Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

“Fãs” racistas de Star Wars ameaçam boicotar novo filme da série por causa de protagonista negro


Olha, primeiro, eu explico as aspas no ‘fãs’ (olha elas aí de novo, melhores amigas da ironia). Acontece que fã que é fã entende que existem inúmeras raças diferentes no universo criado por George Lucas (aquele veio safado que substituiu o ator original de Anakin idoso por Hayden Christensen, num Box da trilogia clássica, lançado há uns 10 ou 12 anos, pra pegar carona na onda dos filmes mais recentes).


Mas tem uma coisa que eu não posso negar, nego. O binino de apartamento criado a leite com pêra e ovomaltinO que acompanha SW, seja da fraca trilogia ‘prequel’ ou ‘dazantiga’, com um olhar mais atento, ou nem tanto, percebe que na trilogia antiga só tem um (isso mesmo, disse UM/UNO/ONE) personagem negro, que todos nós, nerds, conhecemos como Lando Calrissian, o cafajeste amigo de Han Solo. Descontamos aí, James Earl Jones, porque só sua voz serviu para Darth Vader e não o visual. Desse ponto de vista, acho natural que os racistinhas da mamãe se contorçam feito vampiro gratinado em molho de água benta católica. E só. Parei com a gentileza aqui.


De resto, esses mimimizentos estão doídos (UIA!) com um protagonista negro desde o primeiro anúncio do ator John Boyega, assim como se doeram com o Tocha Humana de Michael B. Jordan, assim como se doeram com o Falcão assumindo o manto do Capitão América nas HQs, assim como se doeriam se algum personagem de Dragon Ball Z fosse negro e forte e não aquela caricatura escrota de Sr. Popo ou até um cavaleiro do zodíaco preto, também iria dar meteoros de pégasos no gene racista dessa laia. Aposto que é o tipinho que se amarra nos Xis-Méin, mas não aceita diferenças quando vão ao cinema assistir a um filme qualquer. Humpf, sei, depois nós é que vemos racismo em tudo e não a trozoba do racismo é que escorre pra todo lado.

Você pode até tentar falar no Madimbu reencarnado, mas não conta, não é um personagem original, tampouco protagonista.

Enfim, desconsidero essa gente besta que acha que protagonista tem que ser branco, desconsidero quem desconsidera a diversidade de público, pois, há muito tempo que já passamos dessa época tenebrosa em que até empresas de nome evitavam se associar a negros pra obter prestígio da maioria branca, como aconteceu nos EUAses, onde o branco é maioria, portanto, gera esse tipo de estardalhaço. Aqui, haveria meia dúzia de piadas ridículas de filhinhos de papai metidos a profissionais do humor e os mimadinhos se achariam, mas teriam que engolir. Mas estou divagando...

Podem boicotar o quanto quiserem, quem ficar vai ver algo novo já com o protagonista, lembrando que além de quase não haver negros, também não há mulheres na primeira trilogia, exceto a co-protagonista Princesa Leia. Repare só como JJ Abrahams deve ter reparado nisso, e tratou logo de já dar seu cartão de visitas, quando pega um conceito para renová-lo, como fez com Star Trek recentemente.

Sabemos que o fato mais importante aqui é que George Lucas não manda mais em SW, ou seja, chances enormes de ter história com sentido, pé e cabeça.

Enfim, deixem que queimem os olhos dos babaquinhas ao se depararem com um negro e uma mulher protagonizando uma das maiores e mais famosas franquias da cultura pop mundial. É bom pra aprenderem que o mundo mudou (de novo) e que coadjuvante, alívio cômico, vilão ou o primeiro figurante a morrer é até legal, mas só compensa quando o lugar de protagonismo também está lá contemplando a todos. Falar sobre boicote mesmo, não vou, vai vir a mesma turminha ‘mas eu não conheci assim, tá errado, ai, quero sentar na vassoura’ e por aí vai.

Como eu sempre falo, a mente reacionária (desculpa o paradoxo de chamar isso de ‘mente’) tem essa tendência, sobretudo em nerds, quando conhecem algo, não aceitam qualquer mudança. Deveriam viver na era medieval ainda. Nerd e reacionário, de um modo geral, é um tipo de ser que não aceita que seu pequeno mundinho seja modificado, pois isso significa que não detêm mais o poder do conhecimento absoluto e isso pra eles é muita coisa no universo, se sentem integrantes de um seleto grupo com privilégios de uma sociedade superior. A mesma coisa que um racista pensa sobre outras etnias que não a branca. Só tenho a dizer a eles: Bem feito, bem feito! Rá! E já estou vendo gente que nunca mencionou qualquer relação com Star Wars dizer que já está interessada em assistir ao episódio VII, "O Despertar da Força", só pra AFROntar. Acho isso uma deçicia, sabe porquê? Porque isso mostra que assim como um público pode se renovar de geração pra geração, nesse caso, o público até melhora, já que o racistinha vai latir pra mamãe e a galera que tem tutano na mente fica pra apreciar a representatividade.



Como observação final: Vamos pensar no próximo tópico: Personagens alienígenas com pesadas caracterizações  interpretados por negros. Parem com esse conceito ‘negro x personagem ‘de cor’’. Não somos ‘de cor’ pra caber em personagens onde somos atuantes, mas com uma maquiagem que esconde a naturalidade da ndgritude... er... bem, isso fica pra um próximo post. 


Por enquanto, aprecio o alarde – há meses, como todo nerd do bem – deste jeito aqui, ó:



Reacinha da mãe, eu não sou seu pai e que a força esteja com você!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Bar do Araújo: Verdadeiro ou Fake?

Símbolo de resistência! Bar do Araújo estaria funcionando no meio de duas igrejas. Será verdade? (foto: Reprodução/Facebook)

Há alguns meses, um bar ficou famoso na internet, ou melhor ficou famoso virando meme de internet. Era o Bar do Araújo, que divertiu muita gente (e eu também, admito). Entenda a história: Certa feita, alguém postou uma foto de um bar que ficava entre duas igrejas, gerando todo tipo de comentário, sobretudo humorístico, como símbolo de resistência dos biriteiros de plantão, mesmo com toda a "pressão" religiosa em volta. Mas não é bem isso, ou melhor, é, mas eu vou contar mais já, já.

O bar existe mesmo, para nossa alegria, não é um daqueles fakes muito convincentes que nos enganam momentaneamente se nos distrairmos. Acontece que o bar só não está mais naquele lugar, a saber, em Palmas-TO. Tem até um vídeo que comprova a existência dele naquela mesma localização - e situação - que o meme mostra:


O que o meme não conta, já que, como tal, fica eternizado daquela maneira, dando a impressão de montagem ou perpetuidade da situação, é que o bar não funciona mais ali. Agora ele funciona em outro lugar, mas esteve ali, entre igrejas, antes até de as instituições religiosas se instalarem. Funcionou no local de julho a setembro de 2014, quando fechou por baixo faturamento e se mudou, deixando o salão disponível para locação.

bar_araujo2

Portanto, o Bar do Araújo resistiu até ao cerco religioso, mas não ao baixo lucro... mas existiu mesmo ali. Agora existe em outro canto, uma esquina, acho. Quem contou essa foi o sempre útil, sempre necessário E-Farsas (que você acessa pra ler a postagem original AQUI). Ah, e esse é o Araújo do Bar do Araújo. Joaquim Araújo.

Esse é o Araújo, do bar do Araújo! (foto: Gleydsson /CBN Tocantins)