Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Top 6,5: Grandes momentos de Quico (Chaves)



A jornalista Keila Jimenez noticiou que Carlos Villagrán aposentaria seu personagem mais famoso - e meu preferido, Quase-Nada Quico. Confesso que isso me causou um turbilhão de emoções nostálgicas e confusas. Bme, é que sempre afeta o psicológico quando um ícone da infância de desmistifica, por outro lado, ele tá bem coroa, o que compromete a credibilidade do personagem. Aliás, esse teria sido o argumento, segundo matéria do Blog da Keila, que o 'filho' de Villagrán teria anunciado em nome do 'pai'.



Mas, na verdade, tudo não passou de uma mentira, dessas de internet, tipo as que eu já desmascarei aqui mesmo sobre as mortes do Garoto-Bombril, Roberta Miranda e Sidney Magal. Bem, a notícia foi desmentida e transmitida no portal UOL (onde também havia saído a nota falsa antes) e, segundo o próprio ator, seu SOBRINHO é um vacilão que nem mesmo tem a permissão do tio pra usar o sobrenome estrelado. Enfim, a notícia e o desdobramento não rendem um meme furado, então, vou elencar aqui alguns momentos que eu acho legais protagonizados - ou provocados - pelo 'mocorongo almofadinha' das 'bochechas de buldogue velho'.

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Tenra Idade

É aquele episódio em que Paty chega à vila com sua tia (Paraíso Glória) e deixa os meninos galudões. Num momento meio raro na série, o personagem representa a ironia de ser interpretado por um adulto e explica porque ele teria se 'emocionado' ao ser beijado por uma menina que gostava.



Mamãe Querida

Depois de muito ser interrompido (confesso, na primeira, vez que quase desisti de assistir pela enrolação), finalmente, Quico iria recitar o tal do poema em homenagem às mães... Aí, dá nisso:




Seu Madruga está jogando beisebol

Quico vê que Seu Madruga está trabalhando de sapateiro e vai perguntar o óbvio, ao que o irônico vizinho discorda, alegar estar 'jogando beisebol'. Daí, na sequência, diante da insistência infame do menino mimado em comparar batidas de martelo a tacadas de beisebol, Seu Madruga lança a bolinha do garoto longe tentando falar HOME-RUN, mas saindo outra coisa hilária.


E o mais legal é que virou uma piada recorrente com o Quico passando e falando ironicamente que o vizinho estava mesmo jogando beisebol, quando perguntado pelo Sr. Barriga.




já, já me picou também

Esse é meu preferido! Tinha uma comunidade no orkut com esse nome e essa foto. Bem, Quico leva um pote contendo um escorpião pra casa e no susto, Dona Florinda derruba uma caixinha de alfinetes pela casa. Todos vão pensando ter sido o escorpião, supostamente, saído de dentro do frasco atacando a todos...



Quico dançando funk

Essa aqui, claro, é uma montagem braba, mas baseada num episódio real, mas não de Chaves, e sim do programa que Villagrán e Ramon Valdez estrelaram quando saíram do programa de Roberto Bolaños (lembra dos episódios sem eles no Chaves? Tipo, o restaurante da Dona Florinda e tals? Então...). Vamos misturar logo dos campeões de audiência do SBT dos anos '90 num lance só: Com vocês, Quiko (bem, neste caso, Kiko) dançando a montagem do Pica-Pau.



A triste notícia é que Villagrán não encerrou a carreira, mas vai divulgar um filme com Danilo Gentilli (eu sei, RIP). Em todo caso, sempre achei mais engraçado o fato de Villagrán ser parecido com Jorge Roberto Silveira, o eterno prefeito de Niterói-RJ.




Mas pra terminar essa nota inútil com alto astral, lembra que eu mencionei Paty e seu efeito emocional nos meninos? Pois bem...


Rosita Bouchot, a primeira Paty, daquele episódio piloto com as tortas na cara da vizinha nova.




segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Gorda não pode transar?



Nimarah Lima virou o viral da última semana com sua postagem sobre a própria intimidade. Não vou discutir se é legal ou não a pessoa expor a própria intimidade com tanta riqueza de detalhes, mas não deixa de ter um lado bom e importantíssimo. Além de reforçar a máxima 'ela tem o direito de fazer o que quiser'. Tá te ofendendo a transa dela?

Vejamos, Nimarah postou num grupo a tal foto com a descrição do momento íntimo que viveu ali naquele motel, achando que seu rosto seria parcialmente coberto por imagens de um daqueles apps de manipulação de imagens. Não rolou e a coisa foi de cara limpa mesmo. Dane-se se ela deveria ter se preservado, a questão aqui é outra: Muita gente que compartilhou, o fez com aquele ar de 'olha, a gordinha tarada falando sacanagem' e sabemos que isso tem o tom de deboche que ridiculariza a pessoa. Como o negro que ouve risadas ao dizer que cuida dos cabelos (porque cabelos crespos não têm o direito de serem tratados como cabelo de gente), Nimarah tem sido alvo de ofensas e tem até levado denúncias para a polícia. Tem mais é que fazer sim. Pra ser exemplo de reação! Por exemplo, a modelo plus-size, Fluvia Lacerda, foi anunciada com pompa como capa da playboy (é, minúsculo por despeito), mas a revista avisou que é só uma versão para colecionador, no site, na banca mesmo, vai vir a modelo 'tradicionalmente' magra, Gabriela Rippi. Tipo, valeu pelo desserviço, play, reforce a ideia de que a gorda é legal, mas pra mostrar pra família tem que ser a magra. Parabéns, campeões!


Fluvia, a gordinha só de busto.



Gabriela, a magrinha de corpo inteiro





















Mas, voltando... Aliás, vamos além! Claro, seria engraçado se qualquer pessoa falasse o que ela falou, mas o que incomoda é o julgamento da sociedade pelo fato de ser uma mulher gorda expondo sua intimidade. É o mesmo deboche de quando um gay se mostra valentão pra se defender ou quando um magrinho enfrenta um brutamontes, ou mesmo quando mostram - muito em filmes e comerciais - quando o nerd conquista a bonitona... é aquela risada de ver cachorro fazendo truque, bebês em poses de adultos e essa palhaçada. Debocham como se fosse motivo de piada uma mulher gorda demonstrar gostar muito de sexo. Gente, e ser julgado pelo que se é é tão ruim que tem gente que desenvolve até problema psicológico. Aliás, se eu tô num grupo que alguém compartilha pra fora uma postagem minha assim, é papo de sair desfazendo amizades a rodo.


Se fosse magra já seria alvo de julgamentos por que mulher não pode demonstrar prazer no sexo sem ser chamada de vadia, mas quando é uma mulher, preta, gorda, aí as pessoas caem esculachando. É o que eu sempre falo: Pessoas fracas de cabeça, defendem tanto os padrões da capa da revista e da novela que quando olha pra vida real, fica achando que aqui é que é o errado. Eu, particularmente, conheço muito mais Nimarahs do que Giselesis Bundchensis, seria justo eu achar que Gisele pode transar e Nimarah só pode ficar ali no canto fazendo piada, de preferência, com o próprio peso? Tem cabimento ela ser uma caricatura de si mesma na vida real e só a magrinha ir lá e descabelar o palhaço? Pra mim não. Que todo mundo tenha o direito de transar e gozar em paz.

Aliás, se estivessem transando, esses julgadores de última hora não teriam tempo pra falar da vida alheia. Se você não transa, não destranse os transantes. Rá!

Fonte: Extra Online

Playboy: Mulher gorda na capa? Quase...





Lá vou eu falar de playboy de novo. Andei atento a um rebuliço moderado sobre a playboy anunciar que traria em um ensaio fotográfico a modelo plus-size, Fluvia Lacerda. Sim, uma gorda posando nua numa das mais famosas revistas 'masculinas' do mundo. Parece tudo muito bonitinho, mas não é. Digo logo, assim, de cara.

A questão é que a playboy anunciou uma mulher gorda, pagou de representativa, mas a capa mesmo, nas bancas, vai ser essa aqui, ó.


Sim, uma mulher nos moldes que a mídia empurra há 987.654.321 anos como o modelo ideal de beleza estética. Mesmo que vejamos muito mais Fluvias nas ruas, bares, empresas de telemarketing, mercados, etc. A tal da capa revolucionária com a moça de medidas não tradicionais (nem por isso deixa de ser bonita, óbvio) é só online, pra colecionador que acessar o site lá, com senha e todo aquele badulaque protocolar de assinante.

Qual é a lição que tiramos daí? Que a mulher gorda serve pra sua conveniência de momento, mas é a magra que você exibe e anda de mãos dadas. Na hora de pagar de simpática, a playboy (minúsculo mesmo) se faz de benfeitora, mas pra vender na banca, ambiente mais tradicional da revista, aí, é a magra. Mas isso nos leva a uma questão: Se Fluvia é a atração, não deveria ser a capa oficial? Digo porque enquanto colecionador de quadrinhos, a prática comum que a gente conhece é a das capas variantes. Mas tem a oficial!


Tipo, não tem como Fluvia estar na banca não, playboy? Eu mesmo já respondo: Provavelmente não, já que a playboy é uma publicação mensal há uns 40 anos no Brasil e nessas décadas todas, só exibiu 10 negras em capas. Isso pra dar um exemplo, pois não sei de estatísticas pra pessoas obesas, mas em se tratando de negros, somos maioria da população. 10 negras em 40 anos já seria pouco até se a revista só saísse uma vez por ano, imagina mensalmente. São quase 500 revistas. A mais recente, Pathy Dejesus, foi capa da edição de aniversário. A primeira estampada por uma negra. Só agora.

Mas voltando ao caso de Fluvia. A playboy tentou ser revolucionária e nessa atitude só ratificou ser a mesma reacionária de sempre, com seus padrões babacas. Quando é pra ser assim ,melhor que nem fizesse alarde nenhum. Quando a intenção é boa, a coisa acontece naturalmente, mas quando é apenas pra chamar atenção e vender uns números a mais... transparece o interesse comercial em cima de um assunto do momento.

Fonte: Blog do Alvaro Leme