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sábado, 1 de abril de 2017

Boatos policiais de Whatsapp: O criminoso é quem denuncia?



Já estão compartilhando fotos que seriam das pessoas que filmaram os policiais atirando em homens caídos, supostos criminosos, em Acari, Zona Norte carioca. E a postagem vem com xingamentos e acusações de que os cinegrafistas amadores seriam bandidos, pessoas de mal caráter e aquelas coisas de Paris. Óbvio que não vou expor essas fotos aqui, seria muito feio e poderia prejudicar a vida dessas pessoas (lembra da moça linchada até a morte por uma denúncia falsa de uma vizinha desafeto?).

Surpresa, né? Alguém denuncia uma ação ilegal e criminosa da polícia e já ganha ofensas e acusações criminais. Tipo os caras executados, que já ganharam ficha corrida no tiro que os matou (sendo criminoso ou não). Isso faz com que os executores se tornem os heróis, né? Capitão Nascimento bota na conta do papa? Acho que não, na vida real, existem leis e não melhora em nada justificar um crime com outro.

Mas vou comentar sobre os policiais do tal vídeo. Juntos, segundo o jornal O Dia (viu, fofocaiada, eu tenho alguma fonte de informação que não é só compartilhamento de semi-conhecidos de whatsapp), possuem mais mortes nas costas que muito bandoleiro do velho oeste estadunidense. Aliás, são campeões em uso de munição e as operações por onde atuaram são as que mais geraram mortes. 10% da munição da força policial carioca saíram de suas armas, só em 2015.

Somados, carregam algumas dezenas de inquéritos por ações com resultado de mortes. Sendo autores, são 16 inquéritos. Juntos. No geral, 37. Aliás, um deles já respondeu a processo por uma outra Maria Eduarda, neste caso, de 11 anos na favela Para-Pedro, em 2014. Então, amigues, não sei se os caras mortos eram criminosos, mas mesmo assim, até em uma guerra bélica declarada, há regras sobre prisioneiros, procedimentos, etc... Como agentes de segurança pública age como donos da vida e da morte?

E pra galera do 'tá com pena? leva o vagabundo pra sua casa', só queria lembrar que não defendo crime, mas se até um juiz formado e paramentado na magistratura precisa averiguar documentos, depoimentos, testemunhas e advogados, quem seria eu pra julgar assim, só porque algum carente de atenção revoltoddy resolveu me passar fotos de pessoas aleatórias com alguma legendinha ofensiva? Lembrei logo daquele menor infrator espancado e acorrentado a um poste no bairro do Flamengo... O garoto tinha um histórico de lar desestruturado, expulso de casa e vivendo na rua à base de furtos... Já seus agressores, defendidos por muito 'cidadão de bem' como justiceiros da sociedade, tinham a ficha corrida mais extensa que meu histórico de piadas infames. Enquanto o moleque era um 'pivete', os pitboys que o agrediram respondiam por furto, agressão e até estelionato, se não me engano. Quem vigia os vigilantes?

Agora whatsapp virou fonte da verdade absoluta? Dá pra pegar diploma de sociólogo se eu repassar meia dúzia de boatos de internet? Dá pra eu me formar em astronomia pelas horas que já assisti toda a série de filmes Star Wars? Virei arqueólogo quando comprei o box da trilogia Indiana Jones? Virei físico porque sou fã de De Volta Para o Futuro?

Qualquer coisa agora se torna verdade só porque apareceu na telinha do celular? Faça-me o favor, né? Se brotar um meme dizendo que Papai Noel Existe e é miliciano, vai ter matuto aí repassando pra alertar as autoridades, então? Nem vou comentar mais sobre compartilhamentos de qualquer coisa sem comprovação, a falta de fotos e/ou de antecedentes criminais nem nada disso.

Repassar informação como verdade sem provas é calúnia, mas também é um estupidez, porque a pessoa passa vergonha como mentirosa e maria-vai-com-as-outras fácil (ou tem outro nome pra quem acredita e fofoca tudo que vê sem perguntar?). Além, é claro, de aparecer tipos chatos como eu pra apontar, acenar negativamente com a cabeça e falar: Que vexame, mané!

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