-lo chamado de "Seu Didi", "É doutor Renato". retrucou antes de cortar a cabeça do pobre coitado.

Em 28 de agosto daquele mesmo ano, o e-farsas - portal especializado em investigar a veracidade dessas lendas, correntes, hoaxes, etc de internet - levantou diversas questões para ter alguma pista de realidade, pois, como o site alerta bem, não há datas, nome ou rastro do tal demitido e nenhum detalhe, coisa que esse tipo de spam adora pra ser repassado e não ter que se enrolar com detalhes. Mas é aí que está o motivo da desconfiança. Como o caso da tal ex-paquita que teria morrido de AIDS por causa de uma vida desregrada e descuidada (que usa o nome de Patrícia, a foto de Luciana Vendramini e de outra jovem e esses mesmos detalhes... ou melhor, falta de).

Fake descarado. Nem são da mesma pessoa.
O caso é que em 29 de agosto, também de 2012, o Jornal Extra entrevistou Renato Aragão, que, óbvio, negou que sequer tenha demitido algum funcionário. Até aí, ele está no seu direito, além de não haver prova em contrário, já que mesmo preservando a identidade do tal ex-funcionário por um eventual segredo de justiça, ninguém se pronunciou em defesa dele, DA PARTE DELE, só a opinião pública de quem leu a notícia ou só ficou sabendo e saiu repassando (como o famoso boato sobre o Garoto Bombril, Carlos Moreno, que eu publiquei aqui no blog, lembra?).

Pois bem, não há provas de acusadores e a defesa nega, caso encerrado, certo? Errado! Porque aqui, o assunto é um pouco mais direcionado ao artista Didi e não só à notícia. Vejamos, ele pode não ter demitido um funcionário por causa de "Seu Didi", mas ao Extra, ele disse que seus funcionários são antigos por lá. Ok, podem ser, mas o colunista d'O Dia, Leo Dias, publicou em março deste ano uma notícia de uma assessora demitida por Aragão e movendo ação judicial trabalhista contra ele.

Sinal nítido de que pode se tratar de uma lenda de internet,
é a falta de dados exatos, como uma data para o ocorrido.
Tudo bem, demitir um funcionário que ninguém conhece é bem mais ameno que praticar assédio moral contra um motorista e provocar um infarto no coitado (não é, Zezé Polessa?), mas afora a ex-assessora, diversos sinais apontam para uma conduta dúbia de Didi. O abandono de seus ex-colegas de Os Trapalhões e as famílias dos falecidos é um grande deles. Família de Zacarias se queixa disso, Dedé ficou anos afastado de qualquer referência que não fossem as antigas reprises do programa na Globo e a coisa piora. O que dizer de Ted Boy Marino, que meses antes de falecer, se queixava no programa Pop Bola (MPB-FM) da falta de consideração de quem trabalhou com o humorista antes mesmo de ir para a Globo?

Adoráveis Trapalhões, formação ignorada por Didi. Wanderley Cardoso, Ted Boy, Ivon Cury e Didi.

Fica evidente o descaso com o passado do grupo quando o programa é citado apenas como uma extensão de Didi naquele especial de fim de ano da Globo. Tudo bem, era especial sobre o personagem, mas que papagaiada foi aquela de mostrar praticamente a infância, juventude e... TRAPALHÕES NA GLOBO?!?!? Não, gente, tá muito errado, cadê a primeira formação na época da Record, da Tupi, com Ivon Cury, Ted Boy e Wanderley Cardoso? Apaga-se tudo só porque não era da emissora dos Marinho?



Então, é aquele negócio, sobre o tal motorista demitido, nada comprova, mas isso não comprova, também, a inocência de Renato Aragão no meio artístico. Mesmo que ele diga que não tem o poder de demitir um funcionário da Globo, no texto, a expressão é 'mandou demití-lo', e influência o cabra tem. Mas vamos deixar pra outra hora, o lance é que arrecadar milhões com seu projeto Criança Esperança é um grande espetáculo de atenuantes de imposto de renda, mas parece a festinha da família problemática: Todos sorriem até o apagar das luzes, quando voltam a mostrar suas verdadeiras faces.

É tipo aquela coisa, a pessoa que já tem fama de ser antipática acaba pagando até pelo duvidoso. Como naquela época que o Pânico manobrou o Carioca de modo a ser humilhado por Jô Soares, mesmo que nem tenha sido pra tanto.

Fontes:

E-FARSAS

EXTRA ONLINE

BLOG DA FABIOLA REIPERT

UOL

LEO DIAS

Atualização (5/5/2014)

Renato Aragão aprontou mais uma trapalhada sobre a vida de mais um motorista, ou melhor, manobrista. O funcionário de um shopping carioca pediu para tirar uma foto com ele e, irritado, o trapalhão teria pedido a cabeça do cara diretamente à administração do local, alegando demora na entrega de seu veículo. Desse jeito, fica difícil acreditar que ele seja inocente naquela conhecida história da demissão do outro motorista, muito mais difícil acreditar que ele não consiga uma demissão alheia por poder de influência e grana. Bem, pelo visto, o coração dele continua bem mau.

Atualização (6/5/2014)

Saiu no Diário 24 Horas que Renato negou a notícia e foi confirmado pela assessoria do tal shopping que negou demissão recente por lá, alegando ser um mal entendido. Agora, se isso é uma manobra 'abafa o caso' ou se realmente aconteceu, vai ser difícil saber. O que me faz pensar em porque surgem tantos boatos sobre o mesmo traço de personalidade de uma pessoa, comumente, famosa por belos atos como Criança Esperança e anos de programas humorísticos. Além da fábula da criança que morreu de fome, que dizem ser um ilustrativo chamariz de emoção instantânea, mas sem fundamento real.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Família de sonoplasta My Boy se desfaz de seus bens

My Boy, nascido Moacil Filgueira Pinto, está em estado vegetativo persistente (quando a pessoa está há mais de um ano sem reagir a estímulos) desde uma tentativa de suicídio em 2012, quando ingeriu um forte veneno contra ratos, devido a uma crise de depressão.

Se você acompanhava programas como Xou da Xuxa e Domingão do Faustão, na virada dos anos de 1990, com certeza ouviu muito o nome de dois sonoplastas: My Boy e Sorrel. Pois bem, My Boy era o responsável pelo som de programas globais, dos quais me lembro mais das manhãs de Xuxa e suas competições entre crianças.

A filha do sonoplasta, Fernanda França, já entregou o apartamento do pai (que era alugado), desfez de linhas telefônicas, contas bancárias, etc. Ela o visita mensalmente e teve uma promoção (de assistente de produção a produtora do Vídeo Show) como ação indenizatória. Além disso, a Globo também mantém o plano de saúde de My Boy.

Quando de sua tentativa de suicídio (4 de julho de 2012), My Boy deixou uma carta falando sobre sua crise financeira e as injustiças da emissora para a qual dedicara metade de sua vida, a TV Globo.

Fonte: Léo Dias.

Oprah e Melanie: A prova de que dinheiro não é sinal de bom gosto

Sabe quando saem aquelas listas de celebridades no passado e atualmente? Pois é, você pode reparar que esse tipo de lista sempre vem com alguma coisa do tipo 'não existe gente feia, existe gente pobre'. Isso é um clichê tremendo no que diz respeito a padrões pré-programados pelos meios de comunicação em massa. A associação dinheiro-vida melhor ignora duas verdades quase que universais: A primeira é que dinheiro não traz felicidade (não adianta se contorcer, a felicidade é um conceito e não um objeto); e a segunda é que bom gosto não tem nada a ver com a carteira ou conta bancária, além de que, dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra.

Para exemplificar, vamos ver dois casos de diferentes resultados diante do 'feitiço do tempo'.

Oprah Winfrey

A celebridade mais influente do mundo e uma das mais ricas, famosa entrevistadora, já fez vezes de atriz e deu uma valorizada no seu visual (a imagem da esquerda é de 1997 e a da direita é de 2014).

Oprah Winfrey é uma das mulheres mais ricas dos Estados Unidos - o que se refletiu muito em sua aparência (Foto: Divulgação e Getty Images)

Melanie Griffith

A esposa de Antonio Banderas é só 3 anos mais nova que Winfrey (Griffith é de 1957), mas teve problemas com drogas e cirurgias plásticas de resultados duvidosos (a imagem da esquerda é de 1995 e a da direita é de 2014).

Melanie Griffith (Foto: Divulgação e Getty Images)

Então, dinheiro é tudo, ou é preciso um cérebro e alguma sorte na vida?

terça-feira, 15 de abril de 2014

Liga da Justiça: Caçador de Marte é Negro

Primeiro sinal, veja se não dá pra ver Terry 'pai do Chris'Crews aí, por exemplo.
Tudo bem, tudo bem, eu sei que ele é marciano, ou seja, nasceu num lugar onde a questão racial – a princípio – nunca chegou a ser discutida, mesmo com as teorias de que a vida na Terra veio de lá ou que lá haveria alguma forma de vida próxima de nossas características, mas deixa pra lá. A questão aqui é comprovar que J’onn J’onnz, assim como o Panthro original (esse do novo desenho dos Thundercats virou uma caricatura irlandesa), é um negão de tirar o chapéu. Aliás, note na foto abaixo as diferenças de traços faciais entre Panthro e Cheetara (esquerda) e nosso grande homenageado, Caçador de Marte, em relação a Superman (direita).



Seu nome de ‘batismo’

Aqui na ‘Terra’, ele ganhou diversos nomes: J’onn J’onnz, John Jones, Ajax, Caçador de Marte, etc. Mas seu nome ‘civil’ para seu extinto povo era Ma’aleca’andra. O nome é uma referência a Além do Planeta Silencioso, de C.S. Lewis, nomenclatura usada para designar os marcianos, mas ganha aspecto tribal quando grafado com apóstrofos, hábito cultural muito comum em diversas regiões, inclusive na África (tipo: m’zinga, sacou?). E, assim como nomes, o Caçador também já adotou diversas formas físicas. Tem a original (Marte), tem a de combate (Liga da Justiça), tem as que ele usa como identidade civil cotidiana, tem a personalidade agressiva reprimida (a forma que não teme fogo, mas o deixou psicótico), etc. Assim, como ocorreu ao negro durante a escravidão, quando teve sua condição de rei, artesão, caçador, etc retirada para ser escravizado com religiões e hábitos que não os seus, inclusive nomes nativos. 


Seu visual associado à etnia negra

Apesar de poder adotar diversas formas – o que a forma ‘negra’ não seria referência para minha teoria – você pode notar que em muitas, muitas oportunidades mesmo, ele é retratado com nariz e lábios grossos, ou seja, tipicamente negro. Afora, que a maioria das vezes que se cogitou ou se criou estudo de perfil para interpretar o marciano, o perfil foi de um negro (atores, traços físicos ou concepções a lápis). Ou seja, não sei se por ele ser ‘de cor’ (uma visão preconceituosa de que negros são coloridos, exóticos) ou se por algum fundo subliminar, mas J’onnz parece mesmo combinar mais com um perfil ‘negro’. Além dos vários atores cogitados para o papel de Caçador de Marte no cinema - pode conferir no Google - veja só quem o dublou no famoso desenho da Liga da Justiça (e outras mídias, inclusive video games): Carl Lumbly (esquerda). Veja quem o interpretou em Smallhaçãoville: Phil Morris (direita).

 

Hyperclan

Apesar de ter lá seus conflitos internos, os marcianos verdes tinham uma sociedade muito evoluída em ciências e artes (tanto que tinham até telepatia, entre outras habilidades). Mas uma praga dizimou a população e ameaçou o pouco restante, além da invasão de outro povo, que tentou impor seus próprios costumes aos oprimidos, coisas que nos fazem lembrar o continente africano. Digo, o povo a invadir e dominar os marcianos verdes foi o Hyperclan, ou Marcianos Brancos. Percebem? É a recontagem da história que na Terra resultou em escravidão e o condicionamento do continente africano à miséria, peste e um retrato no mundo exterior que estigmatizou todo um grupo étnico.

 

Conclusão

Então, amigos, é negro ou não é? Eu acho que tem muito mais a ver, assim como gosto de pensar no – tão menosprezado – Aquaman como um monarca nos moldes de He-man ou Thor, ou seja, um mundo bem mais interessante do que herói/vilão e a aventura da semana. Uma mitologia. Gosto de ficar analisando o que uma história em quadrinhos tem pra oferecer além dos traços e da óbvia missão de entreter. Nem todo mundo faz como Alan Moore e nos dá de presente histórias em que se refletir, em muitas outras eu gosto de analisar mesmo. É como música, a letra e a melodia podem ser bonitas, mas eu fico analisando os desenhos melódico e até as motivações do autor.

Arte é assim, permite um mundo de interpretações e a diversão toda é essa, a liberdade que nos oferece.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Da série: Roubado é mais gostoso

Ok, vamos ignorar por um momento toda a polêmica que se iniciou com a esposa do clássico carioca anunciando que o Flamengo já podia comemorar o título, ou melhor, vamos esquecer de vez, não vai dar em nada, nunca deu e a vida sempre seguiu.

A cereja do bolo mesmo foram, até agora, dois momentos bem irônicos na repercussão do resultado do jogo (1 x 1, que favoreceu o Flamengo). Primeiro, foi nítido o impedimento na hora do gol do Flamengo, que o árbitro validou. Ou seja, roubado. Aí, em meio a dúvidas sobre falta de competência ou fatalidade da função do juiz, o goleiro Felipe, sucessor de Bruno, aquele, me sai com aquele bordão que muito torcedor já proferiu pra provocar rivais: Roubado é mais gostoso.

Separo aqui dois momentos a respeito. Um do jornal O Dia e o outro do jornal Extra:






Huck segue os passos de Pelé, o Poeta


Com uma dessas, a gente até poderia falar que ele fez igual ao Pelé, que ousou abrir a boca e perder toda a magia e poesia de seu silêncio - veja post anterior - mas uma imagem vale mais do que mil palavras, na maioria das vezes, então, veja e conclua por si só:

Troféu Pelé DDS: Luciano Huck

O que é o Troféu Pelé DDS?
R.: Desperdício de Silêncio. Ora, gafanhoto, é algo que inventei agora pra nomear aquela pessoa que poderia ter não falado nada, mas desperdiçou a oportunidade abrindo a boca pra falar besteira, conforme você pode ver no exemplo Ex1:

huck Huck provoca Mion e vira piada

O que é um Epic Fail?
R.: Oras, gafanhoto, é um momento em que alguém fala ou faz algo que provoca uma situação de desconforto, constrangimento, frustração ou tudo isso junto, conforme você pode ver no exemplo Ex2:

mion Huck provoca Mion e vira piada

Muitos são os candidatos, sobretudo em tempos de comunicação e informação tão velozes quanto banalizadas. Por hora, você acompanha a declaração irônica que falha diante de uma observação básica: Sr. Huck é amigo pessoal de Aécio Neves, Eike Batista e Sérgio Cabral, faz sucesso com diversos quadros chupinhados de formatos da gringolândia (e ainda condiciona seus sorteados a provas, coisa que nem tem lá nas terras do estrangeiro), ou seja, o Epic Fail foi mais do que 'Sabe de Nada, Inocente'.




quarta-feira, 9 de abril de 2014

A Grande Pensadora Valesca Popozuda e o Preconceito Social

Num futuro fascista (não, não é hoje, ainda!) a sociedade é programada a se comportar do mesmo modo monótono e produtivo que deixa a camada dominante da sociedade tranqüila e despreocupada. Esse é o cenário de Equilibrium (2002), filme que traz o ‘Bátema’, Christian Bale, como John Preston, um policial do sistema que se rebela e vai tirar satisfações com o líder (uma espécie de Hitler), que é inacessível e só aparece fazendo longos discursos de obrigações sociais por telões nas ruas. A verdade é que o líder já morreu há tempos e um membro do governo mantém as aparências pra que a sociedade não mude.

 

Assim é a nossa sociedade, não é? Qualquer manifestação que fuja ao que a elite determinou como certo é rechaçada e criticada com eufemismos ofensivos como ‘coisa de pobre’, ‘favelado’, entre outros. O Funk está nesse grupo. Já reparou que se falar em Funk, as pessoas já torcem a cara e não enxergam nada de bom? Pois é, ignoram que se as pessoas falam errado ou citam realidades de violência e alienação sexual é porque ali o Estado não chegou, ou seja, a conclusão óbvia é que a exclusão daquela camada da população por parte do governo gera esse tipo de manifestação. Você não veria nem uma Anitta da vida cantando Funk (e depois renegando até o Mc do nome artístico) se não fosse a grana que isso dá. Até porque a menina má parece ser aquele tipo de pobre que odeia pobreza e despreza o passado no apagar das câmeras.


Mas o papo aqui não é Anitta, é Valesca, essa sim, uma autêntica funkeira e assunto na internet recentemente, mas não só pelo Beijinho no Ombro, ou melhor, também por isso. É que Popozuda foi citada numa questão de prova como ‘grande pensadora contemporânea’. Antes, eu friso, pra mim, pareceu mais um deboche do que uma homenagem daquele professor de filosofia da rede pública no Distrito Federal (barbas de molho MODO ON), mas a questão toda é a repercussão nas redes sociais. Aliás, esse é o grande mérito do professor, conseguiu levantar o debate (sendo deboche ou não) e não entrou em didatismos. Apenas jogou o assunto na berlinda. 

Todo mundo se escandalizando com a diva funk na prova e eu injuriado que escreveram seu nome com W e não V.
Como era de se esperar, todo mundo adora criticar o Funk associando-o à evasão escolar, gravidez na adolescência, violência e causa da IV Grande Guerra (aquela que virá em 2056 e que unirá a antiga União Soviética a Marte). E, além do preconceito social inerente, pessoas acham impensável que um artista do Funk seja considerado pra uma questão de prova – e que não é como exemplo negativo a NÃO ser seguido. Pois bem, Valesca pode não ser a mais poética das cantoras e a questão nem pareceu ter um propósito, estando mais para modelo ‘receita de miojo no ENEM’ do que uma bola levantada para reflexões existenciais, mas o que é gritante é a necessidade de se esculachar o Funk, a ‘coisa de pobre’.


Por exemplo, Gilberto Gil e Caetano Veloso, dois dos maiores nomes de nossa música, já admitiram que ouvem Funk, que gostam de elementos ali presentes. Tom Zé, já fez até análise de estrutura métrica de um funk e também são contemporâneos de muita gente da ‘boa música’, argumento dos intelectualóides que separam gosto musical por classe social de origem. Provavelmente apoiados por aqueles que ouvem todas as mazelas gramáticas, mentais e sociais em outros idiomas e acham que porque não entendem o que estão cantando e ouvindo, estão isentos de críticas.



Isso nos faz voltar ao início do texto, quando esperamos John Preston (Bale) aparecer pra destronar esse líder morto que deixou um legado de comportamento mental que não nos pertence, apenas foi imposto de maneira sutil pelos meios de comunicação em massa, como se fosse nossa vontade, mas é a deles. Identificação com um gênero musical ou outro é uma coisa, agora, cagar regra para o que é certo ou errado na música, só vale se você for corrigir um cara que promete tango e toca valsa, ok? Certo e errado na construção de gosto não cabe, pois é como dizem: Gosto é como umbigo, cada um tem o seu.