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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Pobre de marré deci... Quê?



Tá aí uma curiosidade aleatória minha e que nunca entendi lhufas. Aliás, nunca entendi shongas nenhuma nem da brincadeira, nem da música e acho que nem de porquê esse raio dessa bagaça era uma brincadeira. Enfim, 'pobre de marré' sou eu, é você, somos todos e eu acho que encontrei uma pista sobre de onde vem esse item cultural de infância de cada um.



Marré o quê?

"Eu sou pobre, pobre, pobre / de marré, marré, marré / eu sou pobre, pobre, pobre / de marré deci". Guarde como puder esses versos, porque antes de chegar ao significado, a gente precisa rever a origem da brincadeira que tem essa músicas como parte do jogo/brincadeira.

Então, a coisa toda começou na Europa nórdica, com duas linhas de meninas, frente à frente, em que uma de cada grupo andava pra frente enquanto a outra, pra trás, cantando, representando uma mãe rica e uma mãe pobre, depois de um tempo, revezam as posições e recomeça a brincadeira. Tá fazendo sentido? Eu sei...

Acontece que essa brincadeira foi migrando por outros países e com toques franceses e belgas, chegou a isso aqui:

“Je suis pauvre, je suis pauvre (Eu sou pobre, eu sou pobre)
Anne-Marie Jaqueline
Je suis pauvre (Eu sou pobre)
dans ce jeu d’ici (neste jogo daqui)”.

Estudos indicam que era muito comum o uso do nome Maria, e mais comum ainda versões em diminutivo, como Marie, Marriete, Marrete, etc. E se juntar ao trecho 'dans ce jeu d'ici', podemos associar facilmente ao 'deci'.

Pauvre (se pronuncia quase 'pobre') de Marriet (marré) dans ce jeu d'ici (deci).

Ou seja, a letra é explicada, ok, sabemos o que ela diz e como rolou a corruptela que chegou até o Brasil. Agora, continuo não vendo sentido algum na brincadeira. Deve ser coisa mais natural lá nas escandinávia ou algum tipo de 'brincadeira de menina', daquelas versões ainda rurais, mas já bem rotuladoras e estigmatizadoras, tipo casinha, cozinha, comidinha, algo assim. Sei lá, tem coisa brasileira que eu não entendo, nazeuropa então que eu nem meto o dedo (UIA!).



Fique com o clássico:



E com a curiosa intro do Rap do Salgueiro, onde Claudinho e Buchecha fazem uma versão um tanto quanto própria deles pra uns versos:

















Ê saudade daquelas tardes no canal 9 (CNT no RJ).

Fonte: Revista de História