Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Você é o que você come... vira-lata?

Houve a denúncia recente de uso de carne de cachorro de rua nos salgados de uma lanchonete de subúrbio aqui no RJ. Ok, isso é piada recorrente, sempre falamos que o frango é pombo e que churrasquinhos são carne de gato, mas certas imagens nos dão um contexto a pensar. Fiquei mexido, confesso. Pode ser imediatismo, pode ser o choque, mas a verdade é que não vou mais olhar da mesma forma. Agora, não posso deixar de beiras certas reflexões.



Vejo gente se recusando a mudar seus hábitos com o argumento de que 'se é cachorro ou pombo, nunca senti diferença' e é aí que tenho que abordar Matrix (de novo). Em dado momento do primeiro filme (o melhor deles só equiparado a Animatrix), os tripulantes da nave Nabucodonosor debatem sobre o fato de que a comida tem sabor diferente e muito mais sem graça no mundo real do que quando inseridos em Matrix. Então, eu pergunto, amigolhes: Como você sabe que não comeu a carne errada a vida toda? Seria difícil diferenciar o que não é diferente. Até porque, é tudo carne, em algum momento vão ter um sabor similar, não é?

Outro dia, ingressava na estação Paulo da portela do BRT, em Madureira, quando vi um pombo recém atropelado pelo meio-fio. Fiz uma piadinha no facebook sobre o fato de o cadáver não estar mais lá, justo ao lado de uma barraca com uma churrasqueira recém-acesa, na calçada. Agora, fiquei cabreiro de verdade. Mas a questão é que a gente vê muita coisa por aí que ignora em nome da conveniência. Tipo, os famosos podrões de rua, como os cachorros-quentes e x-tudos (que eu adoro), que são servidos por pessoas em carros, trailers ou banquinhas sem uma torneira pra se lavar as mãos.



"Ain, Saga, mas hoje em dia, muitos já usam até luvinhas cirúrgicas!". Sim, gafanhoto, mas as luvas são usadas pra preparar os sandubas, assim como para catar dinheiro, fazer troco e... deus me livre, uma vez, o rapaz que me servia até aparou um espirro instintivamente, na Cinelância, Centro do Rio. Muita coisa me passava batida, mas com imagens como as dessa semana, fiquei cabreirão, não sei como será o amanhã, mas uma coisa estou reavaliando. Já li notícia até de que lanchonetes teriam tido movimento reduzido por conta disso. Não que eu apoie alguma mobilização de esvaziamento de lanchonetes, porque não podemos simplesmente afirmar que TODOS são assim, mas é preciso observar atentamente.

E como não lembrar daquela beleza de cena de Demolition Man (O Demolidor, com Stallone e Snipes), quando Titio Stallas vai aos esgotos ter com a população pobre e revolucionária e, tentando matar saudades de sua época, pede um hambúrguer e se delicia, pois naquele futuro, os hábitos alimentares não suportavam extravagâncias gordurosas e essas bossas. Até que Sly é alertado pela colega, Sandra Bullock que ali nos esgotos não há nenhuma criação de vacas.



De que é feito esse hambúrguer?
- És de rata, señor.
(...!?) Rato?
- Si.
(...!?) Então, isso é... um ratobúrguer?
- Si.
(...!?) Nada mal...

Não vemos criações dessas lanchonetes que não têm fornecedores. Refita na procedência do que você come. Sua esfiha pode ter latido pra você ou cagado no seu carro ontem.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Porque me tornei um 'chato'...


Chato, esquerdopata, feminazi, comunista negro vitimista, querendo transformar o Brasil em Cuba... Bem, muita coisa aconteceu no meu conhecimento empírico, muita coisa eu vivi na pele e tentei por anos fingir que nada acontecia, que era só uma maneira de olhar e que tudo não passava de questão de opinião. Vou pular os ‘early days’ e vou direto ao ponto da história onde minha militância, se não acordou, pelo menos, foi cutucada (UIA!), tipo quando passamos uma linha qualquer no rosto de um amigo dormindo pra ele se estapear achando que é um mosquito. E se a mão tiver farinha de trigou o creme de barbear pra ele se lambuzar, melhor... ah, vocês nunca fizeram isso em viagem de casa de praia e essas coisas? Aff... bem, voltando ao assunto. Eu, assim como todo negro, já tinha percebido que era diferente, ou melhor, que era tratado de forma diferente (e nunca é, reparem, de uma maneira positiva).

Até que cheguei aos dois últimos anos do segundo grau (no meu tempo se falava assim ainda) quando tive um colega – que se tornou meu amigo até hoje – que tomou uma atitude, até então, pra mim, inusitada. Um professor nos passou exercícios de um colégio-curso onde também lecionava, usando-os como referência para preparação para nossos possíveis vestibulares. Daí, esse amigo, me grita assim: “NÃO, PORQUE NO PH NÃO TEM NEGRO!”. Ninguém entendeu nada, mas, por aquele meio segundo de silêncio antes das habituais zoações de uma turma de eletrônica com 20 adolescentes marmanjos, com maior número de calçado do que de Q.I, eu refleti e entendi: Àquela altura, o referido colégio mantinha uma campanha de matrículas abertas na TV onde a turma inteira era composta de alunos brancos, boa parte loira, vários de olhos claros... nenhum negro. Nenhum mesmo, nem aqueles que se aplica colorismo de ‘moreno’.


Comecei a reparar nisso tudo. Saca, Neo quando ressuscita na Matrix e já consegue enxergar aqueles códigos de modo a ver o sentido da coisa? Pois é, naquele momento eu percebi que havia uma outra maneira de lidar com o racismo que não se fazendo de piada pra parecer que a porrada da discriminação dói menos. Ainda não seria, nem de perto, o momento que eu acordaria de vez, ainda passaria muitos anos com medo de ser tachado de chato, deixando pra desabafar apenas com as poucas pessoas que tinham coragem de falar no assunto ou nos meus escritos (músicas, redações, poesias...). Nada perto de realmente acordar, repito, pois, minha opinião contra cotas pode ser vista até hoje aqui mesmo no blog (mantenho todo o histórico como um mural do orgulho de ver o quanto mudei e pra mostrar que é possível acordar, sempre há um momento pra cada um sair da Matrix).


Bem, então porque eu não acordei se eu tinha uma influência tão positiva, mais do que isso, afirmativa ao lado? Simples, ele passou a ser chamado de ‘o neurótico’ e eu não queria esse rótulo pra mim. Então, conversávamos entre nós, mas como a maioria da turma não era negra – olha o colorismo de um colégio particular de subúrbio – era mais fácil falarmos de música e futebol (ainda mais num ano de Copa, como foi aquele fatídico 1998). E foi assim que evitei, neguei meu simbólico Cristo preto por mais de três vezes, sempre ali, mas nunca expondo e, quer saber? Foi melhor assim, pois se eu acatava o senso comum de que cotas eram favorecimento e assistencialismo, o que eu traria pra militância que não fosse uma bosta pegajosa e fumegante? Nos tempos de hoje eu poderia ter tirado fotos comendo bananas e dizendo pra negada parar de se fazer de vítima contra a liberdade de expressão alheia. Caras... que bom que fui ignorante em tempos pré-internet. Antes calar-se e deixar as pessoas pensando que você é um idiota do que abrir a boca e deixá-las com a certeza, não é isso? Rá! Enfim...

Foi assim que segui uma sequência de muita procedência reparando o racismo muito mais perto do que nos documentários sobre o assunto ou a programação da TV e capas de revista. A púnica hora que tínhamos mais que 5 representantes numa novela era em novela de época onde se ambientava a escravidão, quando acontecia, porque depois, talvez por defasar o tema e não ter mais desculpa pra chicotear mais os dorsos negros, a TV passou a ambientar novelas de época no pós-escravidão, assim, você tinha negros jogados pelos cantos sem ter que mostrá-los por mais de 5 minutos. Foi nessa época que conheci – de fato – Racionais Mc’s (quase fundei um grupo musical com mistura de rap e outros ritmos, um quase farofa carioca, do, hoje, pelezado, Seu Jorge). Depois, vim aprendendo outras coisa.


Por exemplo, foi dali até uns 3 ou 4 anos depois que me tornei um suspeito, a ponto de perguntar – lá pela 17ª vez que fui parado pela polícia indo pro trabalho, pro lazer ou apenas descendo do trem na saída da estação: “Aconteceu alguma coisa, policial?” só pra ser respondido “temos ordem de parar jovens negros de 17 a 23 anos”. Se todo camburão tem um pouco de navio negreiro, toda ‘dura’ tem MUITO de leilão escravo do Valongo. Só não tentaram abrir minha boca pra mostrar meus dentes, mas olhar meu rosto de vários ângulos, perguntar de onde vem, onde mora, pra onde vai e pedir identidade, tudo foi feito. Inclusive, numa dessas, chegaram a mandar eu abrir as calças e tirar os sapatos, só porque mostrei meu descontentamento numa revista ilegal, mas que ninguém tem coragem de falar. Não tinha.

Dali pra cá, fui lendo, aprendendo a argumentar, confrontar (vê se alguém me manda meme de ‘nego isso ou aquilo’ ou se fala do meu cabelo com desprezo por perto?) e o mundo mudou pra mim. Não era mais aquele lugar opressor onde coleguinhas da escola tinham nojo de pegar na minha mão na brincadeira de roda com medo de se sujar, onde me viam sem camisa brincando e me comparavam a um menino de rua – só porque era preto, porque os coleguinhas brancos nunca ouviam – e não tinha que ouvir em toda brincadeira: “Você vai ser o filho do Mussum/Tião Macalé/Jorge Lafond”, os únicos negros em alguma evidência pop na minha infância e, reparem, todos, de alguma forma, caricatos. Sim, amigo saganauta (hein?!) faltam representantes ‘normais’ pra nós. Isso ou ouvir algum adjetivo referente à nossa pele pra ‘desculpar’ o uso de um personagem branco pra nós. Sempre o ‘superman depois do incêndio’ e essas coisas, como se nossa cor não viesse de dentro, mas brancos afetados por algum ‘acidente’ como tinta, queimadura e outros artifícios incluindo a bizarra associação à noite ou bebidas de cor similar, tipo ‘ele nasceu de noite’ ou ‘bebia muito café’. Sério, caras? Sério.


Então, por isso me tornei um adulto chato em militância chata, esquerdopata, comunista negro vitimista feminazi e outros apelidos imputados por quem prefere o status quo da sociedade sob hegemonia branca, rica, hétero e essas coisas. Sempre fui o que fazia amizade com o colega novo – quando este não enveredava pro lado babaca da turma me usando como primeiro alvo – e até hoje sou assim. Não sou muito de ser ‘o melhor amigo’ de alguém por isso, detesto panelas e essas experiência me enriqueceram em compreensão do outro, além da minha fé que tem por doutrina básica prestar a caridade e amar ao próximo sem desculpas. Pra mim, enquanto tiver gente morando na rua, não tem país rico. Tem gente rica dentro do país. E isso só interessa ao próprio rico. O que me importa isso? Tem gente pobre que acha normal defender isso, mas eles não pensam, então, não se culpa um ignorante por sê-lo. É como culpar um pombo por cagar no seu carro.


Sou um chato, sou aquele que chega e causa olhares constrangedores e falas de canto de boca, que obriga preconceituosos a reverem suas falas e mastiga com gosto todo reaça que tenta lançar algum papo senso comum na inocência de que eu não vá ter um parecer altamente sociológico pra rebater e esmagar feito barata.  E sabe porque eu gosto de ser? Porque nunca tive uma orientação em casa ou na escola sobre como lidar com isso, no maior estilo ‘lei pelé’, de deixar o assunto pra lá, ser um ‘bom crioulo’ sob carinhos do racista e não assumir-se negro. Mas tenho parentes e amigos, amigo, gente que ainda em idade curta já ouve as bizarrices que eu ouvia, mas hoje, temos condições de denunciar, de botar a boca no mundo, não depende só da mídia convencional, o que a Globo ou o SBT omitem na Tv, na internet vira um tsunami e eles mostram, ou ficam respirando fundo esperando passar. Não passarão!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Vagabundo é f... pensa que humor está acima do bem e do mal


Um babaquinha dessa leva recente de pseudo-artistas/humoristas/qualquer coisa assim lançou um vídeo com um título se referindo a esses memes racistas ‘nego isso, nego aquilo’. Não vou dar ibope pra isso sequer mencionando o nome da coisa e da bosta fumegante que com certeza é. Não vi e não gostei, até porque é mais um daqueles que defende o humor ofensivo e repete trozobas políticas conservadoras que não têm vez aqui. Sendo assim, vou logo ao assunto.


Se vocês viram esses memes, certamente, já perceberam que não são piadas tão inocentes quanto os mentirosos preconceituosos querem desesperadamente empurrar, né? Pois bem, ali, são fotos de negros, pessoas, que estão sendo usadas como alvo. Muitas delas são agressivas de muito branco por aí achar pesado e babaca. Foto de negro até com deficiência pra ilustrar expressões que são costumeiras desde a escravidão, mas que ganham a cara de qualquer um. Qualquer um no sentido que se usa a expressão e no sentido de que as pessoas gostam de se defender ofendendo os outros, que não eles mesmos.

Veja bem, do mesmo jeito que se usa a expressão ‘nego/neguim...’, pelo menos aqui no RJ, também se fala ‘vagabundo...’. Então, vamos propor o seguinte: No lugar de ‘nego’, use ‘vagabundo’ e no lugar da foto de alguém desconhecido (que provavelmente é filho, irmão, sobrinho, pai, amigo de alguém), use uma foto de um amigo seu, de um parente seu, ou alguém de seu convívio. Por exemplo, crie uma montagem/meme com ‘vagabundo é foda’ e poste uma foto de sua própria mãe ali. Repasse aos amiguinhos de internet, nos grupos de whatsap e nas páginas de facebook. Vá ver sua tchurminha politicamente babaca rindo dos seus. Veja se é engraçado a qualquer custo. Você não vai fazer, né? Porque sabe que é ofensivo. Só não se importa com os outros. O riso dos outros ou o choro dos outros.


Dizem que negro que contesta esse tipo de ‘humor’ é alguém que se faz de vítima, mas, peraê, bátema, se EU sou o ofendido e a “piada” tá ali pra todo mundo ver que faz referência direta, como que a culpa é minha e não de quem quer a todo custo arrancar risadas constrangidas apontando pra alguém e falando ‘haha, você é preto’? Não entendi a lógica. Mas, em todo caso, fica a dica: Crie um meme com algum dos seus e exponha-o à rajada de risadas. Tenho certeza de que muitos vão te dizer que é engraçado. Quero ver você ir contra a turba preconceituosa quando for um dos seus ou você mesmo sendo alvo da maldade. Vagabundo é f... acha que humor é uma entidade acima da lei. Liberdade de expressão é isso, Mané, você fala o que quer, depois vai ter que responder por isso, porque uma parte muito importante da Constituição é omitida nessas horas, se é que é conhecida. O direito de resposta é garantido e proporcional ao agravo.



Quanto ao babaquinha que citei no início, bem, é mais um na inclusão digital da aula de biologia:  QUALQUER MICRÓBIO COM UMA CÂMERA GRAVA O QUE QUER. Isso não é arte, é só mais um palhaço querendo fazer o gentili, se travestindo num personagem a La lobão pra chamar atenção e puxar saco da mídia que adora essa provocação a grupos historicamente discriminados. Se é tão inteligente, faz piada com o opressor, lamber as botas dele é só subserviência.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Grandes mentiras da humanidade (POR MARCELO RUBENS PAIVA (10 Setembro 2013))


Hoje será ontem.
Ontem já foi amanhã.
Amanhã se tornará hoje e depois ontem.
São verdades imutáveis. Elas existem. Como a que o Sol nascerá todas as manhãs nos próximos oito bilhões de anos. No entanto, uma verdade hoje pode ter sido uma mentira ontem e vice-versa. Pode ter sido uma mentira resgatada. A não ser que se prove o contrário (sob intenso bombardeio).
Como: “A inteligência detectou grande depósito de armas de destruição em massa.”
A capacidade de mentir é eterna. A necessidade de mentir é inerente à espécie. É darwinista; aquele que só falou a verdade é um fóssil extinto há milênios.
Na infância, é que começamos.
O urro que acorda o quarteirão pode ser por uma mamada, cólica, balanço ou absolutamente nada! Urramos para mantermos nossos pais e toda a tribo em alerta, pois nascemos e sabemos que precisamos sobreviver.
Começamos a falar, começamos a mentir:

“Não fui eu.”
“Ele que começou.”
“Não fiz nada.”
“Não peguei.”
“Não quero!”
“Também quero.”

Mentiras sobrevivem ao ontem, que já foi amanhã. Mentiras universais, provincianas, inocentes e nem tanto. Algumas saem de moda, como ombreira, bobs, laquê e a Teoria do Dominó, que vislumbrou muitos Vietnãs em todos os continentes. Porém, a grande maioria delas é atemporal:

“Não vai doer nada.”
“A Justiça é cega.”
“Eu só cumpro ordens.”
“Sei guardar segredos.”
“Saiu para comprar cigarros e não voltou.”
“Quando se casar, sara.”
“Setenta virgens no paraíso só para você, se vestir este colete e apertar o botão.”
“Em ponto.”
“Fiquei preso no trânsito.”
“Dá água com açúcar, que passa.”
“O que não mata, engorda.”

O brasileiro é um mentiroso contumaz. Desde a nossa origem, em que se disse que estavam a caminho das Índias,  encontraram terra à vista por acaso, e que em se plantando tudo dá (uvas selecionadas para um bom tinto, como carménère, só dão no vizinho), a mentira esteve entre nós:

“Se é para o bem da Nação, diga ao povo que fico.”

“Todo Poder emana do povo.”

“Liberdade de expressão é garantida pela Constituição.”

“Deus é brasileiro.”

“Vamos investigar a fundo todas as denúncias.”

“Parece gato, mas é filé.”

“Não é margarina, é manteiga.”

“Acabou de sair do forno.”

“O preconceito no Brasil é social.”

“Pode pôr, a pimenta é fraca.”

“Brasileiro é um povo cordial.”

“No meu governo, não haverá privilégios.”

“Posso só experimentar?”

“Não existe racismo no Brasil.”

“Esqueci os documentos lá em casa, seu guarda.”

“Vou acabar com os marajás!”

“Podem quebrar meu sigilo bancário, não encontrarão nada.”

“Se ficar comprovado que outras empresas participaram desse conluio, todas serão processadas, doa a quem 
doer.”

“A porção é individual.”

“Eu estava justamente indo comprar o talão de Zona Azul.”

“Se acharem alguma conta no estrangeiro em meu nome, dou tudo para a Santa Casa.”

“Eu não sabia de nada.”

“Meu partido não faz alianças escusas.”

“Tenho certeza de que estava abaixo do limite de velocidade.”

“Seu guarda, foi só uma tacinha…”

“As alianças foram feitas em nome da governabilidade.”

“Não estou furando fila, só queria uma informaçãozinha.”

“Não ficaremos no poder, vamos organizar eleições e o devolveremos aos civis.”

“Sei que está vencida, mas já renovei, e a nova não chegou.”

“Só um minutinho.”

Porém, existem indícios na mitologia e história antiga de que já se mentia bem antes da primeira missa em 
Porto Seguro. Ou seria em Cabrália?

“Abram os portões. É apenas um cavalo. Presente dos troianos.”

“A Terra é plana.”

“Vejam, índios! Chegamos na Índia.”

“Vou dar só uma cutucada.”

“Que vença o melhor.”

“Vou dar só uma olhadinha.”

“Está em promoção.”

“Elvis não morreu.”

“Pra você, faço um preçinho camarada.”

“Liquidação!”

“Compre três ao preço de dois.”

“O prato só dá para uma pessoa.”

“Só falando com o meu gerente.”

“Posso provar?”

“O gerente deu uma saída.”

“Não foi eu quem deu as ordens, agiram por conta própria.”

“O senhor fica muito bem com este bigode, meu früher, dá um ar soberano.”

“O senhor fica muito bem com este vasto bigode, camarada Stalin, dá um ar poderoso.”

“Dali, este bigode é surreal.”

“Chaplin, não está na hora de tirar este bigode?”

“Paul McCartney está morto.”

“Hitler não quer guerrear contra nós, mas contra os comunistas.”

“Hitler não vai nos invadir, só quer a França e a Inglaterra.”

“Hitler é nosso aliado.”

“Hitler, claro que você pinta direitinho.”

“Marco Antônio, César foi apenas uma aventura.”

“César, Marco Antônio seria apenas uma aventura.”

“Meu povo, César e Marco Antônio são apenas aventuras pelo bem do Egito.”

“Somos mais famosos do que Jesus Cristo.”

“Vim, vi e venci.”

“Acabou de sair do forno.”

“Não fiz sexo com Monica Lewinski.”

“Não me importo com as críticas.”

“Foi feito lá em casa.”

“O Universo gira em torno da Terra.”

“Pode pegar que está fresquinho.”

“Antes do inverno, estaremos marchando sobre Moscou.”

“Esperança é a última que morre.”

“Se eleito, os soldados voltarão para casa antes do inverno.”

“A mentira tem perna curta.”






Grandes relatos: Coxinha Jr. e Lobão Sênior lá



Sabe, é muito natural que passemos por um processo de rompimento (UIA!) com o que aprendemos ser o tradicional. Geralmente, isso ocorre na adolescência, fase da vida em que estamos nos conhecendo enquanto gente, não só o instinto de ser da infância. É aí que, se, por exemplo, você cresce num lar conservador, pode vir a sentir o desejo de subverter esses conceitos ou vice-e-versa. Hoje em dia, vejo umas coisas interessantes do ponto de vista sociológico e também político. Por exemplo, conheci um jovem num trabalho, orgulhoso em se dizer neo-liberal, leitor da Veja e crítico do comunismo, mas sem nem saber o que é, apenas acha que é o oposto do capitalismo que oprime as pessoas querendo transformar o Brasil em Cuba, China ou sei lá. E ainda acha Rodrigo Constantemente um babacaino um fanfarrão e Lobão um bobão (perdão, trocadilho involuntário). Seu ídolo mesmo é Olavo de Carvalho. Ah, e acha American Dad uma crítica neo-liberal à sociedade, tadinho, sem perceber que é uma crítica AO neo-liberalismo. Até porque, classe média que adota essa visão política é o mucamo feliz em segurar a sombrinha da sinhá, né? Coxinha.

Vou fazer um paralelo entre esses dois, o reacionário Jr e o neo-reacionário (Lobão, aquele que muda conforme interesses da moda pra chocar). Primeiro, o reacinha mal passa dos 20 anos de idade e não consegue ouvir alguém perguntar se vai chover pra destilar seu medo do PT. Tipo 'Ei, como está o tempo lá fora?' "Vai chover, eu li na Veja que várias empresas estão abandonando o Brasil por causa do Lava-Jato". Essa lógica linda. Bem, dito isso, lembro que o garoto, quando o PT assumiu a presidência, ele ainda era uma criança que muito mal, ouvia a sua volta o que se falava em política, ou seja, expectador distante e sem conhecimento de vida e do assunto pra saber de algo àquela altura. E temo Lobão, que viu o oposto disso, viu a ditadura militar surgir, seu pai, amigo chégas de Roberto Marinho, por exemplo, ou seja, como muitos da sua geração rock '80, apenas aparece como rebelde porque quebrava com o tradicional de seus pais, voltando-se para o ninho depois de encontrar a própria personalidade e ter certeza que não era uma continuação, um outro braço de papai. Por mais paradoxal que pareça, é comum ao ser humano essa coisa de se afastar pra sentir que deve se aproximar.

Lobão A tiete do PT:


Voltando, Lobão, que já acusou Ivo Meireles de roubar sua ideia do Funk N'Lata, foi preso envolvido com drogas e já fez showmício pro PT, hoje virou colunista da Veja, atira bizarrices pra todo lado, sendo uma recente a que político deveria ser tudo rico. Ma, Bátema, se ele já passou da fase de romper com o tradicional, o que o levou a mudar de lado de novo de novo? Oras, gafanhoto, seu paipai era amigo dos Marinho, sendo o finado fundador da Rede Globo - que se ergueu como gigante na época da ditadura - aquele a avisar que Lobão estaria em maus lençóis gritando Lula Lá em pleno iniciante Domingão do Faustão. Não pela boca de urna, crime eleitoral, mas porque o adversário de Lula é que era o queridinho, tendo a maior manipulação de uma edição de debate que se lembre nos dias de hoje.

Lobão explica pro Gentalha porque ficou afastado da Globo, o que explica por que se bandeou pro lado conservador neo-liberal (e, Gentalha, vai enganar que você realmente estava desde 1989 com essa curiosidade de detalhes??? Ah, porra de mentiroso do carai.):


Então, voltando ao ex-colega reacinha da estrela, ele está numas de romper com o tradicional, o que explica ele prometer e cumprir de ir trabalhar com as roupas formais de uma festa do dia anterior, estampas de desenhos animados e essas coisas... sabe o famoso 'duvido tu fazer isso' e ele vai e faz pra provar que pode, pra ganhar conceito com a galera. O problema, é que ele mesmo pode acabar se voltando contra isso futuramente, ou a imbecilidade é atemporal e independente da idade, não me importa. O interessante é que parece haver um manual, cansei de ter postagens com ele se metendo a opinar e, quando eu citava algum trecho de texto meu, até, ele dizia 'não li não, mas acho isso, isso...'. Recentemente, num grupo de zap, ele postou dúzias daqueles memes racistas que eu critico o tempo todo, já tendo falado antes também que ele é chamado de branquelo em família, não entendeo porque mandavam isso pra ele, mas qeu ele gostava dessas 'piadas'. Gostaria de dizer que sarará só é chamado de branquelo por mentira ou por deboche, ok, re? (Rê de reaça, ok? estamos nesse nível de envolvimento após tentar me f*der com esses argumentos abusivamente falhos).

Bem, é isso, quando uma criança idiota cresce tendo o PT como governo federal, ele quer quebrar com o tradicional e adere ao lado que tornou moda falar mal do governo, mas não se preocupou em ler muita coisa sobre os tempos de seu amado PSDB no governo. Dicas não faltaram, já falei que meu primeiro salário era de 300 reais (brutos) e que o salário mínimo era uns 150$, 200$, e ele quer falar de inflação hoje, como se inflação, só por existir, já fosse o terror do mundo. Enfim, babaca é babaca mesmo e eu tive o desprazer de conviver por dois meses com uma cópia provinciana do já provinciano babaca Felipe Neto (aquele nerd de caráter dúbio da escola, que pode matar a turma toda ou se defender do possível bullying criando uma turminha da pesada pra falar mal e botar defeito em todos).