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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Silvio Santos: Ditadura e Preconceito na Comunicação Brasileira


É inegável o tino comercial de Senor Abravanel, vulgo, Silvio Santos. Também é bem verdade que este texto não visa simplesmente ser um difamador de celebridades, mas algumas considerações nada lisonjeiras eu preciso fazer aqui sobre a participação dele em nossa sociedade, enquanto formador de opinião.

Primeiramente fora temer eu preciso fazer toda uma sala e estabelecer o cenário: Silvio Santos recentemente contratou “Marcão do Povo”, um desses apresentadorezinhos escalafobéticos discípulos dessa linha metida a cientista social que em vez de jornalismo, acha que representa alguma autoridade e fica gritando revoltinha contra o mundo-cão que eles mesmos massificam no subconsciente da população. Obviamente que o mundo é um lugar complicado e perigoso, mas deu pra sacar de que tipo de programa eu to falando, né?

Bem, acontece que o tal do apresentadorzinho chamou a cantora Ludmilla de ‘macaca’, em decorrência de noticiar aquele episódio da Kátia. Disse ele que era um maneirismo de dizer que era ‘pobre’ e todo aquele teatrinho que o racista usa pra ser racista, mas não ter coragem de assumir. A própria Record demitiu ele da afiliada depois do episódio e Silvão faz o quê? Contrata o cara. Sim, racista tem emprego na TVS(BT). E vou te dizer porque isso não me surpreende.

Silvão de boas curtindo com presidente Figueiredo

Além de a emissora do Baú ser uma tremenda casa da mãe Joana, onde quem decide tudo é o próprio dono, sem diretoria pra delegar funções, o jornalismo, o entretenimento, tudo isso é apenas mote pra manter suas vendas em alta (imagine agora uma daquelas imagens JEQUITI surgindo rapidamente na tela). Além disso tudo, Silvio já tinha defendido Raquel Sheherazade com a falsa defesa da ‘liberdade de expressão’ naquela ocasião em que ela apoiou o linchamento de um menor infrator por uma gangue de playboy de ficha corrida na polícia aqui no Rio de Janeiro.

Também é Silvio o responsável por contratar Danillo Gentilli, aquele pseudo-comediante que, a exemplo de Silvio, é só um bajulador preconceituoso. Sacou quando falei que Gentalha é ‘a exemplo‘ de Silvio? Pois é, a complicação que explica o atual cenário do SBT é que Silvio tinha amizades-fãs no alto escalão do governo Figueiredo (não perca o vídeo lá no final do texto) e ‘ganhou’ a concessão pra uma emissora onde, em São Paulo, operava a clássica TV Tupi (Canal 4-SP), tanto que a posição da antiga Tupi aqui no Rio (Canal 6) ficou com a família Bloch e se tornou a Rede Manchete. Note como o jornalismo, de maneira geral, é basicamente o mesmo nas emissoras. Note que eles não são críticos com quem não interessa e só falam o que o povo se acostumou a escutar como o certo. Note que eles não entram em polêmicas que não lhes convêm.

Ambas vieram com uma proposta simples, ser a pseudo-concorrência da Globo e fazer mais do mesmo. Você que não sabe, a Globo obtinha altas vantagens durante a ditadura pela parceria com o grupo Time-Life junto ao governo. Enquanto o governo apertava o pescoço da população e vendia barato o que é nosso pra gringolândia, a gringolêndia (leia-se os EUAses) ganhava um canal direto pra impor sua cultura diretamente nas mentes mais fracas. A TV não é uma força da natureza que brota de dentro do aparelho. É feito por pessoas com amizades próximas na política e essa classe rica vai vendendo o estilo de vida que eles acham melhor pra eles e o povo vai aceitando como quem segue o manual do bom cidadão escrito pelo próprio deus judaico-cristão.


Então, ficou essas décadas todas, desde 1980 e alguma coisa: A globo obtendo prestígio junto à classe política da ditadura, junto a parcerias gringas, se fazendo de talentosona e a concorrência acomodada, ali, mordendo sua fatia, coisa que você percebeu, com certeza. O que pode não ter percebido é que Silvio é tão grato à ditadura, que um dia eu assistia a um quadro seu de imitadores e um tiozinho foi de Presidente Figueiredo para repreensão de Silvão. Ele não via com bons olhos uma imitação a uma figura a quem ele tinha gratidão pela concessão de seu canal. Aliás, um de seus jurados lá nos primórdios de emissora era parente do então presidente militar Figueiredo.

A palavra concorrência nesse contexto é tipo futebol, não adianta brigar hoje porque amanhã o rival vira colega. E a comunicação no Brasil é comandada pelos mesmos poucos grupos. Veja só como os Marinho (globo), Abravanel (SBT), Civitá (Grupo Abril), Macedo (Record) e Saad (Band) participam do cenário midiático nacional. São poucos nomes para se comunicar com mais de 200 milhões de cidadãos. E considerando que a TV chega a mais de 95% da população, imagine o que acontece na comunicação em massa. Sim, dominação mental.


Nenhum deles pode dizer que é a favor do país ou que é patriota. Os patriotas que desejavam um país democrático e justo foram mortos ou exilados. Ou foram calados ou desacreditados. A TV Excelsior foi uma que teve portas fechadas porque sua cúpula era contra ditadura. Apoiou Kubstchek, Jango e todos eles foram limados do circuito. Quem era contra ditadura, morria, era expulso do país, preso ou tinha que se calar. Lembra da letra de Comportamento Geral, de Gonzaguinha? ‘Você deve aprender a baixar a cabeça e dizer sempre muito obrigado...’. Pois é.


Então, o que aprendemos hoje, crianças? Que Silvio Santos faz muito bem o papel de velho gagá, tiozão engraçado da festa, mas fez muito melhor seu papel de comerciante bem relacionado. Dizem que ele não apoiou a ditadura, mas se beneficiou dela... Tendo em vista as contratações que faz (Marcão, Gentili, Sheherazade, Mara ex-Maravilha...) só posso concluir que santo também não é. Note agora os que se destacaram muito e foram alçados ao status de reis por amizades nos lugares convenientes, mesmo que se fazendo de surdo para os gritos dos oprimidos... Pelé, Roberto Carlos e toda essa galera. 



Diga-me com quem andas e te direi quem és.    




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