Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Por que ‘X-Men’ falhou terrivelmente com a humanidade?



Bem, pro título não ficar muito comprido, explico que estou me referindo ao universo cinematográfico e não à equipe de mutantes em geral, muito menos especificamente no material-fonte, ou seja, HQs. E, sim, sei que ficou um titulozinho safado, dando a entender que eu falaria até, quem sabe, do aspecto fictício de alguma aventura específica. Ou não, sei lá.

Aliás, se quiserem saber mais sobre o que eu acho dos mutantes dos quadrinhos, já falei do fantástico arco Deus Ama, O Homem Mata (Conflitode Uma Raça), onde William Stryker quer provar que mutantes não são humanos e sim, aberrações ameaçadoras enquanto ele mesmo defende essa monstruosidade de preconceito, já citei as linhas gerais da criação do núcleo mutante diante das causas sociais de grupos discriminados, e até num texto antigão, de 2009, quando eu ainda assinava Fernando Garcia (de onde vem o nome desse infame, porém honesto blog - Rá!), sobre o que se perdeu com o tempo na série (e suas milhares de revistas banalizadoras de causas). Mas, vamos à questÃ.



No cinema a questão mutante fica muito restrita apenas ao fato de os personagens serem mutantes, não dando muita profundidade às analogias que a série faz nos quadrinhos, como homossexualidade, antissemitismo, racismo, etc. Um lampejo de profundidade, vemos algo que se aproxima dos quadrinhos quando Wolverine, Vampira, Homem de Gelo e Pyro (UIA!) conversam com os pais de Bobby e sua mãe reage como se o filho estivesse saindo do armário (“Filho, já tentou não ser isso?”). Até que a cena é maneira, nada pesada, mas um tanto intensa, o que compensa – quase – o primeiro filme, onde Magneto tem um verdadeiro plano Power Rangers de transformar todos em mutantes pra que não discriminem mais uns aos outros... Sério? É algum vilãozinho das Três Espiãs Demais?

Além de a humanidade acabar inventando outro motivo pra discriminar, onde esse plano retrata a luta diária contra discriminações? Se Magneto fosse real, ele ia transformar todo mundo em judeu? Em gay? Enfim, to me fazendo entender? Não se luta pra tornar o outro em semelhantes, se luta pra que haja respeito ao diferente, catzo! Nisso, os filmes falham, já que focam demais no Wolverine e aquele passado escroto – que já desvendaram, mas eu gostava quando era só um mistério de um cara esquisitão. Aliás, se o primeiro bota Magneto como o vilão da semana e o segundo é um revezamento de explosões, com outra vez, Xavier sendo posto fora de combate e, outra vez, Wolverine lutando pra descobrir seu passado. E no 3º filme então, são só cenas de ação, diálogos estranhos e outra vez Xavier fora de combate e outra vez, Wolvie sendo o Charles Bronson com garras.



Nada muito representativo se lembrarmos que X-Men foram criados na década de 1960 e Magneto com Xavier representam Malcolm X e Martin Luther King Jr, na luta pelos direitos civis dos negros nos EUAses daquele tempo. Enquanto Magnus/Malcolm tem a visão radical de que estamos em guerra e precisamos defender os nossos como for, Xavier/Luther King prega a harmonia entre as raças diferentes num mundo de paz. Ok, num primeiro momento, os quadrinhos vacilaram trazendo apenas jovens brancos estadunidenses entre os protagonistas, ou seja, mutante pode, mas nada muito ‘étnico’ (o que foi melhorado na segunda formação com integrantes de vários países do mundo, mas não é sobre gibi aqui).

Nos primeiros filmes, apenas Tempestade é preta, e é a Hale Berry, então, seria como ver uma novela com uma negra só sendo a Taís Araújo, saca? Não é desafio à diversidade quando o nome já vem brilhando. Aliás, muito pouco se diversificou. Aí, veio o reboot, que na verdade, virou prequel – e que teve seu próprio prequel na continuação (hein?!) – Primeira Classe. Tinha um negro no elenco principal. E adivinha só? Não só foi o primeiro a morrer, como foi o único! Parabéns, jovens diversificadores! Vocês criam uma franquia cinematográfica para uma série que representa lutas sociais de aceitação contra a discriminação e o único preto morre antes que a verdadeira aventura comece.

X-Men - Dias de um futuro esquecido


Tá, tenho dois adendos, você, se assistiu atentamente feito eu, notou que tem outra pessoa negra ali, mas além de se encaixar no exemplo ‘Taís Araújo’ (pois é filha de Lenny Kravtz com Lisa Bonet), ainda se bandeia pro lado do vilão. A outra questão é que o personagem morto tem o codinome de Darwin, porque seu poder é se adaptar para sobreviver. Tipo, cria guelras se estiver embaixo d’água, tem a pele de pedra ou metal para suportar temperaturas muito altas, etc... Aí, o que acontece... Ele explode com uma ‘bomba’ implantada pelo vilão na sua boca... Tipo... Cara, nenhum poder dele poderia cuspir a energia fora ou ficar altamente resistente a uma explosão?


Enfim, X-Men, do diretor Bryan Singer falha terrivelmente no que diz respeito a grupos excluídos socialmente. Na verdade, pelo fato de o diretor ser gay assumido, pesa ainda mais, já que seria o primeiro a saber como é isso bem na pele. Juro que até gosto da franquia, mas essa deturpação de valores me incomoda. Nem a troca de trajes individuais e coloridos (o que reforça, nos quadrinhos, as identidades próprias e características de cada um) por genéricos casacos de motoqueiro me importariam tanto se o roteiro tivesse uma linha mais simples de ‘temidos e odiados pelo mundo que juraram proteger’. E ainda dava pra colocar ótimas sequências de ação e humor, afinal, foi isso que tornou os personagens queridos nas HQs: Um novelão com aventura, romance e humor, no melhor estilo ‘essas feras vão aprontar as maiores confusões no maior clima de azaração’, da Sessão da Tarde. Rá!

X-Men - Apocalipse


Ps.: Tentaram esboçar um arrobo de diversidade no Dias de Um Futuro Esquecido com Tempestade e Bishop negros, a Blink chinesa, além do Apache (nativo estadunidense) e Mancha Solar (que é brasileiro e preto, ou deveria, tendo sido criado assim no gibi)... Mas a grande verdade é uma só: Tem mais personagens azuis do que negros. Tipo Maurício de Souza que tem mais personagens animais antropomórficos do que negros.



Ps²,: Sim, eu notei que Alexandra Shipp (sempre linda) é negra e apareceu nesse mais recente Apocalipse, mas aí, no máximo, voltaram ao status quo 'Taís Araújo', tipo, tem uma negra de novo, ela é a Tempestade.  

Bryan Singer, o diretor.


O X-man Darwin virou até piada na web, como o que tem o grandioso poder de se adaptar pra sobreviver e é o único que morre. Na dúvida, morre o preto. Repare em outros tantos filmes que quando não é o preto é o latino, é o japonês... enfim, o recado deles é nítido, né?


"Se adapta para sobreviver a qualquer coisa... único x-man que morre"



sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Freixo ou Crivella: De Marcelo pra Marcelo, a boataria tá feia já

Primeiramente, Fora Temer!
 


Bom, pra começar, quero logo lembrar-vos que religião não tem poder de dominar um município por meio de um candidato e muito menos poderia liberar uso de drogas, criminalidade, aborto ou casamento entre pessoas do mesmo gênero/sexo. Então, esses boatos mais bobinhos e babacas já podemos esquecer, ok? Se você quiser votar ou deixar de votar por concordar ou discordar desses pontos de vista, aí, é contigo, mas por favor, não decepcione Titio Saga alegando que vai votar nesse pra que aquele não vença e pratique o que você discrimina ou teme.


Esses boatos são sempre direcionados, se é diretamente cria das equipes de um ou de outro lado ou se apenas algum interessado em ver o circo pegar fogo foi lá e cristalizou a idea, aí, já não sei, mas são coisas óbvias e nem originais são, visto que quando Fernando Gabeira foi candidato lá nos idos de 2008, já falavam nessas lendas de que só vota no Gabeira quem é drogado e tals... Então, falar isso do Freixo é requentar de modo pueril um preconceito idiota, do tipo infantilóide que tenta intimidar a concorrência com o clássico medo de não pertencer. Sabe quando o adolescente babaca quer ver o mais certinho fazer besteira pra se sentir menos desajustado? Então, essa onda de 'se você é gay/drogado/bandido, vote no Freixo' é nada mais que isso, o velho 'fumaê, cara, tu num é homi não?'. Nada mais. Pior quem repassa memes de internet por faces e zaps afirmando que Freixo diz que bandido é vítima da sociedade e que a vítima do crime tem que aceitar isso.


Pelo lado religioso da força, temos Marcelo Crivella e algo que já me preocupa de início, a busca por apoio e aumento potencial na base de eleitores fez o senador ganhar apoio de Bolsonaro (não sei qual deles, mas é tudo igual pra mim), já que têm em comum, além de muitos posicionamentos conservadores (lembrando que igreja e estado, lá no início, eram unha e carne e hoje descendem dessa união conservadora de dominação por medo naquele sistema de obediência, ou não, com castigo ou recompensa). A questão nem é essa, é essa imagem de homem santo que se vende e aquelas manobras linguísticas do tipo, o senador não esteve entre os que mais fizeram proposições inúteis, logo, em seu site consta, deliberadamente, que ele foi um dos mais prolíficos... Ora, vá, mas a questão aqui é orientar o eleitor a escolher seu candidato avaliando seu passado, suas ações e proposições atuais, óbvio, mas nunca NUNCA acatar essa postura de repassar irresponsavelmente boatos e questões que nem fazem sentido, como legalização de drogas, por exemplo, que seria de âmbito federal, já que no Brasil, funciona a União e não há legislação autônoma independente entre estados.


Por parte de Marcelo Freixo, há duas ressalvas nessa guerra de boatos: Além de ele, se for eleito, não ter qualquer poder sobre mudança de leis fora do município, também nunca disse que se aceitasse um assalto de boas porque o bandido é vítima da sociedade. Essa parte eu compactuo, pois sempre escrevo que reconhecer o sistema sócio-econômico como excludente e entender que isso empurra a pobreza pra uma relação estreita com a criminalidade não nos faz defender o bandido enquanto bandido. Como falei no caso do linchamento do jovem há algum tempo, defendemos que se pratique a lei na forma da lei e não os capitão nascimento metido a Steven Seagal da vida, querendo resolver tudo na violência quando é com preto pobre. Ah, ele também desmente que trará para seu secretariado petistas como Lindbergh e Dilma Roussef. Quem já deu uma olhada no discurso básico do PSOL já percebeu que eles são oposição, o que hoje em dia, inclui até o PT, muito menos negociariam cargos em troca de apoio. Tá na cara que é fofoquinha pra associar o candidato a essa aura de desconfiança com o PT (cuja presidenta eleita democraticamente nunca teve uma acusação comprovada, diga-se).


Do outro lado, temos Marcelo Crivella respondendo em seu site que nunca defendeu que negros só gostam de cachaça e de macumba, segundo o candidato, essa frase foi dita por alguém que ele estava apenas citando, tendo a frase tirada de contexto para prejudicá-lo. E também explicou que não vai cobrar, se eleito, entrada no Parque Madureira. Também diz que não é a igreja de sua religião que irá comandar a cidade em caso de resultado favorável. Em todo caso, fiquemos de olho porque sabe como é candidato, em algum momento pode tropeçar nas palavras e um astuto ardiloso pode estar por perto pra flagrar. Lembra da Denise Frossard na campanha pelo governo do estado em 2006, quando ela usou a expressão 'baixada-leste' sendo que não existe lugar sequer aqui no Estado com esse nome? Entre outras coisas, mas desse eu lembro bem porque foi bem num debate, deixando Sergio Cabral Filho muito mais perto de por aquela cara sonsa dele no Palácio Guanabara, sede do governo estadual aqui do RJ.

No mais, nada de repasse de boatos. Vale muito mais se a gente se perguntar 'será que foi isso mesmo?' e dar um google do que ficar passando vergonha falando qualquer coisa sem ver que do outro lado da tela tem alguém chato tipo eu ;p acenando negativamente com a cabeça e falando 'que merda você falou aê'. Titio Saga fica mais decepcionado que aquele colega da oitava série que nunca estudava pra prova e quando estudou, caiu matéria nova.

E cuidado com pesquisas de opinião também. Servem pra nada, a menos que tenham entrevistado a todo eleitor que já tem decidido seu voto. Se não entrevistou a todos, não é confiável, visto que eles podem ter parado na porta de uma igreja ou de um bar, o que influenciaria diretamente no resultado da pesquisa, influenciando aquele pulha desavisado que vota em quem tá ganhando na pesquisa pra achar que venceu algo na vida quando o candidato é eleito.

E antes que eu me esqueça:



Fonte: O Globo  

domingo, 2 de outubro de 2016

Afinal, anular voto em conjunto anula uma eleição?



Ok, mais uma eleição e mais uma vez temos que ficar nos deparando com aqueles textos imensos e chatíssimos de alguém que sempre assina com um nome genérico e se fazendo de dono da verdade, voz do povo de bem e aquele blá, blá, blá típico do Homer Simpson da gente, aquele tipão comum que não pensa nem pesquisa os assuntos que acha que entende porque compartilhou algo no face ou lançou em algum grupo de whatsapp. É tipo aquelas páginas ‘revoltados online’ e essas coisas, pretensos e falsos defensores da ‘moral e dos bons costumes’ que só querem fazer o rebelde sem causa, mas que acabam obedecendo apenas o senso comum. Enfim... vamos ao que interessa...

A cada dois anos surge pelo menos um texto repetido à exaustão e que é mais chato que aquele bêbado carente que quer conversar, mas não consegue mais articular palavras simples e inteiras: O tal do voto nulo. Afinal, voto nulo anula a eleição, Saga?

NÃO. Sonoramente – dentro das possibilidades limitadoras de um texto escrito – um não bem alto e bem marcante pra ti, gafas (diminutivo de gafanhoto, Rá!). Não sei quem inventou essa de todo mundo juntar a galera pra sair anulando votos e muito menos quem levou a sério que isso afetaria uma eleição. A determinação é básica: É preciso que um candidato a cargo eletivo tenha 50% + 1 dos votos. Se você, seu amigo compartilhador de boatos e seu cachorro (se fosse legalmente um leitor) anulassem seus votos em conjunto, mas o próprio candidato e a mãe dele votassem nele – ZAZ – Ele venceria. Entendeu, pequeno gafanhoto? A única coisa que o voto nulo faz é ser nulo. A única coisa que o voto nulo anula é ele mesmo. Ou você mesmo, de um ponto de vista poético.




Se Batman, ou melhor, Bátema e Superman concorressem à prefeitura de GoTCHAN City e geral anulasse os votos menos seus amigos e familiares, os 100% dos votos válidos seriam dessa turma restrita e dali é que se contabilizariam os 50% + 1 pra definir o resultado da eleição, sacou? Você tem todo direito de anular seu voto, já que ir votar é obrigatório por lei, mas não é obrigatório você ter em quem votar ou mesmo ter opções e escolher não escolher ninguém (hien?!). Se voto nulo resolvesse alguma coisa, seria errado por lei. Rá! Eles não dão ponto sem nó, não dão e nem dariam esse mole pra gente resolver algo de forma tão fácil e pacífica.

E eu ainda lanço outro questionamento que obviamente você não se fez, se for desse tipo que repassa boatos sem nem saber de onde surgiu a história: Tá, vamos supor que seu voto nulo é poderosíssimo e fez com que outra eleição com outros candidatos fosse convocada... Quem seriam seus novos candidatos? Marcianos? Porque se fosse pra sair outro candidato da mesma galera que você acabou de manifestar protesto... acho que seu plano é meio que furado, bacana. Porque você pensou (?) que esse plano seria tão perfeito se partidos políticos são repletos de gente aliada? Tá, caem Bátema e Superman e se convoca outro pleito com Lanterna Verde e Mulher-Maravilha... ALOOOOU! Ainda é a Liga da Justiça, parceiro. E mais importante, ainda é o planeta Terra, ainda é a mesma máquina capitalista, mesmo sistema excludente opressivo... enfim... Pobre aquele que acha que somos comandados só por políticos e não por empresários e demais aliados interessados (e interesseiros)... mas deixa quieto, o foco aqui é falar que voto nulo anula só ele mesmo. 

Todo revoltoddy é assim. Só sabe dizer que tá errado, mas é muito mais parte do problema do que da solução.

É uma legítima manifestação de nada. Anular eleição é só pra casos de fraude ou irregularidades como encerrar votação antes das 17h, fazer votação fora de dias, horários e locais determinados por lei e essas coisas. Ah, já ia esquecendo, Também tem a lenda de que voto em branco é votar no candidato com mais votos... Outra besteira. Isso vem da época que se usava cédulas onde, por meio de fraude, obviamente, alguém poderia usar uma cédula em branco pra preencher em favor de qualquer candidato. O nulo também não tem esse poder indireto de favorecer quem estiver mais votado. Só um voto válido direcionado contabiliza.  



Outra hora eu apareço de novo pra falar mais sobre outras bizarrices eleitorais como atribuições de prefeitos que nem presidente faz (tipo acusações de que determinado candidato legalizaria maconha, armas ou coisas do tipo, sendo que nem são competências do executivo municipal) ou ainda a ideia de milhares de vereadores se achando os tais e não fazem o seu basicão que é criar projetos de leis pro município. Tem muita coisa errada no senso comum sobre eleições e administração pública. Muita coisa mesmo. Vamos pesquisar, galera, conhecimento não nasce sozinho, tem que meter as caras nos livros, sites, conversar com quem entende mais... Nada de comprar nem vender peixe podre. É vergonhoso falar algo que não é verdade e depois se arriscar a ser confrontado por isso. E a caroça onde tu enfia de vergonha? Aceita sugesta? Rá!


Fonte: TSE