Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

terça-feira, 30 de junho de 2015

The Running Man (O Sobrevivente) - 1987



The Running Man (O Sobrevivente), com Arnold Schwarzenegger, é um clássico do cinema de ação oitentista (1987). Ali, o filme retrata que no futuro (o já não tão distante ano de 2017) governo e mídia são a mesma coisa e ao mesmo tempo que toda forma de arte e livre expressão foram banidas, o único programa é um reality com o mesmo nome do filme, onde condenados pela justiça se tornam alvos de uma caçada humana acompanhada pela audiência.

O interessante é ver que os condenados são inimigos do governo, mas não da população, por exemplo. O próprio Scharzzas, é Ben Richards, um policial que se recusa a abrir fogo contra manifestantes desarmados. O governo terminou a ação e prendeu Ben como traidor, manipulando informações para que ele parecesse o verdadeiro algoz da população, o que atrairia a comoção popular para assistir ao programa e torcer para os contratados da casa.



Óbvio, que tudo é acertado no final e o programa do governo desmascarado, mas o interessante é ver como não estamos tão distantes assim do famigerado ano de 2017 e o que acontece é bem isso. Quanta notícia aí não aponta mentiras descaradas baseadas em informações pela metade e associações aleatórias, não é mesmo?

Veja a grande mídia do momento que tenta associar até administrações municipais ao governo federal, incitam ódio contra a religião islâmica, uma irracional mobilização por redução de maioridade penal e até impeachment de presidente da república sem qualquer motivo real. Imagina esse povo conseguindo retomar o governo federal com seus privilégios de antes? Sim, The Running Man acontece, só que não veremos tudo filmado e registrado, já que os bastidores são só pra quem tá lá.

No mais, o filme é um clássico de ação futurista distópica, onde o alvo da mídia ganha o público no carisma e se torna seu herói. Tem Titio Scharzzas falando, mais uma vez 'i'll be back', tem Maria Conchita Alonso (aquela teteia) e tem frases de efeito. Viva a geração '80 de filmes brucutus!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

BOATO: Congresso aprova projeto de lei que acaba com 30 dias de férias dos trabalhadores



Gente, mais uma vez, o pessoal dos boatos ataca. Vamos ter atenção pra não sair repassando mentiras, pois a coisa não tá fácil. Já inventaram fim de décimo terceiro, bolsa prostituição, busto pra condenados à morte e a lista só cresce. Bem, a da vez é o fim de 30 dias de férias para trabalhadores.

Segundo o boato, o Congresso teria aprovado um projeto de lei 12 mil não sei das quantas que acabava com os 30 dias de férias, reduzindo para 14, e ainda o fim do adicional de 1/3. Esse alerta teria sido feito pelo Deputado Federal José Bonifácio, dando conta de que tudo ocorreu em segredo para que a população não pudesse se manifestar.

Vamos esmiuçar a balela. Teriam sido aprovados no Congresso apenas 14 dias de férias e o fim do adicional de 1/3. A mentira morre logo que você acessa o site da Câmara dos deputados e descobre que não há deputado José Bonifácio. Aliás, esse é um mecanismo muito comum dos boatos, se garantir numa prévia impressão generalizada sobre algo e ganhar adesão nos compartilhamentos sem que seja contestado. Se fosse pra contestar, veríamos que a notícia "embasada" não diz de que partido ou mesmo estado o tal deputado é. Não diz. Já se garante na prévia impressão de que o que vem do Congresso só pode ser corrupção e ataque aos direitos da classe trabalhadora. E uma pergunta pessoal ao deputado fantasma: Você tava lá dentro e só depois de "aprovado" que vem avisar ao povo? Pô, "Bonifácio", que trollada!!

Ainda no site da Câmara, não há projeto de lei com esse número na casa dos doze mil. Na verdade, não houve nem tempo de ser criado um número tão avançado, conforme o tal deputado inexistente tenta alertar. Aliás (de novo) outro singelo mecanismo dos boatos é criar o clima de alarmismo e conspiração. Clima esse que desaba assim que você procura rapidamente na internet. Eu, por exemplo, diante desse tipo de notícia absurda, dou logo um google e a fonte pra desmascarar esse boato, eu achei na primeira página sem muito esforço. Só jogando o título. Voltando ao clima de alarmismo, veja que a data da mentira sempre é atualizada, neste caso, seria de 5 de junho (o que já GRITA que é mentira, pois se as leis são enumeradas de aconrdo com a ordem e o ano, logo, ainda estamos em junho e já contam mais de 12 mil projetos pra 2015? Impossível um bocado, né?) e já mandam logo um papo furado de que foi tudo votado em segredo sem chances de manifestação.

Novamente eu falo, como eles já sabem que certos assuntos são senso comum e nunca contestados pela maioria, essas lorotas ganham facebooks, sites e blogs revolTODDY online e Whatsapp com velocidade e certa facilidae. Quem resiste ao impulso de repassar uma notícia bombástica e ser o primeiro a contar a novidade, não é mesmo? É, mas é preciso refrear esse impulso, porque esses textos não se criam no ar, alguém cria com alguma intenção, nem que seja a simples intenção babaca de ver até onde faz os outros de bobo. NÃO CAIAM! Sempre tem as mesmas características:

1) Clima de conspiração: Foi votado em segredo, sem possibilidade de manifestação (ma, oras, bátema, se foi votado, deveria aparecer no site, né? portal oficial? alô?).

2) Assunto de interesse geral: A maioria da população é trabalhadora, então, levantar a mínima possibilidade de que algum direito da CLT vai ser afetado, logo causa comichão no pobre.

3) Falta de detalhes/Detalhes aleatórios: Nem o nome do deputado que "escreveu" o texto, nem o número da lei "aprovada" existem no portal oficial, o que já deslegitima a "notícia".

4) Carona no senso comum: O senso comum é a pessoa nem precisar olhar ou ouvir algo pra já ter certeza de que sua opinião sobre aquilo estará certa e um dos maiores expoentes disso é aquela velha impressão "apolítica/apartidária" de "todo político é corrupto", logo, pra tirar direitos do trabalhador e aumentar suas próprias regalias, pra galera do senso comum, é certo 100% do tempo. Verdade absoluta como o Sol.

Fica a dica, pra acabar com direitos como dispositivos da Constituição e da CLT é preciso muito mais do que uma suposta reunião secreta sem nota em site oficial do governo. Isso parece mais aquelas matérias sensacionalistas da Veja ou do JN, que começam criticando um carro estacionado e logo liga ao governo do PT, num obvio desespero de ver que pode sim um governo federal dar menos atenção aos ricos pra equilibrar minimamente a balança pros pobres. Tem dó, internet é como uma granada, se você não sabe manusear, vai causar estragos pra todo mundo ao redor.

Fonte: BOATOS.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Megaman e os jogos desafiadores que não se fazem mais



Eu, que sou nerd velhacão, até gostava de um cheat code nos games 'dazantiga', mas a graça era a conquista, era dar aquela superada no jogo e nos coleguinhas. A geração de hoje tem jogos muito mais longos, mas também muitas regalias, tipo, vidas infinitas, save points a toda hora, claro, é preciso, já que jogos são feitos pra você levar uma semana desperdiçando investindo esforço dignidade, virgindade e vida social pra zerar, sem contar com os extras pra liberar uma nova fase, um novo nível de dificuldade ou algum troféu pra se gabar na rede... ma pera lá, cadê o desafio de 'se der bobeira, começa tudo de novo'? Isso que era legal e acirrava as disputas entre a galera. Vou citar dois momentos que exemplificam como os games melhoraram 1000% em visual, acessórios e jogabilidade, mas perderam sua essência aventuresca pra dar lugar a uma segurança 'ovocomperaeovomaltinorizada' na garotada. Vamos falar, primeiro, de Megaman. O jogo do robozinho azul da Capcon foi um marco e foi muito a cara da Nintendo junto com aquele simpático bombeiro hidráulico ítalo-estadunidense. Assim como a maioria, se não todos, era uma série que você passava de fase meio que na porrada ou com alguém que apanhou antes de você pra ir dando dicas. Daí, vamos ver como adolescentes de hoje se portam diante de um joguinho - a princípio - bem simples e direto de plataforma? Confira:



Diante da reação dos adolescentes diante do jogo, podemos concluir alguns fatores bem básicos que, pra gente, são normais, mas que pra eles seria como se nós, velhões, nos deparássemos com uma justa medieval, sei lá, algo bem estranho para nossa realidade e que não faz parte de nossas lembranças. Fiz uma pequena resenha e elenquei algumas passagens do vídeo e vou comparar com um clássico aventuresco dos tempos de hoje: Kratos/God of War. Só pra dar uma noção de 'antes-e-depois', ou melhor, como eles esperavam e como era. Vamos lá: Enquanto no jogão do espartano você tem save points infinitos ao longo de vários cenários, barras de energia e magia que vão sendo incrementadas, armas variadas de alcances impossíveis, acessórios e quase imortalidade (basicamente, onde não for abismo, você pode cair até do Kilimanjaro em Madureira que não perde um milímetro da barra de energia, e ela ainda vai regenerando sozinha a cada continue/save point usado).



Também há um problemão pra nova geração (rima involuntária), que é o cenário e a disposição dos inimigos. Mais de um adolescente falaram coisas como 'caraca, tudo aqui me ataca por todos os lados'. Achei uma gracinha quando uma menina falou 'oh, Megaman, legal, eu costumava assistir ao programa' (lembra do desenho dos anos '90? Então...). Daí, veio a tela pra escolher o cenário (pra quem não lembra, isso definia o inimigo/chefão ao final da fase, cada um diferente do outro). A moça logo se decepciona - nunca perde a graça essa reação pra mim - e fala algo como 'nhé, não parece muito com o Megaman', o que me faz lembrar que grande parte da magia dos games e animações antigas era o potencial imaginativo, usávamos nossa imaginação pra enxergar seres mitológicos e heróicos onde eram dois ou três pontinhos coloridos (mamãe sagatiba não sabe até hoje pra que lado o esquimó do Atari está virado. Rá!).



Comandos limitados, além dos já citados ataques de tudo que se move na tela (e também do que não se move, assista) e uma característica muito comum que nos acostumamos, que era não voltar para a esquerda da tela, pois, ao avançar de novo, nos depararíamos com os inimigos todos de novo, mesmo que os tenhamos destruído na primeira passagem, coisa que não tem hoje, quando os inimigos acabam e você pode percorrer cenários livres até achar que precisa estar com seres humanos de novo na vida real. Falando em voltar, os garotos ficavam chocados com as fases repletas de perigos e que não lhes dão chefões logo de cara, fazendo você suar muito pra passar. E se perder, volta tudo, TUDO, mesmo com continues disponíveis (geralmente, no máximo 5). Não tem recarga de energia o tempo todo. Ao final - quando somente um UM deles consegue chegar ao primeiro chefão (e morre em menos de 15 segundos), uma das adolescentes chega a dizer 'esse jogo é muito desafiador', o que chegou ao chefe diz 'nem os jogos que eu conheço no nível difícil são tão difíceis quanto este' e outro deles termina dizendo 'nunca mais vou jogar Megaman de novo, desisto'. huaehuaehuaehua.

Acho que eles esperavam que os jogos antigos fossem masi fáceis, já que era uma época em que a 'mídia' era voltada mais para crianças (crianças de aço, como comprovamos por estas provas, rá!). Então, talvez eles quisessem isso aqui:


Caras, essa do Space Invaders 'viemos em paz' foi a melhor, mas confesso que desejei por um segundo que a impossível fase da moto do Battletoads fosse assim como no vídeo de comédia. (chorei feito um ninja silencioso no canto escuro do teto do meu quarto agora).

E pela reação, os garotos pareciam estar diante de um outro vídeo da mesma galera do anterior, só que em vez de modo super fácil, eles se sentiram no modo super impossível. hahaha.


O Zelda foi engraçado com o velhinho 'argh, um intruso, vou matar', mas o que me doeu mesmo foi o das Tartarugas Ninja, pois foi exatamente o que aconteceu recentemente no cinema. O diretor Michael Bay (dos rasos roteiros entrecortados de cenas de explosão e correria de Transformers) apareceu e transformou tartarugas mutantes ninjas adolescentes em brucutus bombados que nem eles mesmos parecem ter entendido, mas enfim... Vale a piada e a clássica frase de Xavier pra Magneto nos primeiros filmes dos X-Men: "Estamos ficando velhos, Eric".

E outra, sim, sou velho resmungão do tipo 'no meu tempo era melhor' de vez em quando, ok? Dê-me essa liberdade. Rá! Inté a próxima com alguma velharia da cultura pop, contestação social ou sei lá mais o quê, depende do meu humor e do que eu estiver lendo no dia. Rááá!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Meia dúzia de erros de Homem-Aranha no cinema





Olha, não estou criticando o filme em si, foi muito bem feito, pro ano que veio, a tecnologia e o momento cinematográfico, tudo isso explica e justifica os acertos e erros do filme enquanto filme de super herói, mas enquanto uma adaptação especificamente do Homem-Aranha (meu primeiro herói favorito), achei que alguns pontos bem pontuais (hein?!) deixaram a deseja já naquela época (nem vou discutir a tecnologia, CG e efeitos especiais em geral).

Pra você ver que sou legal, vou passar por cima de decisões rasas da produção, como explorar pouco a relação paternal de Peter e Norman Osborn, a briguinha ‘você não é meu pai’ com Tio Bem pra apelar pro remorsos ainda maior do – então futuro – herói e outras coisas que eu vou esbarrar daqui a pouco na listinha que preparei pra tiS (sim, ti no plural. Rá!).

Então, é isso aí, valeu, gente, até a próxima e... ah, não, esqueci que tem que falar da lista no texto que tem justamente esse propósito (Rá!²). Vamos aos pontos em que Homem-Aranha (principalmente o primeiro de 2002) poderia ter dado um caminho diferente ao herói nas telonas (e PCs via torrent que eu sei, hein, seu pirata!).

11)      Mary Jane amor de infância de Peter e com personalidade de Gwen Stacy

Mary Jane fala gracinha e ouve de Gwen:
Quando isso, querida, antes ou depois de
eu arrancar seus cabelos?
Uma coisa interessante que rolava antes e aconteceu com mais freqüência depois dessa nova franquia “Homem-Aranha/skatista/Coldplay”. Falo da frase ‘ah, Mary Jane não foi a primeira namorada dele?’. Isso, gafas, (gafanhoto pros íntimos), Peter, pra um nerd tímido, já deu uns lances com Felícia Hardy (a Gata Negra) e Betty Brant (secretária de J.J. Jameson), mas seu verdadeiro amor foi Gwen Stacy. Ela era a jovem meiga por quem Parker se apaixonou até ser morta pelo Duende (Norman) num dos episódios mais emblemáticos da história do aracnídeo da Marvel, e até das HQs em geral. Aliás, esse tal episódio teve referência na cena em que Peter precisa decidir entre Mary Jane e um bondinho lotado de pessoas. Foi lá na ponte que ocorreu tudo. Mary Jane, viria depois, uma garota popular modelo, gostosa, legal e só. A relação deles só brotou quando Gwen já era um passado sofrido da galera. Aí, no filme, juntaram a personalidade de Gwen num background ‘lar destruído’ e ZAZ! Mary Jane no cinema. E primeiro amor de infância de Peter ainda, ou seja, a Gwen que aparece em Homem-Aranha 3 não tem nada a ver com eles, Harry, Flash Thompson e a tchurminha do barulho aprontando altas confusões.


22)      Peter meio nerd, mas Homem-Aranha não piadista


Essa, eu acho que influenciou diretamente na história do filme, ou a direção influenciou nesse fato, sei lá o que veio primeiro. Bem, o Peter é nerd gênio, gente boa e auto-contido, mas o Homem-Aranha é um piadista de primeira, que usa esse artifício pra irritar os inimigos e levar vantagem com a falta de concentração dele... além de ser um sacana nato mesmo. Mas no filme, ele faz uma piada no início, quando ainda está lutando por dinheiro e depois, quando se depara com o Duende no Clarim Diário, quando cala a boca de J.J Jameson com uma teia. Muito pouco pra um filme inteiro. Como eu falo, modificou uma característica básica do personagem. O filme focou tanto em romancezinho água-com-açúcar que só mostrou o teioso herói de emergência, sério compenetrado, meio que Superman e nem o gênio que bolava umas tralhas de improviso pra se virar ele se mostrou.

Diante de comparações entre Viúva Negra e a descrição clássica do Superman, ele protesta: Ei, dá pra manter as referências
sobre os poderes de aranha? (Sempre tem tempo pra uma tiradinha sacana).
33)      Harry e Norman sem o cabelinho crespo legal

Essa foi uma das primeiras que me incomodara, mais até do que a aranha radiativa substituída por ‘geneticamente modificada’ ou a teia orgânica, abolindo os fantásticos lançadores de teia. Mas isso tudo eu entendi, mas apesar de fisicamente bem parecidos no filme (Willem DeFoe e James Franco), achei que os cabelos ‘de ondinhas’ eram uma marca dos personagens, não necessariamente canônicos, mas senti um estranhamento bem no fundo do meu ser (UIA!). Saca, como se Christopher Reeves/Superman aparecesse de mullets? Então, mudança inútil, então, desnecessária.


44)      Duende Verde Power Rangers

Essa sim, uma que me fez lembrar do primeiro X-Men do cinema (2000). Essas adaptações de roupas são uma questão polêmica pra mim, no melhor sentido da palavra. Realmente é algo que me divide opiniões e não há uma resposta exata que não deixe brecha pra contra-argumentações. Mas, lá vai meu ponto de vista. Achei feião esse Duende de armadura. Pra um cara louco que voa por aí num planador a jato rindo feito Coringa e atirando bombas em formato de abóboras, acho que a velha máscara de borracha faria muito mais sucesso. Imagina, ver um cara de carne e osso com uma máscara de borracha fazendo essas atrocidades. Caras, me assustaria muito mais que um Power ranger daqueles. Vai fazer o quê depois, ficar gigante e destruir a cidade? Afe...  E nem me venha falar que ficaria ridículo usar uma roupa colante e colorida, pois esse ranger robô mirim não ganha em nadado traje original. Até porque, já viu esse povo de academia, como suas roupas são colantes e coloridas? Vida real, caras!


55)      O criminoso que matou tio bem ser cúmplice do Homem-Areia

Essas ligações de coincidências de roteiros me fazem um pouco furioso. Tipo o Coringa que matou os pais do Bátema no filme de Tim Burton (1989) ou o caráter messiânico de Jor-El ter pesquisado o universo pra saber que na Terra, seu filho seria um super herói pra salvar a humanidade (Superman-Homem de Aço – HQs, 1986). Aqui, além da MJ ser amor de infância, levamos três filmes pra descobrir que o bandido que matou tio Bem estava nessa com Flynt Marko, que entrou pro crime pra sustentar o tratamento da filha doente (como vimos em HA3). Caras, a própria história do personagem já traz essa ligação com o cara sendo o mesmo que Peter deixou fugir só pra se vingar do contratante da luta que deu volta nele com a grana do prêmio. Aí, ainda tinha que jogar um sujeito que nem aparece no filme? Sério, maneira no retcon porque é igual feijoada, vai ser melhor assim.


66)      Harry é só um mimado querendo aprovação paterna

Harry, no gibi, tem uma história e tanto. Ele perde a mãe no momento que esta dá-lhe à luz, é tratado pelo pai de forma fria e distante, alternando com momentos de violência doméstica, o que o leva a se drogar. Sua personalidade, que nunca foi lá essas coisas, se deteriora e ele desenvolve problemas que se tornam mortais quando ele assume o manto do Duende Verde, após a morte do pai. É isso. Ou deveria ser, né? Já que no filme, ele apenas é um mimado com pai distante buscando aprovação dele, culminando com a vergonha alheia de ele acabar de levar um fora do pai, na frente dos amigos, agredindo verbalmente MJ – até aquele momento, de namorico com ele – só se calando ao levar um fora de Tia May. Caras, na boa, faria muito mais sentido se ele tivesse esse passado de drogas, agressões e esquizofrenia. E não ia ser demais pro público, todo mundo entende rápido como essa combinação dá problema.



“Ain, Saga, que nerd chato que vê defeito em tudo. Aposto que é porque não gosta de adaptações”. Não, gafas, eu gosto de adaptações e muitas são necessárias tanto pra mudança de mídia (de quadrinho pra carne e osso muita coisa precisa mudar) quanto pra própria linguagem de cinema e público diferente. Só que, voltando de novo, uma mudança não pode afetar a construção do personagem. Não ligaria pro Peter japonês, mas ele teria que ser o nerd gente boa que vira um ágil herói piadista quando usando a máscara de aranha, saca? Esse (Tobey Maguire) ficou a cara do Peter nos quadrinhos, mas perdeu todo seu lado ‘engraçaralho’, igual o Bátema, que nunca tem seu lado detetive explorado, saca? Mas se te conforta, achei o Jameson perfeito. Fiquei até surpreso em saber que é careca, no melhor estilo ‘cara, como assim tu num é o Jameson de verdade?’. Haha, estou sendo engraçaralho. Viu, Sam Raimi, não é difícil fazer piadinhas sem graça pra irritar os outros. O cabeça de teia bem que poderia mais.

terça-feira, 16 de junho de 2015

X-Men: Deus Ama, o Homem Mata - Conflito de uma raça



Como hoje em dia está muito fácil se falar besteira pela internet, até porque internet provém dois fatores muito importante pra besteiras mil se propagarem: 1, ela dá a sensação de valentia e impunidade que nenhuma cachaça braba consegue e 2, ela é igual papel em branco, aceita qualquer abobrinha sem restrição, o que provavelmente dá a ideia de que o emissor/divulgador da falácia pense ser sinal divino de que está certo.



Mas vamos falar de coisa boa, uma das séries que mais permeou meu imaginário infanto nerd juvenil desde o final dos anos '80 e início dos anos '90: X-Men. Pois bem, os 'xisméin' possuem uma historiografia vasta de aventuras espaciais, quebras massa e muito novelão também (porque você pode combater o crime e ter uma D.R antes do churras de fim de semana, não é mesmo?). Então, o que acontece, estou falando de uma aventura especificamente, e no tema que tornou os filhos do átomo referência no assunto: Diferenças e respeito à diversidade. Já falei antes que a mutação genética a que são acometidos (por fatores diferentes, mas com a mesma raiz) pode ser encarada de diversas maneiras na sociedade e esse é o grande barato da série. Sempre achei estranho que um soldadão usando um soro seja herói nacional, mas um adolescente, porque nasceu assim, é odiado (e nem tô falando ainda do Homem-Aranha, visto como ameaça por alguns porque usa uma máscara e escala paredes... bem, seria estranho mesmo).

Entonces, falemos de O Conflito de uma Raça - também conhecido na tradução literal de Deus ama, o homem mata. Nela, o ex-militar, reverendo fundamentalista Stryker (você já o viu nos filmes da franquia cinematográfica como militar) está propondo que se "limpe" a humanidade dos mutantes. Daí, eu retomo o conceito básico da abordagem mutante: a homossexualidade. Muito recentemente um garoto de 14 anos foi brutalmente assassinado só porque era gay e uma foto de uma travesti assassinada há alguns anos está correndo internetES afora como 'a mulher trans que encenou uma crucificação' na parada LGBT, sob comentário do "bispo" que postou como 'justiça divina'. É mentira, falo logo, não era a mesma mulher trans, crucificação não é direito autoral da bíblia e sim um método de tortura muito antigo e isso é uma estupidez. Veja que eles são absurdamente parecidos com um personagem de quadrinhos, meus caros. O irracional personagem alega que é um instrumento de deus pra justificar seu ódio e sentimento de vingança contra quem não lhe fez nada, apenas porque é diferente.

Note que assim como a sociedade média faz com gays, negros, pobres e outros grupos que não estampam a grande mídia como protagonista de novela, os mutantes da ficção são vistos como uma subespécie de humano, acredite, essa é a verdadeira razão para não aceitarmos que um negro seja chamado de macaco, já que isso não é só um apelido - afinal, existem macacos amarelos, brancos, cinzas e outras cores - mas o teor de associar negros a um animal que lembra muito, mas não é gente de verdade é que é o que pega. Assim como ele aponta pra Noturno e desdenha de sua 'humanidade', deixando de lado que é uma pessoa com sentimentos, com desejos, sonhos e personalidade. Quem definiu o que é ser humano? E porque justamente esses 'normais' é que acham que podem definir quem não é? O que os interessa tanto a vida alheia? Sabiam que desde a família real portuguesa que só vem maluco pra cá? Esse conceito de família tradicional não pode ser pré-definido já que fomos governados por um bonachão que andava com comida nos bolsos, uma rainha ninfomaníaca, um príncipe, depois imperador - tarado e muitas outras mirongas. Enfim, falei demais, veja numa página só como Chris Claremont já demonstrava sua preocupação genial com a sociedade há mais de 30 anos atrás (a saga é de 1982, junto comigo, rá!).

Veja na página emblemática, esse diálogo e troque ali, no lugar dos X-men, algum grupo discriminado (mas discriminado mesmo, do tipo que morre por ser o que é e não esse mimimi de 'ain, eu sofro preconceito por ser homem, branco, hétero, etc').



"Graças a você e a pessoas como você, os mutantes têm vivido dias de medo e desespero (...) Será que rótulos arbitrários são mais importantes que o modo como vivemos? E o que dizem de nós, mais importante do que o que realmente somos?" - Scott Summers/Ciclope.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Mercúrio: Das HQs para o cinema


Caras, fazia tempo que eu não escrevia sobre quadrinhos apenas por diversão. Lá vai. Ou melhor, lá se vão... anos... Já se vão muitos anos desde que eu era um aficcionado por quadrinhos, mas muita coisa eu ainda tenho e releio com frequência. Mas uma coisa que dá muita graça em ter esse lado nerd ainda vigorando aqui em algum lugar é quando a gente pode realizar essa fantasia de super poderes em boas representações cinematográficas. E... caras, muita coisa boa aparece hoje em dia, mas o Mercúrio (Quicksilver) de X-Men: Dias de um futuro esquecido foi uma grata surpresa.





Digo surpresa porque sempre gostei do personagem (acompanhei muito a fase em que ele fazia parte do reformulado X-Factor, uma equipe mutante a serviço do governo em nome da lei e aquele blá, blá, blá). Nessa época, ele já era um respeitado mutante do bem e com uma filha pra criar, um pouco distante do espertalhão filho do Magneto em busca de aprovação do papai. Mas não vou falar muito do personagem, e sim de sua encarnação no cinema.



Antes, temos que falar de sua outra encarnação, a do estúdio Marvel (de Os Vingadores-A era de Ultron). Se por um lado o Mercúrio da Fox é um mutante adolescente setentista, o da Marvel é um humano alterado por testes genéticos que visa se vingar, a princípio, de Tony Stark por ser dono do complexo empresarial que forneceu as armas que seu país foi bombardeado (tendo perdido seus pais), ou seja, Pietro e Wanda não são filhos de Magneto no universo de Os Vingadores, são irmãos rebeldes. E o modo como Pietro (que além de não ter relação com Magneto, também não é chamado de Mercúrio/Quicksilver) termina o filme, podemos imaginar que ou ele volta naquelas desculpas de que velocistas se curam super rápido - o que eu duvido e já digo porque - ou eles já tinham mesmo a intenção de usar apenas a (futura) Feiticeira Escarlate (que no filme parecia mais uma encarnação de Jean Grey por seus poderes resumidamente telecinéticos/telepáticos.

Voltando ao Mercúrio da Fox, este, com uma personalidade diferenciada de sua versão original, lembrando muito o entediado afobado prepotente adolescente do tosco desenho X-Men:Evolution. Ali estão plantadas sementes para ele se desenvolver mais no próximo filme da franquia, pois ele menciona, na cena do elevador no resgate de Magneto, que achou curioso o poder do mestre do magnetismo, pois sua mãe já esteve com um cara que fazia isso também (detalhe para a olhadinha do tipo "ei, será que não foi você que saiu com minha mãe?").



E explico para os não nerds: Magneto, após escapar dos horrores do holocausto, iniciou uma vida família com esposa e filha. Num dado momento, essa filha se via num incêndio e por um motivo que não lembro, uns jagunços impediam o pai de salvá-la. Ao perder sua filha, os poderes de Magnus se manifestaram pela primeira vez e ele dizimou uns capangas assustando sua mulher, que fugiu. Anos e anos mais tarde, apareceram os irmãos Pietro e Wanda Maximoff, revelados em seguida como os gêmeos que a mulher de Magneto já carregava sem mesmo saber, quando fugiu do seu 'estranho' marido. O resto é história.

Enfim, além de gostar muito de personagens velocistas, depois do Flash (Wally West) e do Kid Flash (Bart Allen), Mercúrio sempre me agradou enquanto personagem, sobretudo na relação com o pai e os companheiros mutantes. E, no cinema, o personagem recebeu a reprodução que merecia na sua cena principal, quando evita que Xavier, Magneto e Wolverine - além dele mesmo - sejam baleados por seguranças da Casa Branca. A cena é um primor. Quando tudo começa a ficar em câmera lenta, você já sabe que lá vem super velocidade. É quando Peter (e não Pietro como o original, mas muitas vezes referido assim nas HQs - como Piotr/Peter Colossus) põe seus fones de ouvidos e seus óculos pra agir. Assista à cena e ao making of logo abaixo.

Cena:


Making of:


Só um adendo: Também achei estranho que a música no radinho do garoto esteja em tempo normal ao passo que o mundo praticamente para diante de suas habilidades com velocidade, mas é uma fantasia que eu compro, embarquei porque o resto todo é do jeito que eu queria sempre ter visto um velocista agira e não só bullet times e câmeras aceleradas.

No mais, prefiro vê-los como versões diferentes, como temos o universo 616 e o Ultimate (de onde saiu muito dos Vingadores, sobretudo o Nick Fury de Samuel Jackson e essa estética mais "realista" e menos coloridona).


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Gang e a solidão da mulher negra no dia dos namorados


“Calça da Gang, toda mulher quer, duzentos reais pra deixar a bunda em pé”.

Nossa, essa veio muito antes de se falar em funk ostentação. Provavelmente porque não é do tempo do governo do PT consolidado, quando pobre era miserável e não podia usufruir de vários itens e bens de consumo, mas isso é outra conversa. Estou aqui pra falar desse ano. Deste ano. 2015, a Gang, marca famosa há décadas, fez uma colagem de fotos em que aparece a diversidade no amor. Diversidade? Talvez a diversidade da Boticário, com casais gays, mas nenhum negro (hétero ou gay), ou seja, quis fazer cartaz, parecer descolado e gente boa, mas errou feio, errou rude. Imagina, saganauta (saga-o-quê?!) que você me fale que é vegetariano e, pra ser legal contigo e pagar de muito interado nos paranauê, eu te presenteie com salsicha de frango. É tipo isso, parece que eu to tomando uma atitude diferente, mas não parei pra fazer uma pesquisa mínima sobre o assunto que te agrada.

Eu explico. A gang fez uma colagem em que a única mulher negra que aparece está beijando um manequim. É a única sem um par. Numa pesquisa muito rasa qualquer, você se depara com inúmeros textos onde se aponta a mulher negra como o pé da pirâmide social de relacionamentos. Inclusive aqui e no meu outro blog, o Raiz do Samba em Foco. Pensa comigo, Jeremias, o mundo é racista e o europeu criou isso escravizando povos inteiros, em vez de inimigos de guerra, como fazia antes, assim, o negro e o índio foram escolhidos pra figurar nesse lixo de história que nos impuseram. Daí, o o mundo também é machista, pois, detonaram sociedades matriarcais inteiras pra empurrar essa lei mentirosa de que mulher é sexo frágil... não é, só foi oprimida, assim como o negro. Então, dessa equação, podemos concluir que se você é homem e branco, você tá com tudo, não deve explicação a ninguém... no máximo, vão dizer que você não samba legal. E é verdade. Rá!

Você nota que é um costume não ter negros. Tipo, achei uma ou duas numa página inteira de buscas. Muito pouco pra porcentagem que consome. Quer nosso dinheiro, mas não quer nossa cara? 

Então, concluímos também que se você é homem e negro, você ainda tem um mínimo suporte no machismo, pois, aprendeu com o homem branco a dominar sua mulher, mas ... e a mulher negra? O que sobra pra ela? Pois é, meu nobre, a mulher negra leva porrada duas vezes, pois é oprimida pelo branco e pelo homem. E, na contagem da equação – ainda não acabou, acompanhe – a maioria da população é pobre, logo, se sabemos que a maioria da população é feminina, então temos a maioria da população feita de mulheres negras e pobres. Contando ainda – eu avisei que não tinha acabado – com a referida marca de roupas – sucesso entre funkeiros há umas décadas – podemos concluir que a marca era muito adorada por maioria de mulheres negras. As mesmas que agora são “representadas” se “relacionando” com um manequim. PARABÉNS, GANG! Troféu joinha 2015 pra vocês. Se o Boticário já tinha vacilado na exclusão do negro, vocês conseguiram superar o feito incluindo, mas não reconhecendo que mulher negra também tem namorado, apesar de a sociedade só querer que ela seja uma explosão na cama e excelente rainha de cama, mesa e banho.

Caracas, gente, o que vocês fumam de exótico no café da manhã? Eu até tenho a teoria de que é pura provocação, mas mesmo pensando assim, ainda acho exagero porque há muito dinheiro envolvido só pra trollar um grupo específico na sociedade. Eu poderia ter ido na página da empresa exigir retratação, mas não faço isso porque, como eu disse, não acredito em inocência nesses casos, e muito menos porque já cansei de trabalhar em atendimento a consumidor e sei que essas respostas são tudo texto decoreba já salvo em algum banco de dados Access/Excell/Word (Office ou LibreOffice – Rá!), então, fica meu manifesto. Manifesto de um homem negro que vive com uma mulher negra e é cercado de parentes e amigas negras que não precisam desse deboche na vida, sobretudo, numa data comercial em que se impõe midiaticamente a necessidade de estar em um relacionamento. Não sou dessa gang do descaso e do deboche. E não adianta colocar casais LGBT ogados ali porque fica com cara de forçação pra fazer média, já que não lembrou que a população negra e consumidora é muito maior no mercado. Questão de pesquisa de marketing. Uma empresa faz isso, correto? E pesquisou público pra dar nisso?



Entendeu, Gang? Entendeu O Boticário? Vocês não entenderam que o negro é mais de 50% da população e compra coisas. Não compra besteira... quer dizer, besteiras TAMBÉM, inclusive itens de lojas que não nos vê como gente de verdade. Por mim, eu boicoto mesmo. Faço isso com uma facilidade enorme, e depois apareço na net pra falar mal. É isso que acontece com marcas que mandam mal, a gente fala mal. Exército de difamadores e com razão. Olha pra essa foto e imagine a mãe de vocês. Eu não gosto de apelar pra esse 'e se fosse com você', porque acredito que respeito deva vir de berço, mas pros que - nitidamente - não sabem o que é isso, mando mesmo na lata: Olha pra essa porcaria que fizeram e pensem se iam mesmo ganhar aplausos das pessoas que vocÊs representaram ali. E note, por fim, que o homem negro, pra variar o senso comum, está com uma mulher branca e/ou fazendo parte de um relacionamento a três com brancos. Pode até forçar umas de que isso é reflexo da sociedade, mas um comercial de 30 segundos não é uma peça documental sócio-antropológica, ok? Então, se fizeram esse comercial da cabeça deles, não é pra excluir, é uma marca, uma empresa que lucra com vendas, então, até representar direito, não vou ouvir nem falar bem dessa coisa. "A loja que me entende"? A narradora, com certeza é branca, porque se fosse negra estaria muito enganada. Veja aí pra ter noção:



Não quer mostrar nossa cara direito, mas se entrar na loja, mesmo torcendo a cara, aceita nosso dinheiro, né? Aí, pode?

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O Boticário e a diversidade que não é tão diversificada assim


O Boticário lançou uma campanha para o comercializado dia dos namorados. O comercial gerou um burburinho – pra não dizer estardalhaço – por parte da família tradicional brasileira (quê?!?!?). Sim, defensores da ‘moral e dos bons costumes’ (aquela gente hipócrita que acha que vive numa série suburbana estadunidense antiga) vieram a público e, diretamente, se reportaram à empresa repudiando a iniciativa de mostrar casais gays sob o fundo musical ‘Toda forma de amor’. Sempre vou achar muito revoltante que, segundo a lógica retrógrada conservadora, um comercial com gay vai te tornar gay, mas um amigo próximo bom em matemática, não passe o dom das exatas por osmose... Enfim, vai entender... acho que é muito medo de soltar a tarraqueta e ter que explicar a seus amigos igualmente conservadores, igualmente encubados. Quanto a isso, já me manifestei bastante sobre essa promessa de boicote pobre de espírito, mas o contexto aqui é outro, pois sobre respeitarmos e aceitarmos as pessoas como são, como sabemos, não é favor, é direito de cada um (claro, não estou falando em aceitar um psicopata, você me entendeu, né?).

Como puderam pensar em diversidade e não ter negros? Parece que alguém chegou e falou 'vamos mostrar grupos discriminados... vai põe gay aí que dá ibope'.

A coisa aqui passa por uma linha tênue entre a polêmica e a ironia trágica da exclusão. Enquanto todos estão ocupados brigando entre si sobre mostrar casais gays, acabar com a família tradicional brasileira e o mundo virar gay porque existem gays nele, muita gente tá deixando passar a exclusão do negro. E o negro? E, neste contexto, mais especificamente, e o gay negro? Oras, como em tudo que tem apelo popular, se somos mais de 50% da população, como que não conseguiram pensar em um casal afrocentrado? Lógico, a resposta óbvia seria ‘porque eles provavelmente não convivem com negros’, o que seria a mesma resposta para nossa ausência em lugares diversos em novelas (que não apenas cozinhas de ricos e favelas), comerciais, capas de revistas e por aí vai.

Campanha Make B, onde, segundo a descrição, seria pra mostrar a beleza da mulher brasileira. Talvez, as nascidas na Áustria, né?

Lembraram que há gays no dia dos namorados, então, por associação, sinto que vamos ser representados numa campanha lá pra novembro, já que fomos contemplados no mês passado com a campanha de dia das mães, por dedução minha, ser uma data que sempre cai próxima ao 13 de maio. Enfim, essa é um sarcasmo da minha parte, porque o fato é que não há negros na campanha e eu não posso aplaudir a diversidade se ela não me contempla, mas veja bem... Não é porque não ME contemple pessoalmente, mas por que me exclui enquanto grupo social. Oras, eu e minha mulher somos negros, usamos perfumes, mas na hora da empresa mostrar que sabe disso, ela não bota nossa cara lá? Assim, penso, seriamente, se essa diversidade toda do comercial não é uma muleta pra chamar atenção, uma média pra gerar o barulho e atrair olhares para a marca. Sacou? Criar a guerra “homofobia x gays e o restante de gente legal que só de sacanagem vai apoiar a empresa”.

Campanha de dia das mães este ano. Lembro que achei muito legal a inclusão... mas já voltaram ao 'normal'.

Imagino que poderá haver uma adesão gay significativa, sobretudo quando líderes político-religiosos se metem pra criticar, aproveitarem seus 15 minutos de fama pra incitar aqueles que não pensam como eles. Mas, como expliquei pra Sra. Sagatiba – que não vive na net como eu: NÃO ME VEJO NÃO COMPRO. Então, gente, não há gays negros? Não há um casalzinho só pelo país inteiro que não gostaria de se ver ali e pensar ‘taí, eles sabem que eu existo, essa marca é legal’? Jura? Por enquanto, tenho as barbas de molho, vou me manter nessa de oportunismo sobre diversidade porque não é só fazer um agrado e ogar um biscoito que se ganha confiança, muito menos com uma mancada dessa de que TODA forma de amor não contempla a maior parte da população (negra) pra figurar na telinha.



Palmas para campanha que mostrou diversidade.
Vaias para a campanha que falhou em mostrar diversidade.

Segue UM dos comentários que fiz lá no facebook d’O Boticário:


Desde o fatídico Make B que eu falo, aquela resposta genérica que alguns receberam, no melhor estilo 'recebemos sua mensagem, valeu, mas vamos fazer do nosso jeito' nunca foi engolida. Espero que ouçam a voz do retorno imediato à campanha, pois, em vez de diversidade, isso vai acabar ficando com cara de muleta pra chamar à atenção. Aí, vai acabar gerando divulgação negativa. Repito, muito legal o 'toda forma de amor', mas ver que TODA forma de amor não inclui negros no país com mais negros fora da África é, no mínimo, miopia social. Racismo não precisa vir dando porrada, a exclusão também é violência.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Representatividade na ficção importa também!


"I just saw a black woman on television; and she ain’t no maid!" - Whoopi Goldberg, sobre sua reação quando, na infância, se deparou com Nichelle Nichols interpretando a Tenente Uhura em Star Trek. 

(Acabei de ver uma mulher negra na televisão e ela não é uma empregada!)



Ainda na carona do assunto 'Tocha Humana negro', muita gente diz que não pode mudar e blá blá blzzzZZZZZZZZ. Sono. Muito sono com esse povo e esse papo. Não vou entrar nos mesmos argumentos de antes, apenas estamos cientes de que do quadrinho para o cinema ou para a TV, a mídia muda, os tempos são outros, são outras cabeças pensantes (?!) então, o resultado final é um produto diferente, obviamente. Por exemplo, eu adoro o personagem Flash e o que mais acompanhei foi Wally West. Muitos preferiam Barry Allen, que, por sinal, é o personagem por trás da máscara do ligeirinho na recente série de TV. Eu, particularmente, não vi nada de mais, gostei dos efeitos especiais, mas o background da CW (produtora da série) é muito novelão, lembre-se de Smallhaçãoville, por exemplo. Não gosto de novelão com poderes, não gosto dessa versão 'Peter Parkerizada' do Flash. Ele é só um Homem-Aranha que corre muito rápido. Mas eu vou achar que tinha que ser do jeito que eu especialmente gosto? Não, sabe porque? Porque o personagem tem décadas de existência, já passaram, como eu disse, inúmeros desenhistas e roteiristas pela revista e não dá pra cagar regra de que a minha especial é que é a certa.

"Ain, mas ele é negro!"



Não só mudanças no personagem, mas mudanças na etnia também incomodam muita gente. Geralmente, gente branca ou gente que se faz de bicho de estimação, reproduzindo o discurso de racista irracional (perdão pela redundância). Mudou o personagem e ele agora é negro. O que fazer? Simples, veja se a etnia faz diferença na construção do personagem. Faz? Então, Houston, temos um problema. Não faz diferença? Deixa pra lá e aprecie. Vários personagens coadjuvantes já mudaram de etnia e ninguém fez estardalhaço. Mas o que me trouxe à caneta (teclado!) dessa vez foi a questão da representatividade. O nerd reacionário vai achar que simplesmente tudo fica como sempre foi na cabeça dele e ele acha que continua dominando um campo inteiro da sociedade, mas pra quem [é negro e não tem referencial pra uma festa à fantasia, pra uma brincadeira de criança ou mesmo pra ler ou assistir algo e falar 'olha lá, tem alguém igual a mim ali, eu posso me identificar'. É muito fácil fazer parte de um grupo que se vê na TV, no cinema e na capa de revista a toda hora e em todos os cantos, situações, cargos, roupas... Preto só se vê na TV, na cozinha, no canto da sala abrindo porta, no elenco de apoio da favela (porque até se for protagonista, a favelada vai ser uma atriz branca) e essas coisas.

"Você já falou isso tudo antes, seu chato!"



Agora vem a cereja do bolo. Nichelle Nichols e sua importância na cultura pop (cof nerd cof). Nichelle participou do elenco principal de Star Trek, a original, entre 1966 e 1969 e foi quem gerou interesse em, por exemplo, Whoopi Goldberg em estar naquele mundo que presenciava, segundo ela mesma, indo correr para a mãe em casa falando 'Mãe, tem uma negra na TV e ela não é uma empregada'. Na verdade, era o contrário, Uhura era tenente, tendo sido reconhecida até por Martin Luther King Jr como um divisor de águas e uma importante personalidade para a identificação de do negro. Por isso que eu falo, representatividade conta e muito. Não estamos falando de um capricho infantil e superficial de 'mudou a cor'. Estamos mais preocupados com coisas que realmente importam. Não é pra afrontar um cabeça oca, é pra olharmos e falarmos 'tá aí, eu compro essa ideia, ela me faz sentir incluído e não um estrangeiro do mundo'. É pelas crianças que hoje estão tendo a chance de ver muito mais representatividade do que tivemos e já vão ser figuras para repassar essa importância com muito mais bagagem. Eu ainda acho que seria mais legal o já citado Tocha ter uma irmã negra também. Já que mudou, ue mudasse logo os dois irmãos, em vez de colocar a Sue como adotada, mas enfim...

Só lembrando que o episódio piloto de Star Trek tinha sido rejeitado porque trazia uma mulher numa posição de destaque... depois, sua posição não veio tão destacada como um protagonista, mas ainda assim, na ponte de comando, uma tenente. E negra, quando mesmo se fosse branca, já teria dificuldades. É bem verdade que geralmente, negros servem muito como elemento 'exótico', mas a representação está ali, imagina só, em tempos de conflitos por direitos civis para os negros, o elenco principal de uma série estadunidense traz uma mulher negra, sendo que lá, ao contrário do Brasil, a população negra é minoria. Uhura é representatividade. Isso serve de mais um exemplo de especulações de mudança. Por exemplo se pusessem uma mulher branca nesse universo paralelo dos novos filmes, faria toda a diferença, já que é parte da construção da Uhura ser mulher e negra. Não daria pra mudar um desses elementos sem descaracterizar. Ao contrário do Tocha onde não faz a menor diferença ele ser branco, índio ou japonês. Calhou de ser negro nessa nova. Numa próxima ele pode ser a Paris Hilton... Rá!