Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Divagações Natalinas e até Jesus


 Tão certo, nesta época do ano, quanto as lojas e rádios comunitárias tocarem aqueles malditos solos natalinos no cavaquinho, é aquela minha visão: O natal é o nascimento de jesus (pasmem, não é do papai noel!), mas o nosso calendário é o gregoriano, ou seja, aquele determinado pra contar o seu início a partir do nascimento de jesus... e o que tem?

Bem, se o nascimento de cristo é o primeiro dia do nosso calendário - de onde temos a conta, até o momento, de 2016 anos desde o nascimento do messias - logo... porque comemoramos exatamente o nascimento dele em 25 de dezembro? Das duas, uma: Ou jesus nasceu no final do ano e a gente tá contando o dia errado, ou ele nasceu em 1º de janeiro, a gente tá contando certo, mas, de repente, José só registrou o deus-menino no final do ano. Sei lá, tradição local e aquelas coisas de Belém, pode ter sido por causa do 13º...

Jesus era judeu. E esses manipuladores reacionários político-ideológicos que pagam de líderes religiosos? Pregam tanto o adorar, o seguir, o obedecer, o crer... mas é tudo pra suprir falta de auto-estima. O praticar o bem, comungar com os irmãos e repartir com os pobres, eles condenam como comunismo e ainda julgam como atos 'esquerdopatas' e vão acumulando riquezas e anunciando suas proezas religiosísticas no alto-falante, esquecendo que humildade não se anuncia pra contar vantagem.



Querem mesmo é dominação mental e poder político. Jesus mesmo, eles pegaram pra cristo como arma de manipulação do tipo 'ou me obedece, ou esse ser humano igual a você, que finge eu tem o zap particular de deus, vai te condenar ao inferno'. E tem gente que vai, nessa relação 'obediência/recompensa' por temer a relação 'questionar/castigo'. Sim, também há os interesseiros que visam benefícios de seu grupo social, como aquelas trocas de favorecimentos, mas a grande verdade é que o povo tem necessidade de pertencimento.

Aquela coisa: Se quisessem tanto assim ser um povo tão diferente a ponto de dizer que nós somos ‘do mundo’ e eles são os queridinhos, fariam tudo novo pra se diferenciar e não pegariam o que está no mundo pra colocar o complemento ‘de jesus/cristo’ ou ‘gospel’ e achar que tá tudo beleza. Isso é a mesma coisa que pegar um objeto de alguém, colocar um adesivo com seu nome e achar que isso é seu agora. Não. Admita que você adoraria estar naquela zueira, mas teme o julgamento alheio.

No mais, feliz natal e que o coelhinho da páscoa te traga muitos ovos de bacalhau em seu trenó de chocolate! Bjks!

Ah, e quando forem colocar o complemento ‘de jesus’ pra me impressionar, coloquem essa aqui, ó: 



Pathy Dejesus. Atriz, modelo, DJ e repórter.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Por que ‘X-Men’ falhou terrivelmente com a humanidade?



Bem, pro título não ficar muito comprido, explico que estou me referindo ao universo cinematográfico e não à equipe de mutantes em geral, muito menos especificamente no material-fonte, ou seja, HQs. E, sim, sei que ficou um titulozinho safado, dando a entender que eu falaria até, quem sabe, do aspecto fictício de alguma aventura específica. Ou não, sei lá.

Aliás, se quiserem saber mais sobre o que eu acho dos mutantes dos quadrinhos, já falei do fantástico arco Deus Ama, O Homem Mata (Conflitode Uma Raça), onde William Stryker quer provar que mutantes não são humanos e sim, aberrações ameaçadoras enquanto ele mesmo defende essa monstruosidade de preconceito, já citei as linhas gerais da criação do núcleo mutante diante das causas sociais de grupos discriminados, e até num texto antigão, de 2009, quando eu ainda assinava Fernando Garcia (de onde vem o nome desse infame, porém honesto blog - Rá!), sobre o que se perdeu com o tempo na série (e suas milhares de revistas banalizadoras de causas). Mas, vamos à questÃ.



No cinema a questão mutante fica muito restrita apenas ao fato de os personagens serem mutantes, não dando muita profundidade às analogias que a série faz nos quadrinhos, como homossexualidade, antissemitismo, racismo, etc. Um lampejo de profundidade, vemos algo que se aproxima dos quadrinhos quando Wolverine, Vampira, Homem de Gelo e Pyro (UIA!) conversam com os pais de Bobby e sua mãe reage como se o filho estivesse saindo do armário (“Filho, já tentou não ser isso?”). Até que a cena é maneira, nada pesada, mas um tanto intensa, o que compensa – quase – o primeiro filme, onde Magneto tem um verdadeiro plano Power Rangers de transformar todos em mutantes pra que não discriminem mais uns aos outros... Sério? É algum vilãozinho das Três Espiãs Demais?

Além de a humanidade acabar inventando outro motivo pra discriminar, onde esse plano retrata a luta diária contra discriminações? Se Magneto fosse real, ele ia transformar todo mundo em judeu? Em gay? Enfim, to me fazendo entender? Não se luta pra tornar o outro em semelhantes, se luta pra que haja respeito ao diferente, catzo! Nisso, os filmes falham, já que focam demais no Wolverine e aquele passado escroto – que já desvendaram, mas eu gostava quando era só um mistério de um cara esquisitão. Aliás, se o primeiro bota Magneto como o vilão da semana e o segundo é um revezamento de explosões, com outra vez, Xavier sendo posto fora de combate e, outra vez, Wolverine lutando pra descobrir seu passado. E no 3º filme então, são só cenas de ação, diálogos estranhos e outra vez Xavier fora de combate e outra vez, Wolvie sendo o Charles Bronson com garras.



Nada muito representativo se lembrarmos que X-Men foram criados na década de 1960 e Magneto com Xavier representam Malcolm X e Martin Luther King Jr, na luta pelos direitos civis dos negros nos EUAses daquele tempo. Enquanto Magnus/Malcolm tem a visão radical de que estamos em guerra e precisamos defender os nossos como for, Xavier/Luther King prega a harmonia entre as raças diferentes num mundo de paz. Ok, num primeiro momento, os quadrinhos vacilaram trazendo apenas jovens brancos estadunidenses entre os protagonistas, ou seja, mutante pode, mas nada muito ‘étnico’ (o que foi melhorado na segunda formação com integrantes de vários países do mundo, mas não é sobre gibi aqui).

Nos primeiros filmes, apenas Tempestade é preta, e é a Hale Berry, então, seria como ver uma novela com uma negra só sendo a Taís Araújo, saca? Não é desafio à diversidade quando o nome já vem brilhando. Aliás, muito pouco se diversificou. Aí, veio o reboot, que na verdade, virou prequel – e que teve seu próprio prequel na continuação (hein?!) – Primeira Classe. Tinha um negro no elenco principal. E adivinha só? Não só foi o primeiro a morrer, como foi o único! Parabéns, jovens diversificadores! Vocês criam uma franquia cinematográfica para uma série que representa lutas sociais de aceitação contra a discriminação e o único preto morre antes que a verdadeira aventura comece.

X-Men - Dias de um futuro esquecido


Tá, tenho dois adendos, você, se assistiu atentamente feito eu, notou que tem outra pessoa negra ali, mas além de se encaixar no exemplo ‘Taís Araújo’ (pois é filha de Lenny Kravtz com Lisa Bonet), ainda se bandeia pro lado do vilão. A outra questão é que o personagem morto tem o codinome de Darwin, porque seu poder é se adaptar para sobreviver. Tipo, cria guelras se estiver embaixo d’água, tem a pele de pedra ou metal para suportar temperaturas muito altas, etc... Aí, o que acontece... Ele explode com uma ‘bomba’ implantada pelo vilão na sua boca... Tipo... Cara, nenhum poder dele poderia cuspir a energia fora ou ficar altamente resistente a uma explosão?


Enfim, X-Men, do diretor Bryan Singer falha terrivelmente no que diz respeito a grupos excluídos socialmente. Na verdade, pelo fato de o diretor ser gay assumido, pesa ainda mais, já que seria o primeiro a saber como é isso bem na pele. Juro que até gosto da franquia, mas essa deturpação de valores me incomoda. Nem a troca de trajes individuais e coloridos (o que reforça, nos quadrinhos, as identidades próprias e características de cada um) por genéricos casacos de motoqueiro me importariam tanto se o roteiro tivesse uma linha mais simples de ‘temidos e odiados pelo mundo que juraram proteger’. E ainda dava pra colocar ótimas sequências de ação e humor, afinal, foi isso que tornou os personagens queridos nas HQs: Um novelão com aventura, romance e humor, no melhor estilo ‘essas feras vão aprontar as maiores confusões no maior clima de azaração’, da Sessão da Tarde. Rá!

X-Men - Apocalipse


Ps.: Tentaram esboçar um arrobo de diversidade no Dias de Um Futuro Esquecido com Tempestade e Bishop negros, a Blink chinesa, além do Apache (nativo estadunidense) e Mancha Solar (que é brasileiro e preto, ou deveria, tendo sido criado assim no gibi)... Mas a grande verdade é uma só: Tem mais personagens azuis do que negros. Tipo Maurício de Souza que tem mais personagens animais antropomórficos do que negros.



Ps²,: Sim, eu notei que Alexandra Shipp (sempre linda) é negra e apareceu nesse mais recente Apocalipse, mas aí, no máximo, voltaram ao status quo 'Taís Araújo', tipo, tem uma negra de novo, ela é a Tempestade.  

Bryan Singer, o diretor.


O X-man Darwin virou até piada na web, como o que tem o grandioso poder de se adaptar pra sobreviver e é o único que morre. Na dúvida, morre o preto. Repare em outros tantos filmes que quando não é o preto é o latino, é o japonês... enfim, o recado deles é nítido, né?


"Se adapta para sobreviver a qualquer coisa... único x-man que morre"



sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Freixo ou Crivella: De Marcelo pra Marcelo, a boataria tá feia já

Primeiramente, Fora Temer!
 


Bom, pra começar, quero logo lembrar-vos que religião não tem poder de dominar um município por meio de um candidato e muito menos poderia liberar uso de drogas, criminalidade, aborto ou casamento entre pessoas do mesmo gênero/sexo. Então, esses boatos mais bobinhos e babacas já podemos esquecer, ok? Se você quiser votar ou deixar de votar por concordar ou discordar desses pontos de vista, aí, é contigo, mas por favor, não decepcione Titio Saga alegando que vai votar nesse pra que aquele não vença e pratique o que você discrimina ou teme.


Esses boatos são sempre direcionados, se é diretamente cria das equipes de um ou de outro lado ou se apenas algum interessado em ver o circo pegar fogo foi lá e cristalizou a idea, aí, já não sei, mas são coisas óbvias e nem originais são, visto que quando Fernando Gabeira foi candidato lá nos idos de 2008, já falavam nessas lendas de que só vota no Gabeira quem é drogado e tals... Então, falar isso do Freixo é requentar de modo pueril um preconceito idiota, do tipo infantilóide que tenta intimidar a concorrência com o clássico medo de não pertencer. Sabe quando o adolescente babaca quer ver o mais certinho fazer besteira pra se sentir menos desajustado? Então, essa onda de 'se você é gay/drogado/bandido, vote no Freixo' é nada mais que isso, o velho 'fumaê, cara, tu num é homi não?'. Nada mais. Pior quem repassa memes de internet por faces e zaps afirmando que Freixo diz que bandido é vítima da sociedade e que a vítima do crime tem que aceitar isso.


Pelo lado religioso da força, temos Marcelo Crivella e algo que já me preocupa de início, a busca por apoio e aumento potencial na base de eleitores fez o senador ganhar apoio de Bolsonaro (não sei qual deles, mas é tudo igual pra mim), já que têm em comum, além de muitos posicionamentos conservadores (lembrando que igreja e estado, lá no início, eram unha e carne e hoje descendem dessa união conservadora de dominação por medo naquele sistema de obediência, ou não, com castigo ou recompensa). A questão nem é essa, é essa imagem de homem santo que se vende e aquelas manobras linguísticas do tipo, o senador não esteve entre os que mais fizeram proposições inúteis, logo, em seu site consta, deliberadamente, que ele foi um dos mais prolíficos... Ora, vá, mas a questão aqui é orientar o eleitor a escolher seu candidato avaliando seu passado, suas ações e proposições atuais, óbvio, mas nunca NUNCA acatar essa postura de repassar irresponsavelmente boatos e questões que nem fazem sentido, como legalização de drogas, por exemplo, que seria de âmbito federal, já que no Brasil, funciona a União e não há legislação autônoma independente entre estados.


Por parte de Marcelo Freixo, há duas ressalvas nessa guerra de boatos: Além de ele, se for eleito, não ter qualquer poder sobre mudança de leis fora do município, também nunca disse que se aceitasse um assalto de boas porque o bandido é vítima da sociedade. Essa parte eu compactuo, pois sempre escrevo que reconhecer o sistema sócio-econômico como excludente e entender que isso empurra a pobreza pra uma relação estreita com a criminalidade não nos faz defender o bandido enquanto bandido. Como falei no caso do linchamento do jovem há algum tempo, defendemos que se pratique a lei na forma da lei e não os capitão nascimento metido a Steven Seagal da vida, querendo resolver tudo na violência quando é com preto pobre. Ah, ele também desmente que trará para seu secretariado petistas como Lindbergh e Dilma Roussef. Quem já deu uma olhada no discurso básico do PSOL já percebeu que eles são oposição, o que hoje em dia, inclui até o PT, muito menos negociariam cargos em troca de apoio. Tá na cara que é fofoquinha pra associar o candidato a essa aura de desconfiança com o PT (cuja presidenta eleita democraticamente nunca teve uma acusação comprovada, diga-se).


Do outro lado, temos Marcelo Crivella respondendo em seu site que nunca defendeu que negros só gostam de cachaça e de macumba, segundo o candidato, essa frase foi dita por alguém que ele estava apenas citando, tendo a frase tirada de contexto para prejudicá-lo. E também explicou que não vai cobrar, se eleito, entrada no Parque Madureira. Também diz que não é a igreja de sua religião que irá comandar a cidade em caso de resultado favorável. Em todo caso, fiquemos de olho porque sabe como é candidato, em algum momento pode tropeçar nas palavras e um astuto ardiloso pode estar por perto pra flagrar. Lembra da Denise Frossard na campanha pelo governo do estado em 2006, quando ela usou a expressão 'baixada-leste' sendo que não existe lugar sequer aqui no Estado com esse nome? Entre outras coisas, mas desse eu lembro bem porque foi bem num debate, deixando Sergio Cabral Filho muito mais perto de por aquela cara sonsa dele no Palácio Guanabara, sede do governo estadual aqui do RJ.

No mais, nada de repasse de boatos. Vale muito mais se a gente se perguntar 'será que foi isso mesmo?' e dar um google do que ficar passando vergonha falando qualquer coisa sem ver que do outro lado da tela tem alguém chato tipo eu ;p acenando negativamente com a cabeça e falando 'que merda você falou aê'. Titio Saga fica mais decepcionado que aquele colega da oitava série que nunca estudava pra prova e quando estudou, caiu matéria nova.

E cuidado com pesquisas de opinião também. Servem pra nada, a menos que tenham entrevistado a todo eleitor que já tem decidido seu voto. Se não entrevistou a todos, não é confiável, visto que eles podem ter parado na porta de uma igreja ou de um bar, o que influenciaria diretamente no resultado da pesquisa, influenciando aquele pulha desavisado que vota em quem tá ganhando na pesquisa pra achar que venceu algo na vida quando o candidato é eleito.

E antes que eu me esqueça:



Fonte: O Globo  

domingo, 2 de outubro de 2016

Afinal, anular voto em conjunto anula uma eleição?



Ok, mais uma eleição e mais uma vez temos que ficar nos deparando com aqueles textos imensos e chatíssimos de alguém que sempre assina com um nome genérico e se fazendo de dono da verdade, voz do povo de bem e aquele blá, blá, blá típico do Homer Simpson da gente, aquele tipão comum que não pensa nem pesquisa os assuntos que acha que entende porque compartilhou algo no face ou lançou em algum grupo de whatsapp. É tipo aquelas páginas ‘revoltados online’ e essas coisas, pretensos e falsos defensores da ‘moral e dos bons costumes’ que só querem fazer o rebelde sem causa, mas que acabam obedecendo apenas o senso comum. Enfim... vamos ao que interessa...

A cada dois anos surge pelo menos um texto repetido à exaustão e que é mais chato que aquele bêbado carente que quer conversar, mas não consegue mais articular palavras simples e inteiras: O tal do voto nulo. Afinal, voto nulo anula a eleição, Saga?

NÃO. Sonoramente – dentro das possibilidades limitadoras de um texto escrito – um não bem alto e bem marcante pra ti, gafas (diminutivo de gafanhoto, Rá!). Não sei quem inventou essa de todo mundo juntar a galera pra sair anulando votos e muito menos quem levou a sério que isso afetaria uma eleição. A determinação é básica: É preciso que um candidato a cargo eletivo tenha 50% + 1 dos votos. Se você, seu amigo compartilhador de boatos e seu cachorro (se fosse legalmente um leitor) anulassem seus votos em conjunto, mas o próprio candidato e a mãe dele votassem nele – ZAZ – Ele venceria. Entendeu, pequeno gafanhoto? A única coisa que o voto nulo faz é ser nulo. A única coisa que o voto nulo anula é ele mesmo. Ou você mesmo, de um ponto de vista poético.




Se Batman, ou melhor, Bátema e Superman concorressem à prefeitura de GoTCHAN City e geral anulasse os votos menos seus amigos e familiares, os 100% dos votos válidos seriam dessa turma restrita e dali é que se contabilizariam os 50% + 1 pra definir o resultado da eleição, sacou? Você tem todo direito de anular seu voto, já que ir votar é obrigatório por lei, mas não é obrigatório você ter em quem votar ou mesmo ter opções e escolher não escolher ninguém (hien?!). Se voto nulo resolvesse alguma coisa, seria errado por lei. Rá! Eles não dão ponto sem nó, não dão e nem dariam esse mole pra gente resolver algo de forma tão fácil e pacífica.

E eu ainda lanço outro questionamento que obviamente você não se fez, se for desse tipo que repassa boatos sem nem saber de onde surgiu a história: Tá, vamos supor que seu voto nulo é poderosíssimo e fez com que outra eleição com outros candidatos fosse convocada... Quem seriam seus novos candidatos? Marcianos? Porque se fosse pra sair outro candidato da mesma galera que você acabou de manifestar protesto... acho que seu plano é meio que furado, bacana. Porque você pensou (?) que esse plano seria tão perfeito se partidos políticos são repletos de gente aliada? Tá, caem Bátema e Superman e se convoca outro pleito com Lanterna Verde e Mulher-Maravilha... ALOOOOU! Ainda é a Liga da Justiça, parceiro. E mais importante, ainda é o planeta Terra, ainda é a mesma máquina capitalista, mesmo sistema excludente opressivo... enfim... Pobre aquele que acha que somos comandados só por políticos e não por empresários e demais aliados interessados (e interesseiros)... mas deixa quieto, o foco aqui é falar que voto nulo anula só ele mesmo. 

Todo revoltoddy é assim. Só sabe dizer que tá errado, mas é muito mais parte do problema do que da solução.

É uma legítima manifestação de nada. Anular eleição é só pra casos de fraude ou irregularidades como encerrar votação antes das 17h, fazer votação fora de dias, horários e locais determinados por lei e essas coisas. Ah, já ia esquecendo, Também tem a lenda de que voto em branco é votar no candidato com mais votos... Outra besteira. Isso vem da época que se usava cédulas onde, por meio de fraude, obviamente, alguém poderia usar uma cédula em branco pra preencher em favor de qualquer candidato. O nulo também não tem esse poder indireto de favorecer quem estiver mais votado. Só um voto válido direcionado contabiliza.  



Outra hora eu apareço de novo pra falar mais sobre outras bizarrices eleitorais como atribuições de prefeitos que nem presidente faz (tipo acusações de que determinado candidato legalizaria maconha, armas ou coisas do tipo, sendo que nem são competências do executivo municipal) ou ainda a ideia de milhares de vereadores se achando os tais e não fazem o seu basicão que é criar projetos de leis pro município. Tem muita coisa errada no senso comum sobre eleições e administração pública. Muita coisa mesmo. Vamos pesquisar, galera, conhecimento não nasce sozinho, tem que meter as caras nos livros, sites, conversar com quem entende mais... Nada de comprar nem vender peixe podre. É vergonhoso falar algo que não é verdade e depois se arriscar a ser confrontado por isso. E a caroça onde tu enfia de vergonha? Aceita sugesta? Rá!


Fonte: TSE

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Deise Nunes e a solidão da única Miss Brasil Negra



Eu só ia fazer uma notinha no facebook falando sobre representatividade, sobre como o maior país de habitantes negros fora de África respeita muito pouco ou quase nada essa maioria da população ocultando nossa cara e nossa cor dos painéis privilegiados da mídia. É só ver aqui que sempre falo, sobre como dizem logo que uma Lupita Nyong'o sendo eleita a mais bonita do mundo é 'pena', 'politicamente correto', 'modinha' e outras baboseiras. Exemplos não faltam. Repare que uma Pathy Dejesus sendo anunciada como capa da playboy de aniversário é logo chamada de 'feia' por uma maria ninguém que nunca terá esse destaque de 'primeira negra a estampar uma capa'.


Veja quando uma negra ganha qualquer concurso desse tipo e aparecem os racistas dizendo que não eram tão bonitas assim... porquê? Porque são imbecis? Sim, sem dúvida, mas são imbecis programados a acharem bonitas apenas as carinhas de anjo protagonistas de novela. Eu disse carinhas de anjo? Sim, porque você aprendeu que um anjo deve ser branco de nariz pequeno e, melhor ainda se tiver, olhos claros. Aprendemos isso com a naturalidade com que se aprende que manga com leite faz mal (mas ironicamente, sorvete de manga não, né jocoso?).

Enfim, a tal notinha precisou virar um mini textão (hein?!) por causa de dois comentários que aparecem logo na cara da matéria do jornal Extra. Repare no que dizem os tais Helcio e Silei,

"Ela é um pouco clara até para ser considerada mulata. Penso que para ser negra, a pessoa não deveria ter ancestrais de outras raças. O povo brasileiro é mestiço" - Helcio

Quer dizer, tem mais merda nesse coment do que em todo sistema de esgoto do Brasil negro só pode ter uma cor ? Digo, um branco é branco mesmo que seja a pálida e nórdica Tarja Turunem ou a mestiçada pálida Flávia Alessandra. Ninguém contesta, ninguém tenta 'desculpar' como quem alivia um defeito de nascença. Mas se for negro, aí, negam o negro de todas as formas. Não é à toa que vivem dizendo que não há racismo, eles sequer reconhecem que existam negros! Mas calma que tem mais.


E teve mais:

"Todas ai apresentadas são bonitas, mas na minha opinião, a beleza precisa ser (sic) deiferente, exotica para vencer. A de olhos verdes e diferente porque e negra de olhos verdes, o que e dificil de ver..." - Silei

Ou seja, não só não reconhecem o negro como a etnia predominante e maioria da população daqui há séculos como ainda nos tratam como um artigo estrangeiro de algum tipo de terras místicas. Somos aliens. Dizem esse papo de mestiço pra não terem que confrontar a verdade: Muitos são racistas e ou não sabem ou não querem ver assim, por que sabem que é feio e crime.

Embora eu fique feliz com a maioria de desaprovações nesses comentários, volto a falar, ainda estamos muito longe de tratar do assunto racismo com a legitimidade que merece, porque muita gente não sabe se colocar (UIA!) preferindo tudo como está, descaradamente velado, do que abrir o verbo e confrontar seus fantasmas, olhar no espelho e falar 'ei, eu penso assim, percebo que é errado e gostaria de saber como mudar'. Muito melhor do que essa gangue que fica se justificando atrás de opiniões fajutas, senso comum e influência de tv e capa de revista.

No mais, Deise Nunes é a única negra a ser eleita Miss Brasil. Será mesmo que em 30 anos não houve alguma outra moça preta que fosse páreo para a minoria branca do país? Somos mestiços sim, Helcio, mas a predominância é preta, morou? Quando dá 18h, não importa se está claro ou escuro, é noite. É preto. E por falar nisso, fique com imagens de Deise Nunes e as atuais candidatas a sucessão.

São elas, na ordem que aparecem abaixo (depois de Deise, lógico): Beatriz Leite (Espírito Santo), Deise D'Anne (Maranhão, e que recebeu esse nome de sua mãe justo em homenagem a Deise Nunes), Mariana Denny (Rondônia), Raíssa Santana (Paraná), Sabrina Paiva (São Paulo) e Vitória Esteves (Bahia).  

Deise Nunes













Fonte: Extra

Atualização 04/10/2016

A vencedora saiu mesmo de uma das meninas citadas. Foi a Miss Paraná, Raissa Santana. Parabéns, preta! Que mais e mais vezes possamos estar nesses lugares de visibilidade e representatividade!





segunda-feira, 19 de setembro de 2016

FAKE: Não é o corpo de Domingos Montagner

Sempre falo aqui sobre essa afobação pra repassar qualquer coisa como verdade sem nem saber de onde veio. Mas, vamos lá, que titio Saga fala mais...



Então, deu-se a fatalidade, a tragédia aconteceu e, como de costume, os mentirosos de plantão surgem até dos esgotos pra contar uma mentira e impressionar os impressionáveis que não contestam as publicações mais questionáveis da internet. A da vez envolve o falecimento do ator Domingos Montagner.

Já vou cortando o mistério e afirmando logo que, a exemplo do garoto tailandês de quem falei há um tempo aqui, a foto é real, mas a notícia que estão usando pra compartilhá-la é fake. Ou melhor, distorcida. Assim como o o tal garoto morreu por uma descarga elétrica, mas do computador e não do celular, podemos notar o mesmo procedimento de farsa sobre o ator global tragicamente morto recentemente. Vamos às considerações:

Assim como a foto do menino, a do 'ator' é envolta em mentiras e distorções que impressionam dado o choque da novidade, a tragédia e, claro, aquela necessidade que as pessoas têm de querer ser o primeiro a dar uma notícia chocante. E a internet só amplificou isso. Cada vez mais aparecem esses fofoqueiros de ocasião, com o dedo nervoso no zap pra compartilhar notícias sem nem saber se são verdade, só pra parecerem os formadores de opinião.



Enfim, repare bem que a foto traz um cara vivo. Lembra o ator falecido? Até que sim, mas talvez depois de um tempo vejamos que não tem nada a ver e só estamos impressionados pela imagem de um cara molhado e sujo de lama enquanto acabamos de saber que um carismático ator faleceu vítima de afogamento. Sacou? Ligamos o choque da notícia e nossos cérebros já buscam identificar uma ligação entre isso tudo.

Na verdade, segundo o e-farsas (que me funciona muito como dicionário na dúvida de escolha de palavras, só que pra notícias de veracidade questionável), o fato é que o cara tentou assaltar, por algum motivo foi surpreendido e tentou fugir pelo mar, em São Luís do Maranhão, mas atolou na lama. Foi preso, ou seja, NÃO MORREU! Aliás, se você se ligar, ele tá segurando a maca. Defunto nenhum morre com aquela posição, veja o braço dele, enrijecido como quem ainda mantém a firmeza dos gestos e não aquele relaxamento completo de um corpo desfalecido ou sem vida. Ah, isso tudo em 2015, lembre-se, não é porque vocÊ vê uma foto HOJE que necessariamente ela tenha sido tirada no momento que você tomou conhecimento da existência dela.

Então, Saga, o que é que tem? A foto é real, mas não é do ator Domingos Montagner. Assim como também não é a daquele policial resgatando um corpo boiando na beira do que parece ser um rio. Apesar de ser bizarro, também tenho curiosidade, às vezes, de ver esse tipo de foto por questão de constatação, mas daí a ceder ao impulso irresponsável de repassar como verdade pros outros é uma travessia muito perigosa. Porque aparece um palhaço tipo eu dizendo e comprovando que é mentira e aí? E agora José? Com que cara você vai? Rá!


Ah, e por favor, vamos evitar essas postagens místicas do tipo 'ah, ele não respeitou o rio que é uma entidade', porque isso parece aquela coisa de fanático religioso que quer por a culpa da morte de alguém nela mesma. Fatalidades acontecem e não é o misticismo que está por trás disso é a própria existência. Sempre tem um bonito pra falar em jargões sobrenaturais o famoso 'bem feito, quem mandou?'. Ninguém fala que um assassinado morreu porque não pediu licença pro espírito da arma que o alvejou, ok? Um segundo a mais pensando e a gente evita muita merda de ser falada. E nem vou comentar as piadas sobre Domingos e Camila Pitanga porque isso é nojento demais. Estamos falando aqui de pessoas, que têm famílias e não desses babacas que acham que precisam ser engraçaralhos o tempo todo. Que façam piadas com seus parentes e não com os dos outros pra ver se acham bonito.


Att,

Bjks nas crianças.

Fonte: E-FARSAS

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Malandramente, ela não é obrigada a nada, mané!



Malandramente, de Dennis DJ, Nego Bam e Mc Nandinho é um sucesso instantâneo, não há como retrucar. Beleza. Mas se você parar pra analisar a letra (eu sei, parece inútil num hit que só visa o entretenimento imediato), vai notar que há um forte traço cultural do velho costume machista do homem achar que a mulher deve-lhe alguma coisa por ser cortejada, ou mesmo sua mera atenção, qualquer coisa, enfim, e, nesse contexto, a tal coisa seria o sexo em troca da balada bancada pelo machinho de mamãe.

Explico. Quem não conhece - ou não é ele próprio - aquele tipo que acha que a mulher que aceita um convite pra sair, deve retribuir a 'honra' cedendo aos anseios sexuais do dono da carteira? Aliás, eu já conversei com amigas que admitiram não dizer nem sim nem não pra continuarem obtendo regalias, justamente, deixando o bonitão naquela expectativa de que a qualquer momento seria agraciado com um favor sexual. É o machismo fazendo o que faz de melhor: Mostrando que ele se desenvolveu por uma necessidade do homem de se sentir no controle (o que pra mim só prova que o homem é o fraco quando precisa disso).





Vamos analisar a letra?

"Malandramente / A menina inocente / Se envolveu com a gente / Só pra poder curtir "
Acho que ele está sendo irônico nessa parte ou foi mais inocente que menino descobrindo de onde vêm os bebês. Pensa comigo, gafanhoto, ele tava crente que ia se dar e nem cogitou que a mulher pudesse realmente só querer sair. Tá,eu sei que o mais comum é a malícia, mas estamos falando de costume social e não do que a mídia induz.

"Malandramente / Fez cara de carente / Envolvida com a tropa / Começou a seduzir"
Aí, bem possível que tenha acontecido uma deturpação de intenções pela vontade do cara... Fácil deduzir que neste momento foi outra parte do corpo dele que assumiu a atividade primária de pensar (se é que vocês me entendem). Tipo um conhecido meu que, num carnaval perdido em Cabo Frio - RJ, associou o fato de sua namoradinha da época ter aparecido de saia pro encontro, o que pra ele já era a legenda pendurada no pescoço de que estava pronta 'pro abate'. Ele se frustrou muito, mas isso é papo pra outra hora.

Malandramente / Meteu o pé pra casa / Diz que a mãe tá ligando / Nós se vê por aí
A maldade já se alastrou há tanto tempo pelo mundo que sair pra se divertir sem envolver sexo já tá fazendo algumas pessoas parecerem hipócritas (naquela distorção de significado que já escrevi aqui no blog) e até dissimuladas. Tipo, 'não quer dar? Pra que veio, então? Só pra gastar meu dinheiro?'. Vejo muito isso por aí. Tenho amigos homens e nem todos são engajados na missão da igualdade e respeito. Acham que perdendo os privilégios do machismo vão 'dar moral' pra mulher.

Ai Safada! / Na hora de ganhar madeirada / A menina meteu o pé pra casa
E mandou um recadinho pra mim / Nós se vê por aí...
E aí, viemos à cereja do bolo, quando Nego Bam resume (cantando muito bem, diga-se) toda a frustração do taradinho. Quer dizer, o cara gasta uma grana, dá atenção, chama pra sair, ela aceita e não vai dar? Cuma?! Assim não tem machinho que aguente! Fora que pela expressão popular, ele já associou que sua 'madeira' é uma dádiva concedida às sortudas que ele convida pra sair, já que ela ia 'GANHAR' a tal madeirada. Desfeita tamanha que não teve outro jeito se não xingar a 'SAFADA'.



Tem homem que é carente, tão carente, que precisa de uma afirmação feminina pra se sentir menos carente... aí, finge que se acha, porque não pode parecer que dependeu de uma mulher pra se sentir bem. 

Por falar na personagem, obrigado, meninos, por trazerem para a produção bailarina Pamella Gomes.




Peraê, só mais um pouco de Pamella Gomes...



Tá, já podemos prosseguir...

Esse texto é uma brincadeira? É. Porém, vale a análise, pois a gente acha que música é mero entretenimento, mas suas letras são retratos fiéis de nossos hábitos, culturas e da nossa sociedade em si. Quer mais fiel retrato de um tempo do que aquilo que é feito enquanto ele acontece?

Fica o alerta duplo: Primeiramente, crie o hábito de prestar atenção numa letra de música - seja qual for, sem preconceito - enquanto texto, enquanto a mensagem que é e não só um pretexto pra ter batida e instrumentos tocando. Se possível, repasse a letra falada, sem a divisão melódica... melhor ainda se for lida como um texto. Assim a gente pode perceber esses detalhes de conteúdo ou mesmo os reflexos de nossos costumes sociais. Por exemplo, tem letra que traz mensagens mais complexas em suas entrelinhas, como Vinícius de Moraes em Canto de Ossanha: "O homem que diz sou, não é, porque, quem é mesmo, é não sou" . Captou o tanto de conteúdo que o poetinha deixou numa frase aparentemente redundante e prolixa? Percebeu que se ele fosse esmiuçar esse trecho dentro da letra, ficaria um verdadeiro testamento? Uma bíblia!

Segundamente, não é porque a mulher dá atenção pra um homem que ela tem a obrigação de dar algo mais em retribuição a qualquer convite. Dá se quiser. Faz se quiser, faz o que quiser. Não, não sou um homem desertor, traidor da espécie. É que não gosto de sistemas de opressão, muito menos os que naturalizados a se passarem por obra da natureza. Além de ter sido criado essencialmente por mulheres, o que me faria muito mal pensar que estou tratando a 'espécie' que me criou como seres inferiores, meras reprodutoras. E tem muita jovenzinha com quem convivo, né? Mais do que motivo pra ter responsabilidade de ensiná-las que não é obedecendo vontades machistas que vão ser valorizadas... é bem o contrário. 

Malandramente, vamos desconstruir esses hábitos boçais de escala de valores sociais diferentes entre piupius e pepekas. A mulher não obrigada a servir aos anseios masculinos pra mostrarem valor ou parecerem descoladas. Se quiserem, fiquem à vontade pra escolher isso por sua própria vontade. Aliás, é outro problema do machismo: Negar à mulher o direito natural de sentir desejo, tesão sem aquele costume religioso de apenas aceitar o sexo para reproduzir depois do casamento pré-programado desde o nascimento. Enfim, vamos lá que o jogo segue e a coisa não pode terminar em pizza... ou pode?.

Bom mesmo é pedir pizza malandramente. Rá!





Admito que a música é divertida e depois da décima nona vez que você ouve ela na festinha fica contagiante (e a cachaça ajuda), mas... Ela tem todo direito de ir embora sem "ganhar" "madeirada", ok?

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Pathy Dejesus é alvo de comentário racista na Playboy


Pathy Dejesus é a primeira negra a estampar uma capa de aniversário (agosto) da Playboy. Escrevi, quando a bailarina e coreógrafa Ivy Pissotti foi a capa da vez, que em 41 anos de playboy, não tivemos nem 10 capas negras. O país não parou por isso, ninguém chorou pela falta de prestígio que a pele preta tem na mídia (a menos que seja carnaval, óbvio, onde somos objetos baratos pra 'eles'). Vai vendo por aí onde quero chegar.

Aí, vem Suzy Cortez (quem?) Miss Bumbum 2015 (ah, tá...), capa da playboy mexicana e solta: “Eu sabia que a coisa estava feia no Brasil, mas não tanto. E vocês, o que acharam?”

Até aí, nada de mais, né? Só uma questão de implicância gratuita de uma subcelebridade falando de uma atriz, modelo e apresentadora, né? Né? Antes de concluir essa parte, vejamos o que Pathy comentou:

“A coisa não tá feia, flor, tá preta mesmo. Beijos de luz e sucesso pra você”.

Linda de viver, não? Mas, como é o protocolo básico do racista invejoso (perdão pelo pleonasmo), a pessoa faz igual aos biel da vida, igual aos arthur nory da vida e tantos outros que depois que percebem que o veneno ficou visível, lançam um 'FOI SÓ UM MAL ENTENDIDO': Tá na cara que ela jogou Pathy aos possíveis leões pra que comentaristas falassem abertamente o que ela evitou, pra ter essa saída de 'não foi bem isso, você é que exagerou'. Necessidade de auto-afirmação em níveis patológicos. Mas a carreira e a postura da moça já denotam uma carência de compensar o que sente que pode estar fazendo falta: "talento", pois corpo bonito padrão um dia desmorona e aí, comadre? O que faz? Mas estou divagando... Aí, a dona tenta se defender:

Fiz apenas uma comparação afirmando que a minha Playboy é bem mais bonita, mas não que ela seja feia. Achei a foto de mau gosto, com fundo escuro, podia ser algo mais claro, achei que ficou feia. E ela levou para outro lado, levou para o preconceito. Não falei nada de racismo. Escrevi que a coisa estava feia, mas não por ela, pela capa que não achei bonita”, explicou Suzy, que ainda completou: “Eu tenho direito de achar a capa feia ou não, a minha é mais bonita”. Ninguém perguntou, flor. Sorte aí no Mexico.

Típico. Quer aparecer? Faz o gentili e fala umas merdas bem preconceituosas e disfarça de opinião pra que o acusador pareça um exagerado histérico. Ela continuou dizendo que só achou sua capa mais bonita, mas o que ainda não entendi é que se ela só achou sua capa mais bonita, porque foi falar que a da outra é feia e depois disse que não é que achou feia? Tá nervosa com alguma coisa, fia? Tá ruim de justificar a merda lançada? Merda lançada não volta. Pegou mal, errou feio, errou rude.

Quer referências nesse embalo? Nayara Justino e Lupita Nyong'o. A primeira foi eleita pelo público como globeleza num concurso do Fantástico e depois criticada por não ter os traços de Valéria Valensa ou Aline Prado, ou seja, aqueles traços mais 'finos', pele não tão preta, ao passo que a segunda foi eleita a mulher mais bonita do mundo por uma revista de fama internacional, mas invejosos racistas alegaram que era caridade pra revista posar de boazinha. Também falaram isso de Leila Lopes, a Miss Angola que ganhou o Miss Universo em 2011, enfim, tendeu, né? Se é preto não pode ser bonito. Sempre falo que o branco mais mais ou menos é tido como bonito, o preto mais lindo só pode ser eleito bonito por peninha, na cabeça do racista. 

Já reparou que se tirar o foco do racismo, essas "opiniões" não fazem sentido? Tipo, se ela não se incomodou com o - na cabeça dela - "desespero" da playboy Brasil em colocar "até" uma negra na capa pra chamar atenção, o que sobra? Inveja? Maldade? Porque esse papo de 'só uma opinião' não cola, afinal, opinião a gente dá quando pedem, pra falar besteira, é melhor se calar. Muito mais deve ter doído nela ter que ir pra uma playboy onde vão saber menos ainda quem ela é, e no próprio país, "perder" pra Pathy. 

Ainda temos o próprio retrospecto social que restringe a beleza negra ao padrão "globeleza", onde a pele não é tão escura, o nariz não é lá muito largo, enfim, a preta ideal do racista é uma branca de pele escura, "da cor do pecado", ou seja, a preta é uma branca que a sociedade se sente menos culpada em objetificar. Essa laia quando diz 'feio' está tentando dizer 'preto'. Está na cara que a insatisfação da dita cuja se deu por uma negra estampa uma playboy, que até pouco tempo, era domínio de subcelebridades como ela, que só pode exibir o corpo. Imagina, em seu ambiente comum, aparece uma negra, multitalentosa e ainda chama atenção por outros atributos que não falas pseudo-polêmicas de opiniões desnecessárias e mal explicadas? Aff...  

Pathy Dejesus é atriz, modelo, apresentadora, DJ, primeira negra em rótulo de xampu e de protetor solar, primeira negra em campanha impressa de cerveja e agora, aceitou ser a primeira negra numa capa de aniversário da playboy. Porquê, Pathy? "Ser a primeira (a estampar a capa comemorativa)? Isso é a minha cara!”.

Suzy Cortez é Miss Bumbum 2015. Torçamos por ela também.

Um pouco mais de Pathy Dejesus porque nunca é demais. Ela é demais, mas nunca é demais, sacou? Rá! Enfim...